Saúde

Seiva de mãe

Estamos em uma semana dedicada ao incentivo do aleitamento materno; amamentar é fundamental para a saúde do bebê, principalmente nos primeiros seis meses de vida.

Tão importante quando uma gestação bem cuidada e um bom parto, a amamentação é a etapa em que mãe alimenta seu filho pela primeira vez fora do corpo.

Além de ser um ato de amor, sua principal importância é mesmo a saúde a longo prazo daquela vida que acabou de chegar ao mundo. Conforme a OMS (Organização Mundial da Saúde), amamentação em até uma hora após o nascimento protege o bebê de infecções e reduz a mortalidade infantil.

Outro dado importante, mas desanimador, é que apenas 38% das crianças recebem amamentação exclusiva até os seis meses.

Para incentivar a amamentação, de 1º a 7 de agosto celebra-se a Semana Mundial do Aleitamento Materno.

Para falar sobre o assunto, consultamos a Clínica Amare de Pediatria Especializada, para informar sobre os benefícios da amamentação.

 

Por que amamentar é tão importante?

Amamentar é fundamental para a saúde do bebê, sobretudo nos primeiros seis meses de vida, por ser um alimento completo. O leite materno possui tudo o que seu bebê precisa.

Nele, encontramos nutrientes, vitaminas, minerais, componentes para hidratação e fatores de proteção como anticorpos que não são encontrados em nenhum tipo de leite artificial.

A composição do leite materno pode ser diferente de uma mãe para outra. Isso porque ele se adapta as fases e necessidades de cada bebê. Na mesma mulher, o leite varia entre as mamas e até no decurso da mesma mamada.

No início ele é mais claro, mais aguado, visando matar a sede. Na fase intermediária, ele tem mais proteínas para seu o crescimento. Por fim, na terceira fase há predominância de gordura para o ganho de peso.

O leite materno reflete diretamente os sabores dos alimentos ingeridos pela mãe. A exposição a estes sabores parece ser um fator determinante na aceitação de alimentos após o desmame, levando a criança a preferir os sabores já conhecidos.

Além dos aspectos relacionados à sua composição, o leite materno oferece outros benefícios ao bebê e também a mãe como:

  • Está sempre pronto, na temperatura certa e não custa nada
  • Estimula o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê
  • Contribui para a recuperação do útero da mãe, diminuindo o risco de hemorragia e anemia após o parto
  • Ajuda a mãe reduzir o peso e a minimizar o risco de desenvolver câncer de mama e de ovário, doenças cardiovasculares e diabetes
  • É de fácil digestão para o bebê, provoca menos cólicas e a sucção colabora para o desenvolvimento da arcada dentária, da fala e da respiração
  • Alguns estudos sugerem que quanto mais tempo a criança é amamentada, melhor seu desenvolvimento cognitivo
  • O leite funciona como uma vacina natural – porém não substitui o calendário básico de vacinação – protegendo a criança contra doenças como anemia, alergias, infecções, obesidade e intolerância ao glúten

Amamentar significa proporcionar o melhor alimento que o seu filho pode ter.

 

Características do Leite Materno

Além das inúmeras vantagens para o bebê, a mãe, o meio ambiente e a economia mundial, o leite materno é adequado a todas as necessidades do bebê, devendo ser iniciada logo após o nascimento (primeira hora pós-parto).

A composição do leite materno varia de acordo com a fase da lactação, a hora do dia, tempo de mamada, nutrição materna e variação individual. As etapas da produção do leite materno são denominadas de: colostro, leite de transição e leite maduro.

Colostro: primeiro leite obtido pelo bebê. É rico em vitaminas e sais minerais. Possui anticorpos, promovendo proteção contra bactérias e vírus presentes no canal do nascimento e contra outros contatos humanos.

Leite de transição: fase da produção do leite de transição é de aproximadamente 7 a 10 dias pós-parto. Inclui altos níveis de gordura, lactose e vitaminas. Possui cor amarelada e apresenta mais calorias do que o colostro.

Leite maduro: produzido cerca de 2 semanas após o parto. Existe duas fase do leite maduro, o leite anterior, que é encontrado no início da mamada rico em água, vitaminas e proteínas; e o leite posterior, encontrado após a liberação do leite anterior, com maior nível de gordura, sendo essencial para saciedade do bebê e ganho de peso.

Todas estas etapas da produção do leite materno possuem seus benefícios e características, portanto esta variação é normal e reforça que não existe leite fraco.

O leite materno produzido pela mãe é específico para as necessidades do seu bebê e o melhor alimento que ela pode oferecer.

 

Quais fatores podem interferir na amamentação?

Embora toda mulher tenha a capacidade em amamentar, algumas apresentam dificuldades logo nas primeiras semanas de maternidade. Atraso na descida do leite, bebê que não suga direito, rachaduras nos mamilos: todos os problemas têm soluções.

Mas por que podem ocorrer essas dificuldades com relação à amamentação? Uma das respostas está na maneira como tem ocorrido o nascimento dos bebês.

Na natureza, todo filhote tem um comportamento programado e instintivo de buscar a mama por uma questão de sobrevivência. A mãe, por sua vez, responde de maneira instintiva de proteger e alimentar sua cria. No entanto, quando essa sequência natural é interrompida, a mãe rejeita a cria ou a cria fica confusa, não conseguindo sobreviver sem ajuda.

Em nosso meio, interferências são comuns, comprometendo o processo natural, dentre elas:

Anestesia e medicamentos - Em alguns casos, as mães estão “ressacadas” ou anestesiadas e, por consequência, os bebês estão pouco responsivos, dificultando o estado de alerta e a sucção.

Bebês e mães separados durante o nascimento -Separar a mãe do bebê durante o nascimento pode comprometer a relação. Estes bebês apresentam reflexos de sucção e busca por alimentos diminuídos ou atrasados.

Episiotomia - A episiotomia faz com que a mãe não tenha um posicionamento adequado para amamentar, além da dor.

Prematuridade - O bebê que nasce antes de estar preparado para o nascimento apresenta os reflexos de sucção diminuídos.

Longos períodos de indução do trabalho de parto - O trabalho de parto longo também comprometem o reflexo de sucção do bebê. Além disso, feitos mecânicos como retirada abrupta do bebê via cesárea, parto vaginal com fórceps ou vacuoextrator, podem lesionar nervos cranianos. Dentre eles o hipoglosso, nervo que controla o movimento da língua, muito importante do processo de sucção.

A aspiração de vias aéreas também deve ser feita com cuidado, pois pode provocar aversão oral, comprometimento da orofaringe e alterações sensoriais.

É claro que em algumas situações as intervenções se fazem necessárias para se prevenir ou evitar complicações para o bebê e/ou para a mãe. Mas ter sempre em mente que grande parte das intervenções podem afetar a amamentação permite que as mães entendam que é necessário paciência e persistência, além de orientações e manejo adequado.

 

Consultoria em Amamentação

A consultoria em amamentação é um atendimento oferecido por profissionais qualificados para auxiliar mãe e bebê no Aleitamento Materno. Envolve orientações e condutas relacionadas à postura da mãe, posicionamento, pega e sucção do bebê, ordenha e cuidados com a mama.

O atendimento pode iniciar a qualquer momento, tanto durante a gestação, período que podem ser esclarecidas as primeiras dúvidas, quanto na maternidade onde as primeiras dificuldades podem surgir.

A prolactina, que é o hormônio responsável pela produção de leite, tem seus níveis regulados pelo estímulo de sucção através da pega adequada e da frequência das mamadas. No entanto, a ocitocina, hormônio responsável pela ejeção de leite, é influenciada por fatores emocionais maternos. Ou seja, ela aumenta em situações de autoconfiança e pode diminuir em momentos de ansiedade e insegurança.

Por conseguinte, é fundamental que a mãe receba apoio, orientações e soluções adequadas diante das dificuldades.

Sinais de possíveis dificuldades com a amamentação

Com a mãe: Sentir-se mal e deprimida, tensa ou desconfortável e sem contato visual com o bebê.

Com o bebê: Criança parece estar sonolenta ou doente, impaciente, chorando e não procura o peito.

Nas mamas: Mamas vermelhas, inchadas, feridas, mamilos doloridos ou mama apoiada com os dedos na aréola.

Posição do Bebê: Bebê com o pescoço e/ou tronco torcidos, longe da mãe, apoiado somente nas costas ou na cabeça.

Pega do bebê: mais aréola abaixo da boca do bebê, criança com a boca pouco aberta, lábios para frente ou para dentro e quando o queixo do bebê não toca a mama.

Sucção: sugadas rápidas, com esforço da bochecha durante a mamada, mãe sem sinais de reflexo da ocitocina ou tirando o bebê do peito.

O benefício de você ter uma orientação mais segura é o sucesso na amamentação.

 

A importância da pega correta do bebê na amamentação

A pega do bebê, ou seja, como o bebê abocanha a mama é muito importante na amamentação. Se a pega do bebê estiver errada, ele não conseguirá extrair de maneira eficiente o leite materno podendo acarretar problemas como dor ao amamentar, trauma/fissura nos mamilos, ingurgitamento até mastite; diminuição da produção do leite Baixo ganho de peso do bebê; bebê irritado e que mama mais frequentemente.

Assim, ajustar a pega, que significa corrigir a maneira como bebê abocanha a mama auxilia muito no processo de amamentação e na redução dos problemas.

Para iniciar, é importante o bom posicionamento da mãe e do bebê durante a amamentação. Há diferentes posições. A melhor posição é aquela em que mãe e bebê estão confortáveis. O importante é que o corpo e a cabeça do bebê estejam alinhados, de modo que a criança não necessite virar a cabeça para pegar a mama.

Antes de iniciar a pega, a mãe deve palpar a aréola. Se esta estiver dura (túrgida), ela deve ordenhar um pouco de leite para facilitar a pega. Se a mulher tiver mamas muito volumosas, pode pressionar a mama contra o tronco, segurando-a e erguendo-a com a mão oposta (mama direita/mão esquerda), colocando os quatro dedos juntos por baixo da mama e o polegar acima da aréola pega da mama em ”C”.

Realizar o reflexo de procura do bebê, passando um pouco de leite nos mamilos e estimular a região dos lábios, nariz ou bochechas do bebê, que deve ser levado a mãe, não a mãe ao bebê. O bebê deve abocanhar boa parte da aréola e não apenas o mamilo.

 

Características de uma pega perfeita:

  • Queixo do bebê encostado na mama
  • Lábios do bebê virados para fora
  • Bochechas arredondadas, não pode apresentar covinhas ou fazer barulhos (estalos)
  • É possível ver e ouvir a deglutição
  • Ao terminar a amamentação, os mamilos devem estar íntegros e arredondados (não achatados).

Assim, a pega correta é essencial para uma amamentação bem sucedida. A maioria das mulheres são capazes de amamentar seus filhos. Embora seja comum acontecer algumas dificuldades no início da lactação, com o apoio familiar e a orientação de um profissional capacitado, elas poderão ser superadas.


Patrícia de O. Furukawa é enfermeira. Coren/PR: 118748 - Joeci Coelho é enfermeira - COREN/PR: 80226


 

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