Saúde

Será que é mesmo só o frio?

Os cuidados com a pele no inverno vão muito além da hidratação. É preciso ficar de olhos porque as vezes os sintomas acusam problemas além do ressecamento sazonal
(Foto: Divulgação)

No inverno, é difícil fugir das intempéries na nossa pele. Esfria, esquenta, venta, o tempo seca, fica úmido, e a gente vai sofrendo com tudo isso.

Depois aparece uma manchinha, um vermelhinho, uma coceirinha, descamação, e a gente vai passando hidratante, sem dar muita atenção para o que está acontecendo.

Por fim, o problema pode ser muito mais grave do que a gente imagina, e é preciso prestar as reações da nossa pele quando surge alguma manifestação estranha.

Conforme Caroline Balvedi Gaiewski, médica dermatologista, principalmente a descamação e eritema são sinais clínicos de um processo inflamatório causado tanto por algum agente infeccioso, como o fungo, como por doenças crônicas, como a dermatite seborreica e a psoríase.

Por isso, pedimos para que a médica descrevesse os principais problemas que causam descamação na pele.

Mas, atenção! Caroline lembra que essas doenças apresentam características semelhantes entre elas na fase clínica e peculiaridades durante a evolução “que só um profissional com treinamento adequado pode realizar, com segurança, o diagnóstico, tratamento e as devidas orientações”.

O profissional que cuida de doenças de pele, cabelo e unha é o dermatologista. Por isso, diante de qualquer sintoma, procure a ajuda de um especialista.

A lista dos problemas você confere a seguir.

Dermatite seborreica

A dermatite seborreica (popularmente conhecida como caspa) é uma doença inflamatória crônica comum. Possui dois picos de incidência: um no recém-nascido, até os 3 meses de vida, e outro na fase adulta, aproximadamente entre os 30 e 60 anos de idade. A doença no adulto tem um curso recidivante, ou seja, ela vai e volta.

As lesões têm predileção pelas áreas de elevada produção de sebo, como o couro cabeludo, face, pavilhões auriculares (orelha), regiões retroauricular (atrás da orelha) e pré-esternal, pálpebras e dobras.

Na face, é característico o envolvimento das regiões glabelar (entre as sobrancelhas) e malar (bochecha), dos sulcos nasolabiais (prega entre o nariz e a boca) e das sobrancelhas.

O acometimento das pálpebras leva à blefarite, que é a inflamação da parte externa das pálpebras. A área da barba em homens também pode ter lesões de dermatite seborreica.

O objetivo do tratamento consiste no controle da inflamação e da oleosidade. A primeira regra é esclarecer aos pacientes sobre o caráter crônico recidivante da doença. Assim, o indivíduo, ciente do curso da doença, demonstra maior confiança e aderência ao tratamento.

Psoríase

A psoríase é uma dermatose inflamatória, recorrente, crônica, relacionada à transmissão genética e que necessita de fatores desencadeantes para o aparecimento ou piora. A evolução é crônica e frequentemente benigna, caracterizada por períodos de remissões e exacerbações, cujo diagnóstico é fundamentalmente clínico.

Os fatores implicados em seu aparecimento ou complicações são traumas cutâneos, infecções, medicações -- como lítio, beta-bloqueadores, anti-maláricos, anti-inflamatórios e uso de corticoide oral -- e estresse.

A psoríase apresenta manifestações extra-cutâneas. Os pacientes com psoríase têm incidências mais altas de obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, hipercolesterolemia e infarto do miocárdio. Além disso, o estresse emocional de ter uma doença cutânea grave pode causar um profundo impacto psicológico negativo.

Quando a psoríase se apresenta pela primeira vez, é fundamental que o paciente e seus familiares sejam informados da natureza da doença, de seu caráter não contagioso, de que nas formas leves e moderadas não costumam ocorrer complicações sérias e de que os tratamentos não são curativos, embora sempre haja possibilidade de controle das lesões com os medicamentos disponíveis

A escolha do tratamento deve ser feita considerando a gravidade e extensão do quadro clínico e o comprometimento psicoemocional. Devem ser priorizadas, inicialmente, as medidas gerais (hidratação) e terapia tópica. A seguir, fototerapia e, por último, tratamento sistêmico.

Rosácea

Rosácea é uma doença cutânea crônica, que afeta mais comumente pacientes com idades entre 30 e 50 anos. A evolução típica é crônica, com remissões e recidivas. Caracteriza-se por ruborização, telangiectasias (dilatação de vasos sanguíneos), pápulas (protuberância) e pústulas (feridas).

As lesões são simétricas e afetam mais as regiões convexas da face, inclusive nariz, regiões malares, fronte e mento.

A rosácea emerge da interação de predisposição genética individual e presença de fatores ambientais provocativos. Os fatores que estimulam a ruborização, inclusive ingestão de bebidas quentes e álcool, exposição à luz ultravioleta e fatores emocionais frequentemente agravam a doença.

Para o tratamento, depende da fase clínica da doença. Todos os agravantes ou desencadeantes devem ser afastados ou controlados.

O tratamento se inicia com sabonetes adequados; protetor solar com elevada proteção contra UVA e UVB e com veículo adequado à pele do paciente; e uso de antimicrobianos tópicos ou sistêmicos.

Infecções fúngicas

As infecções fúngicas também são causas de eritema e descamação na pele, normalmente acompanhadas de prurido (coceira). Há alguns cuidados que podem ser adotados para prevenir a ocorrência dessas lesões.

A higiene é o primeiro passo. Principalmente nas áreas preferidas pelos fungos - como entre os dedos do pé e na virilha - é preciso manter a pele sempre seca, enxugando com cuidado após o banho. As unhas devem receber um cuidado especial, sendo mantidas sem traumas. É adequado evitar o uso prolongado de tênis ou de sapatos fechados. Não usar o mesmo calçado dois dias consecutivos (deixar arejando o sapato, de preferência no sol, por 24 horas), pois pode ocorrer recontaminação.


 

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