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Uma década de Lei Seca: desafios para combater a mistura álcool e direção

Mesmo com a severidade da chamada Lei Seca, a cultura de dirigir após a ingestão de álcool permanece presente nos costumes de boa parte da população brasileira.

Mesmo com a severidade da chamada Lei Seca, a cultura de dirigir após a ingestão de álcool permanece presente nos costumes de boa parte da população brasileira.

Confira a seguir 10 problemas que, mesmo após uma década de vigência da norma, ainda representam desafios para enfrentar a mistura de álcool e direção, apontados por órgãos, entidades e especialistas no assunto. Segundo a Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), o álcool ainda é a segunda maior causa de mortes no trânsito no Brasil.

A frequência de adultos que admitem conduzir veículos motorizados após terem ingerido qualquer tipo de bebida alcóolica aumentou 16% em todo o país, de acordo com a Pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico).

Essa mesma pesquisa revelou que 6,7% da população adulta afirma conduzir veículo motorizado após consumo de bebida alcoólica. Os homens (11,7%) continuam assumindo mais essa infração do que as mulheres (2,5%).

Houve aumento de 137% nas infrações nas rodovias federais, informa a PRF (Polícia Rodoviária Federal). Apesar dos altos índices, o volume de autuações pode ser bem maior já que não há um registro nacional de informações, e muitos estados não informam a quantidade de condutores flagrados bêbados. A falta de banco de dados prejudica o planejamento de ações.

Para o especialista em trânsito da UnB (Universidade de Brasília), David Duarte, a estratégia de fiscalização dos Detrans e das polícias é falha por só se basear em blitze e não treinar devidamente os agentes fiscalizadores para atuarem em quaisquer circunstâncias. “É o samba de uma nota só”, diz.

Segundo o Detran-DF, foram 256 mortes registradas no trânsito do DF em 2017. Desse total, 113 (44%) estavam sob efeito de álcool ou de alguma substância psicoativa, dos quais 37 pessoas haviam consumido cocaína.

Ainda conforme o Detran-DF, nas ações de fiscalização, tem sido identificada alta reincidência de pessoas sob efeito de álcool, mas já com o direito de dirigir suspenso. Há casos de pessoas com até 14 autuações por alcoolemia. Isso chamou atenção da entidade para outro problema: o alcoolismo.

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