Vanilla

Uma noite na biblioteca

Um grupo de crianças visita a biblioteca municipal à noite, brinca, vê filmes, e claro, lê. Dessa forma, projeto quer familiarizar as novas gerações com o universo da literatura

 

Nelson Junior

 

Os feixes de lanternas cortam as estantes de livros e vozes infantis agitadas dominam os pequenos corredores. Existe um problema a ser resolvido ali na escuridão. Divididos em três equipes, o grupo de crianças precisa montar um quebra cabeça que contém a pista para achar um tesouro escondido na Biblioteca Pública Helena Braun.

Elas precisam ser rápidas e trabalhar em equipe. Alguém precisa segurar as lanternas, enquanto outras movimentam as peças e outras ainda tentam enxergar lógica nas imagens embaralhadas.

Um dos grupos se exalta, parece ter achado o caminho de algo que está no segundo piso. Foi preciso a intervenção da professora para controlar a empolgação, impedindo que eles subissem os degraus correndo e arriscassem uma queda.

Outro grupo se anima, encontraram a resposta. A pista está escondida perto do extintor de incêndio. Mais uma vez a professora intervém. No ímpeto de matar a charada elas inconscientemente correm.

Alguém encontrou a pista e o objeto misterioso: era um livro. A caça ao tesouro foi apenas uma das atividades da noite que estava apenas começando. Para algumas daquelas 14 crianças, alunas de várias séries da Escola Municipal Gralha Azul, aquela era a primeira vez que entravam na biblioteca pública.

Passar a noite no meio dos livros em uma espécie de festa do pijama é um projeto desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação, através do Departamento de Cultura, com uma meta simples: estimular a familiaridade com o mundo da literatura.

Todo mês, uma turma de crianças de escolas públicas de Pato Branco deverá passar pela experiência, que pela reação dos participantes da edição acompanhada por Vanilla, deve ficar na memória. “As brincadeiras envolvem os livros, e acredito que isso fará com que elas relacionem a diversão com a leitura”, opina Ester Pagnoncelli, atendente da biblioteca pública.

Nada aleatório

Apesar do clima de brincadeira, cada atividade tem um objetivo implícito. Trabalho em equipe, cooperação, e até disciplina estão sendo exercitados. Durante a noite, o grupo é acompanhado por professoras desde a chegada até a manhã seguinte.

Tudo começa com uma apresentação, onde as crianças são informadas da da programação e ficam cientes das regras. Depois todas participam de um passeio para conhecer a estrutura da biblioteca e do complexo cultural que inclui o teatro e o museu municipal.

O roteiro inclui ainda lanche, a gincana de caça ao tesouro, e um tempinho pra leitura. “Eu gosto de ler”, se adianta o estudante Carlos Carvalho, de 10 anos. Sem cerimônias ele folheia deitado um gibi de super heróis. Seu gênero favorito é o mistério e o terror, o mesmo de Lorrany dos Santos. “De vampiros, são os mais legais”, completa.

O silêncio da hora da leitura contrasta com a agitação da gincana. Eles estão grudados nos livros, provando que para gostar de ler basta apenas um empurrãozinho.

Filme

Antes do sono vem a sessão de cinema, “Um Gato em Paris”, filme emprestado do acervo do Sesc através de uma parceria. Cada um é responsável por arrumar seu colchão, os lençóis e organizar o seu espaço.

Dente escovado, o filme começa. Fernanda, de 11 anos, conta baixinho antes de voltar a prestar atenção na tela que se divertiu muito. Foi aí que fui embora, na surdina pra não atrapalhar. “Não vai dar tchau?”, cobra uma menina.

Aceno com a mão e recebo vários outros em troca. Pela cara de cansaço, muitos não iriam ver o filme até o fim.

Classificados