Entrevista

“Serei candidata em qualquer cenário”, diz Cida Borghetti

Em seis meses, o Paraná pode ter um novo governador, na verdade uma governadora. Início de Abril é o prazo estipulado pela legislação eleitoral para o governador Beto Richa (PSDB) renunciar ao cargo, caso confirme a sua candidatura ao Senado.
Cida Borghetti é vice-governadora e pré-candidata ao governo do Estado (Foto: Divulgação)

Em seis meses, o Paraná pode ter um novo governador, na verdade uma governadora. Início de Abril é o prazo estipulado pela legislação eleitoral para o governador Beto Richa (PSDB) renunciar ao cargo, caso confirme a sua candidatura ao Senado.

Se isso ocorrer, a vice-governadora Cida Borghetti (PP) será a primeira governadora efetiva da história do Paraná. Duas vezes deputada estadual e deputada federal e com uma trajetória política marcada pela saúde preventiva, combate ao câncer de mama e políticas às crianças; Cida Borghetti afirma “estar preparada” para a possibilidade de assumir definitivamente o Palácio Iguaçu.

- Daqui a seis meses, a senhora pode se tornar a primeira mulher a assumir efetivamente o cargo de governadora. Qual a sua expectativa?

Olha, a decisão de renunciar, ou não, para concorrer ao Senado é uma escolha pessoal do governador Beto Richa e temos que respeitá-lo. Eu estou tranquila e preparada para o possível desafio, seja daqui a seis meses ou em janeiro de 2019. Estou disposta a ampliar o meu trabalho pelo Paraná. Sou empresária, formada em administração pública com especialização em políticas públicas. Construí uma carreira defendendo a saúde preventiva das mulheres, a proteção às crianças, às famílias e o fortalecimento dos municípios. Fiz diversos cursos, entre eles o de liderança executiva em desenvolvimento da Primeira Infância da Universidade de Harvard. Sinto-me preparada.

- O que muda nos seus planos caso o governador Beto Richa decida permanecer no governo até o final do mandato?

Sou pré-candidata ao Governo do Estado em qualquer cenário político. Conto com o apoio das direções nacional e estadual da legenda para disputar as eleições em 2018, e tenho a confiança de que podemos contribuir muito mais pelo desenvolvimento e crescimento do Paraná.

- E quais seriam essas contribuições? O que se pode esperar da Cida Borghetti governadora?

Uma gestão articulada e participativa. Não irei administrar sozinha. Farei consultas a lideranças políticas, do agronegócio, do meio empresarial. Ouvirei representantes de federações, associações e sindicatos. Do setor produtivo aos trabalhadores. Todos terão voz e participação. Saúde, educação e segurança serão as prioridades.

Aliás, pertenço a um grupo político que tem como marca a eficiência na gestão, uma política de resultados. Buscarei as boas práticas de administrações municipais progressistas. Modelos de realizações, por exemplo, em Maringá, que saiu de um cenário muito difícil com um déficit de R$ 40 milhões no início dos anos 2000, equivalente hoje a mais de R$ 200 milhões, e se tornou, ano após ano, uma das melhores cidades do Brasil para se viver. As experiências em Toledo, o maior PIB agropecuário do Estado e em Londrina, a segunda maior cidade do Paraná.

- Na sua avalição, qual o maior desafio para governar?

A retomada de um ciclo de crescimento com a geração de empregos e renda. Hoje o país está saindo de uma das piores crises econômicas da história e os índices do Paraná - graças ao ajuste fiscal feito pelo Governo e a força do nosso setor produtivo - se destacam. Estamos gerando empregos e devemos crescer acima da média nacional. A união é essencial para vencermos os desafios. O caminho é uma gestão eficiente e preocupada, cada vez mais, com a boa aplicação do recurso público. Buscar práticas inovadoras e parcerias com a iniciativa privada. O desenvolvimento harmônico passa pela união de diferentes órgãos e entidades, da classe produtiva e dos trabalhadores.

- E as prioridades?

É consenso a importância dos investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura, como eu já citei. Áreas essenciais para o Estado que terão a minha atenção especial; entretanto minha prioridade absoluta serão as crianças. Chamar à mesa as prefeituras, governo federal, iniciativa privada e sociedade. Estabelecer um grande pacto pelas crianças com políticas e ações integradas, em especial nos primeiros anos de vida. Envolver também as famílias. Estudos comprovam que investimentos na primeira infância melhoram índices de produtividade no trabalho, reduzem dados de criminalidade e de gravidez na adolescência, por exemplo.

Também temos que pensar em ações integradas para os jovens, temos bons programas que podem ser ampliados como o Rede Jovem e os Centros de Juventude, que reúne num só lugar diversas atividades de esportes, cultura e capacitação. Ocupar o tempo dos jovens com atividade produtivas e inovadoras para protegê-los dos perigos das ruas e distanciá-los das drogas.

- A senhora falou em infraestrutura também, pode adiantar o que pensa para melhorar a infraestrutura do Estado?

O Paraná tem as demandas históricas na infraestrutura: duplicação completa da PR-323 no Noroeste, Trem pé-vermelho, Porto de Pontal, aeroporto regional do Oeste e do Sudoeste, duplicação integral da Rodovia do Café, da BR -277 e PR-280, melhorias nas rodovias na beira do Paranapanema, duplicação até o Mato Grosso do Sul, ampliação do aeroporto de Londrina e de Ponta Grossa, a nova ferrovia até o litoral, a Ferroeste até Mato Grosso do Sul, entre outras obras. Pleitos que dependem de uma integração de esforços do Governo do Estado com o Governo Federal, bancada no Congresso e na Assembleia, iniciativa privada, setor produtivo organizado e prefeituras. É o nosso jeito de fazer política, chamar todos à mesa para buscar a melhor solução para o povo do Paraná.

- E o pedágio, qual a sua opinião?

Defendo, da maneira mais rápida possível e com amparo legal, uma redução considerável das tarifas e a execução de mais obras. O foco é a melhoria da competitividade do Estado com a redução de custos.

- O Trem Pé-Vermelho, ferrovia de passageiros entre as regiões Londrina e Maringá, é uma das suas bandeiras, porque não saiu do papel?

O Governo do Estado lançou uma proposta de manifestação de interesse para as empresas apresentarem estudos de viabilidade. O processo e os estudos estão em andamento, porém a recessão econômica que atingiu o país nos últimos anos criou algumas dificuldades para levarmos adiante projetos como esse. Tenho a confiança de que com a melhoria do ambiente econômico conseguiremos investidores para iniciar a construção desse grande eixo de desenvolvimento que vai ligar as regiões metropolitanas de Londrina e Maringá.

- E qual o caminho para gerar empregos, sobretudo no interior?

Justiça tributária, apoio incondicional aos micro e pequenos empresários, estímulo ao Agronegócio e a atualização constante do programa Paraná Competitivo. O PR Competitivo é um dos programas mais eficientes do mundo para atrair investimentos e gerar empregos. Foram mais de R$ 45 bilhões em novos empreendimentos nos últimos anos, gerando milhares de postos de trabalho em todas as regiões. Lembro que o programa foi criado na primeira gestão do governo Beto Richa, na secretaria da Indústria e Comércio comandada por Ricardo Barros. Mais uma marca do nosso modelo de fazer política.

- Nas pesquisas divulgadas até agora, a senhora aparece com certa distância dos outros concorrentes, cito Osmar Dias (PDT) e Ratinho Jr. (PSD). Isso não a preocupa?

Não. É até natural que eles sejam mais lembrados neste momento, ambos já disputaram eleições majoritárias e possuem esse recall. As pesquisas mostram também que há ainda um grande desconhecimento do meu nome como candidata. Há vários exemplos de candidatos que nem mesmo apareciam nas sondagens prévias e acabaram vitoriosos. O João Dória (PSDB), em São Paulo, é um caso recente. Em 2010, o ex-governador Orlando Pessuti (PMDB) aparecia com 4 % e cerca de dois meses depois de assumir o governo com a renúncia do Requião chegou a 15 %.

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