Pato Branco

Voluntários transformam retalhos em enxovais para bebês carentes

Laura da Rosa e Neusa Geron são as coordenadoras do projeto (Foto: Cristina Vargas)

O movimento Apostulado da Oração, da Paróquia São Pedro Apostolo de Pato Branco, realiza um projeto com voluntário há dez anos, em prol dos recém-nascidos pertencentes a famílias de baixa renda, cujos partos tenham sido realizados pelo SUS.

O grupo foi fundado em 2008 pelas voluntárias Neusa Geron e Laura da Rosa, que até hoje coordenam o projeto. Elas contaram que os encontros acontecem nas tardes de terças e quintas-feiras, das 13h30 às 17h, em uma sala localizada atrás do Pavilhão São Pedro, na rua Goianazes, em frente o Mercado do Produtor.

O trabalho do grupo consiste em confeccionar enxovais para os recém-nascidos, que são organizados em kits contendo várias peças como sapatinhos, conjuntos de lã e de malha, mantas, acolchoadinhos, pijaminhas, fraldas, meias, travesseirinhos, cobertores, casaquinhos, calças, gorros, entre outras.

Cada kit é formado por 35 peças, que são confeccionadas com material doado pela comunidade. Segundo Neusa, são retalhos, pedaços de tecidos, lãs, linhas, que acabam transformados em roupas e acessórios para os bebês.

O grupo é formado por 14 voluntários que frequentam a sede semanalmente, mais os voluntários que contribuem de uma forma ou de outra com a ação do grupo, confeccionando peças ou realizando trabalhos artesanais em seus lares.

Os kits são doados duas vezes por mês para o Hospital São Lucas, de Pato Branco. As doações também contemplavam a Policlínica Pato Branco e um hospital do município de Turvo, próximo à Guarapuava, porém não estão mais recebendo porque não realizam mais partos pelo SUS.

O objetivo é confeccionar peças para o enxoval dos recém-nascidos (Foto: Cristina Vargas)

Doações

As doações vêm de malharias, lojas, mercados, famílias. “As fraldas, por exemplo, são doadas pelo Rotary. Alguns retalhos vêm de uma fábrica de Vitorino”, comentou Neusa.

Laura explicou que alguns voluntários confeccionam conjuntos de lã, como calças, casaquinhos, sapatinhos e gorros, nas suas casas e entregam no grupo para que sejam anexados ao kit. Outros pegam mantas já confeccionadas na sede do grupo e levam para a casa para fazer as barras de crochê, deixando as peças ainda mais bonitas.

Nos últimos anos foram doados mais de mil kits, sendo 830 entre 2015 e 2017 e 160 kits só neste ano, de janeiro a junho.

Bendito ao fruto

Atualmente, a maioria dos voluntários do projeto Obra do Berço são mulheres, que conta apenas com um homem nos trabalhos. É César da Rosa, marido de Laura, que há três anos entrou para o projeto.

Segundo Laura, César é aposentado e encontrou na Obra do Berço uma motivação para ajudar o próximo, além de ser uma terapia ocupacional que afasta doenças, como a depressão.

Ele confecciona mantas de tear, produzindo cerca de 20 por mês. “Ele seleciona os fios e faz as tramas para produzir as peças. Têm o cuidado de combinar as cores, faz um trabalho muito bonito”, contou Neusa.

As coordenadoras do grupo disseram que César serve de exemplo para outros homens que gostariam de ajudar, mas têm receio. “Todos podem participar da Obra do Berço, tem serviço para todos. Afinal, o que adianta receber as doações se não tem”, ressaltou Neusa.

No momento, César da Rosa é o único homem voluntário no projeto Obra do Berço (Foto: Rita Colla)

Moção de aplauso

Em 2015, vereadores de Pato Branco aprovaram em sessão ordinária da Câmara Municipal, em votação única, uma moção de aplauso à Neusa Geron, idealizadora do projeto Obra do Berço, pelo trabalho desenvolvido junto com outras voluntárias, na confecção de enxovais para recém-nascidos carentes.

Na oportunidade, o grupo destacou que segue as orientações do Papa Francisco, que pediu aos católicos que saíssem de suas casas e das igrejas e que ajudassem seus irmãos necessitados, de forma concreta. Porém, as voluntárias do projeto Obra do Berço já vinham fazendo isso muito antes do pronunciamento do pontífice. “É um trabalho gratificante que deixa a gente muito feliz”, disse Neusa Geron, naquela oportunidade.

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