Entrevista

Zucchi avalia seu primeiro mandato e projeta o segundo

Rodinei Santos

Prestes a “entregar as chaves” da prefeitura de Pato Branco no dia 1º de janeiro, concluindo assim seu primeiro mandato, para reassumir o posto de prefeito para a gestão 2017/2020, Augustinho Zucchi (PDT), antes mesmo de se licenciar das funções administrativas na última quinta-feira, 22, avaliou sua gestão, falou dos desafios superados e projetou sua nova administração.

Diferentemente da primeira eleição em 2012, quando se elegeu de forma “apertada” — Zucchi teve 21.660 votos (50,67%) e Willian Machado (PMDB) obteve 21.085 votos (49,33%) — a eleição deste ano ficou marcada pela maior diferença de votos da história do município — Zucchi teve 36.504 votos (83,37%) e Willian, 7.282 votos (16,63%) — o que para muitos é uma avaliação positiva da atual gestão.

Como marcas do atual governo, o Executivo faz questão de destacar o primeiro lugar no Paraná no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) entre as cidades entre 50 a 100 mil habitantes; o 4º lugar em 2015 no Brasil no ranking das cidades inteligentes e o 21º lugar em 2016. Este ano em específico, a marca foi confirmada pelo 9º lugar em meio ambiente; 35º em mobilidade urbana e 31º em saúde, segundo levantamento do UrbanSystems e publicação da Revista Exame.

Para o gestor, que faz questão de destacar que o Brasil está bem diferente politicamente do que o país que ele presenciou quando assumiu seu mandato, mesmo perante adversidades Pato Branco se encontra em um bom momento.

“Fui deputado muitos anos e acredito que a condição de prefeito dá a possibilidade de planejar e realizar um plano de trabalho”, afirma Zucchi, lembrando que na formação de sua equipe de trabalho priorizou por mudar o formato da administração pública, tendo por prioridade a eficiência; rigor financeiro e orçamentário e planejamento do futuro.

Outra máxima que se ouve nos últimos tempos em Pato Branco é de que “se nós queremos que o país dê certo, o exemplo tem que vir de baixo”. A colocação é uma constante nas entrevistas do prefeito, que afirma ser intolerante a qualquer desvio da finalidade pública, e que diz ser “preciso fazer nossa parte”.

 

Diário do Sudoeste: A queda de arrecadação impediu a execução de alguma obra em Pato Branco?

Zucchi: O estava no plano de governo nós cumprimos, mas poderíamos ter feito mais, não fosse essa queda drástica da receita. Ainda assim, fizemos muitas obras, como a recuperação dos espaços públicos, com a praça Presidente Vargas e o Largo da Liberdade. A partir disso, a população criou outras demandas, além das que já existiam.

Poderíamos ter feito, e não conseguimos, por conta desta situação, a construção da praça Osvaldo Aranha (entroncamento das ruas Osvaldo Aranha e Tocantins). Também gostaria de ter feito mais um Cmei [bairro Planalto] aos moldes dos que entregamos. Não conseguimos e ficou para o próximo ano.

Para o próximo ano, temos que fazer três Cmeis. O do Planalto, um na zona Norte da cidade (local ainda a ser definido) e a unidade do Pinheirinho.

Quando falamos da queda da receita, temos que imaginar que, ao cair a receita, diferente do setor privado, o setor público não pode demitir e tem que ajustar salário.

Este ano, o aumento da folha foi de cerca de R$ 10 milhões e a receita diminuiu em cerca de R$ 10 milhões. Então tivemos uma diferença de aproximadamente R$ 20 milhões.

Isso, claro, nos dificultou na realização de novas obras, mas perante a situação do país, onde muitos municípios e estados já nem pagam os salários, acredito que somos uma referência.

 

Quais, na sua avaliação, são as principais obras e investimentos de recursos públicos na sua gestão?

Foram muitas conquistas que deram a Pato Branco a condição de ser uma das cidades mais citadas no Brasil inteiro neste ano em que estamos com o Brasil em crise. O país entrou em uma situação de declínio e nós entramos em uma crescente com relação à nossa cidade.

A obra da (rua) Ivaí/Tocantins deu a possibilidade de um novo eixo de desenvolvimento da cidade. Hoje as pessoas investem na Tocantins e com isso tivemos o planejamento da questão do shopping.

O programa do Asfalto nos Bairros deu a condição de termos uma urbanidade melhor. Tivemos ainda a recuperação dos espaços públicos, começando pelo Teatro [Naura Rigon], pelo Centro de Convenções, até os espaços que são se uso cotidiano como praças e o próprio Largo da Liberdade.

O programa Asfalto no Campo é um diferencial, que atende os anseios dos agricultores e dá dignidade.

Novos investimentos, como a Havan, não prejudicaram o comércio. 90% do faturamento da Havan vêm de fora e essas pessoas acabam circulando pela cidade. Com ela, inda veio a instalação do cinema.

Uma “coisa” puxa a outra, e assim também aconteceu com o shopping. Buscamos em Curitiba empresários para investir, e hoje os empresários de Pato Branco possuem maior ação no empreendimento do que os empresários de Curitiba.

Também temos o curso de medicina, que é uma conquista extraordinária, que é o coroamento do nosso centro universitário. Ele não apenas vai resultar no crescimento do centro universitário, mas também no ganho em saúde pública.

O contorno Norte é uma obra importante, que ainda não se concretizou, mas o primeiro trecho já está em licitação e tenho certeza que feita a primeira parte, faz o segundo trecho.

Os parques Ambiental e Tecnológico também são relevantes para o Município. O tecnológico teve seus problemas (construção) e agora estamos fazendo o chamamento público para as empresas que querem se instalar no parque, que já tem as incubadoras em atividade. Acredito que é um encaminhamento de futuro enorme que temos nessa questão.

Na questão da tecnologia, também consolidamos a Inventum, que nos colocou na vitrine da tecnologia do Brasil.

A criação da secretaria de Esporte e Lazer possibilitou a organização dos espaços esportivos, a recuperação do Patão (complexo), a implantação da Rua do Lazer e isso nos dá um ganho enorme em crescimento.

Mesmo não efetivado, a questão do aeroporto é sem dúvidas um grande desafio na questão de infraestrutura. Nós precisamos resolver o problema do nosso aeroporto por ser uma questão fundamental para o desenvolvimento da nossa cidade.

Para muitos, a eleições de 2016 foram a consolidação de seu trabalho. Como gerir um novo mandato com uma aprovação superior a 80%? Essa nova gestão é encarada como de uma maior exigência da população?

A população de Pato Branco é exigente no cotidiano. Não creio que vá ter uma exigência maior. Quem vai ter uma exigência maior serei eu.

Planejamos um mandato (2013/2016) para ser o que foi. Um mandato de inovação, mudança, comportamentos, paradigmas, de orgulho da cidade. Mas um novo mandato é uma nova história.

O novo mandato vai ter este como referência, mas terá novos projetos, adequação do que não deu certo, novas ideias.

Não há espaço para acomodação. Quem estiver acomodado não trabalha comigo. Vou exigir que se dê o melhor, e o melhor é melhor do que já foi.

Minha comparação não é com as anteriores, é com a minha.

 

Seu primeiro mandato foi marcado por uma presença e interferência constante junto aos secretários e nas obras. Isso deve se repetir com o início de um novo governo?

Este sou eu. Não acredito em nada que você não acompanhe, que não tenha legitimidade, e para que isso ocorra tem que acompanhar.

Eu cuido do município, ando junto com nossos funcionários, e a equipe de secretários, independente de quem seja, têm uma forma de atuação.

Como equilibrar a perspectiva de uma arrecadação ainda menor do que a deste ano e fazer com o que o Município continue crescendo? Óbvio que teremos um poder de investimento menor, 2017 se prepara para ser um ano muito difícil, mas vamos cuidar do dinheiro público.

Não vamos deixar que ele (dinheiro público) seja jogado no ralo da corrupção. E o outro ponto, é o princípio de trabalho que tivemos no primeiro mandato, o de atendimento coletivo e não de resolver problemas individuais.

Durante toda a minha vida pública como deputado, conheci muita gente e sempre coloquei isso na condição de conseguir dividendos para nossa cidade.

Como em toda a profissão, o poder público também exige contato e conhecimento. Isso aqui (prefeitura) não é lugar para curioso, as pessoas têm que saber o que estão fazendo aqui.

Administração não são só obras, mas é também o poder público catalizador de novas ideias, coordenador de iniciativas da sociedade.

A elaboração do Plano Diretor vem sendo anunciada durante esse mandato, mas somente vai vigorar no próximo. Como deve ser o plano apresentado para a população, sendo que este deve ser o rumo para o município em termos de crescimento e mobilidade?

Contratamos uma pessoa especializada para coordenar essa área, vamos debater com a sociedade. Nossa cidade é organizada e nós não podemos perder o foco.

É uma cidade verticalizada, e há uma demanda dos construtores para aumentar o tamanho dos edifícios. Sou contra, mas quem vai definir isso é o Plano Diretor.

Nós temos que diminuir o tráfego de veículos porque as nossas ruas não foram projetadas para a uma cidade verticalizada como estamos hoje.

Precisamos fazer que o setor de mobilidade tenha alternativas além da Ivaí/Tocantins, por isso apresentamos o projeto da trincheira da rua Guarani com a BR-158 e depois do contorno. Temos que transformar a  BR-158 em uma avenida, que a meu ver será nosso maior desafio em termos de mobilidade.

Não queremos um Plano Diretor que obedeça apenas aos investimentos financeiros, queremos um plano diretor que dê a condição de prioridade para as pessoas. Liberação de pequenos comércios na zona Sul, possibilidade de desenvolvimento em novas áreas novas.

O transporte coletivo, que agora está na justiça, também vai ser importante para o futuro da cidade, assim como precisamos de espaços verdes, como é o caso do Parque Ambiental; áreas públicas de qualidade e organização da cidade.

Igualmente, a coleta de lixo que foi implantada no primeiro mandato, deve ser complementada, da mesma forma que deve contemplar o projeto de arborização urbana, uma vez que não dá mais para ficar nessa de cortar a árvore porque está atrapalhando a fachada.

O Plano Diretor também dever abranger a Lei de Preservação de Patrimônio [município não tem uma lei específica até o momento], seja pela definição de áreas e locais históricos da cidade, assim como queremos um museu que conte a história do município.

Quais as prioridades para a gestão que se inicia dia 1º?

Ao que se refere à infraestrutura, a obra do Contorno Norte e do aeroporto são prioritárias. Precisamos resolver o problema do nosso aeroporto por ser uma questão fundamental para o desenvolvimento da nossa cidade e para o Sudoeste.

Com relação à atuação das secretarias, a de Ciência, Tecnologia e Inovação e a de Meio Ambiente, terão papeis fundamental nessa nova gestão.

A de Ciência e Tecnologia para a consolidação do que iniciamos e pregamos durante este mandato e a de Meio Ambiente, se queremos uma cidade modelo, ela tem que ser sustentável, por isso vamos completar a questão da coleta de lixo e com o Plano Diretor tratarmos a arborização urbana e a regulamentação das calçadas.

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