Opinião

Utilização da escória de fundição para a produção de cimento supersulfatado

A conservação dos recursos naturais e a redução dos impactos ambientais vem sendo uma das principais preocupações das industrias. Segundo a Associação Brasileira de cimento Portland, o consumo de energia durante a produção de cimento tem motivado a busca do setor por produtos que diminuam este consumo, visto que o cimento Portland é o material mais consumido do mundo, a indústria cimenteira é responsável por cerca de 5% das emissões de Dióxido de Carbono (CO2) na atmosfera, bons resultados foram obtidos adicionando escória de alto-forno.

Surge então, o cimento supersulfatado, conhecido como CSS, material este composto por até 90% de escória de alto forno, cerca de 10-20% de sulfato de cálcio e um ativador alcalino (até 5%), estes cimentos são ligantes livres de clinquer (matéria básica para a produção de cimento Portland), por este motivo, é considerado amigo da natureza.

Para Neville (2016), o cimento supersulfatado tem alta resistência a água do mar e pode suportar concentrações de sulfatos, normalmente observados em solos ou águas subterrâneas. Sabe-se que diversas edificações são construídas em ambientes sujeitos a ação de ambientes agressivos, como estações de tratamento de água e esgoto, ambientes industriais e ambientes litorâneos que estão expostos à névoa marinha.

A escória é um resíduo oriundo do processo de produção do ferro-gusa, este processo se inicia no alto forno, onde é inserido o minério de ferro, coque ou carvão vegetal e calcário, em ambos os combustíveis coque ou carvão mineral estão presentes impurezas, que no processo de fusão se juntam e formam uma camada com alto ponto de fusão, neste processo é utilizado um fundente que quando em contato com os óxidos diminui a temperatura de fusão desta fase de impurezas, nesta fase ocorre a formação da escória de alto forno.

A escória, considerada resíduo é destinada à aterros sanitários, e este material que seria descartado torna-se matéria-prima para a produção de cimento. Realizou-se um estudo sobre a escória de fundição produzida por industrias da cidade de Pato Branco, para se iniciar o estudo, foi coletada uma amostra de cerca de 13 kg de escória, a mesma foi seca em estufa durante um período de 24 horas em temperatura controlada de 60 °C, após a secagem foi realizada a moagem do material em moinho de bolas até se obter uma granulometria idêntica à do cimento Portland convencional.

Com o material moído, realizou-se um ensaio conhecido como Fluorescência de Raio X, onde foi enviado para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul uma amostra com cerca de 4 gramas da escória moída, com este ensaio é possível identificar as composições químicas deste material.

A partir deste ensaio pôde-se descobrir que a escória produzida por industrias da cidade de Pato Branco possuem propriedades ácidas, não conferindo resistência às pastas de cimento supersulfatado. Esta acides é caracterizada pelo resfriamento lento da escória, a mesma fica em contato com o ar até perder temperatura, neste processo, os seus átomos se ordenam perfeitamente, formando então um material cristalino.


Sabrina Tábata Michianski, acadêmica de 10º período de Engenharia Civil na Faculdade Mater Dei; e Adernanda Paula dos Santos, professora da Faculdade Mater Dei

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