Pato Branco

Sede Gavião recebe asfalto em Pato Branco

A estrada municipal, que tem o nome do agricultor Belmiro Caldatto, foi contemplada em mais de 8,55 quilômetros
O sexto trecho contemplado, dentro do programa “Asfalto no campo”, foi inaugurado na noite de ontem (Foto: Helmuth Kühl)

O sexto trecho de pavimentação asfáltica no interior de Pato Branco, dentro do programa “Asfalto no campo”, foi inaugurado na noite de quinta-feira (14), na comunidade de Sede Gavião, a cerca de 20 quilômetros da área central do Município.

Ao todo, foram pavimentados 8,55 quilômetros nesse trecho, denominado como Estrada Municipal Belmiro Caldatto. Somente nesta obra, os investimentos ultrapassam R$ 4,6 milhões, sendo mais de R$ 2,8 milhões oriundos do Governo do Estado e cerca de R$ 1,8 milhão, com recursos próprios do Município.

De acordo com o secretário de Agricultura, Clodomir Luiz Ascari, nessa região cerca de 1.000 pessoas estão sendo beneficiadas com o programa. Isso porque, além de Sede Gavião, são contemplados os agricultores e moradores das comunidades de Vila Bonita, Rio Gavião, Sede Dom Carlos, Linha Esperança, Santo Agostinho e Linha Caprini.

“Antes esse trecho possuía pavimentação com pedras irregulares (calçamento). E essa obra que estamos inaugurando foi feita em cima, sem retirar as pedras, colocando 20 centímetros de material chamado brita graduada e fazemos a compactação, para dar uma boa base e sustentação; e depois foi colocada camada asfáltica em cima”, explica.

Ele acrescenta que, antes de ser realizada a obra, foi feita a limpeza lateral para drenar as águas; aplicando essa camada do asfalto, utilizando a base do calçamento ter a capacidade, sobretudo, de suportar o peso de caminhões que transportam a produção.

“A ideia é proporcionar a melhora da qualidade de vida dos agricultores, buscando evitar o êxodo rural, que existe hoje no Brasil. E programas como o ‘Asfalto no campo’ fazem com que as pessoas tenham gosto de ficar em suas propriedades — inclusive os filhos voltarem —, e continuem produzindo os alimentos também para a cidade”.

Ainda, conforme Ascari, o Município já tem projetos que vão contemplar outras regiões da área rural, dentro do programa. “Não há uma ordem correta, porque depende dos recursos que estamos buscando, mas as comunidades que devem receber asfalto são: Fazenda da Barra, São Braz, Bela Vista, Três Pontes, continuidade da Independência até Teolândia, e entre São João Batista até o rio Pato Branco. Esses trechos há a intenção de ser feito asfalto, e os projetos estão sendo encaminhados para isso”, informou, lembrando que as comunidades até o momento contempladas foram escolhidas conforme o estado da via e a quantidade de fluxo de usuários.

Benefício

A iniciativa, que começou em 2014, até o momento entregou estradas pavimentadas com asfalto às comunidades de Independência, Nossa Senhora do Carmo, Passo da Ilha, São João Batista, Sede Dom Carlos e, agora, Sede Gavião. Somando as localidades no entorno dessas regiões, ao todo 19 comunidades do interior de Pato Branco já foram contempladas.

Dentro do “Asfalto no campo”, mais de 41 quilômetros já receberam asfalto, com investimentos superiores a R$ 17,8 milhões, entre recursos do Município, do Governo do Estado e do Governo Federal.

Para o prefeito de Pato Branco, Augustinho Zucchi, a criação do programa foi uma iniciativa inédita na cidade, cujo planejamento busca impulsionar o desenvolvimento rural e também valorizar as famílias agricultoras.

“Em se tratando da agricultura, uma estrada de qualidade é uma condição essencial para fomentar a produção, para o escoamento, além de representar valorização, pois só quem vive da agricultura sabe o que significa poder trafegar por uma estrada de qualidade, com segurança e comodidade”.

Ele conta que a prefeitura continuará trabalhando para viabilizar novas etapas do “Asfalto no campo”, pois a ligação das principais comunidades rurais do município, por meio da pavimentação asfáltica, é uma das metas do plano de governo da Administração Municipal.

“Além de contribuirmos para o desenvolvimento das comunidades rurais, demonstramos o respeito e o reconhecimento para com os produtores. Isso beneficia as famílias agricultoras em muitos aspectos, o que acaba refletindo, de forma direta, na vida de quem reside na área urbana. Por isso, seguiremos trabalhando para que Pato Branco permaneça referência em mais este aspecto”, destaca Zucchi.

Limites

O prefeito de Pato Branco alerta sobre o excesso de velocidade em alguns trechos asfaltados no interior, bem como sobre o limite de carga transportada nessas vias, cujo peso bruto total não deve ser acima de sete toneladas por eixo. Para o prefeito, essa postura implica na segurança dos motoristas e também reflete na conservação das estradas rurais.

“Temos um decreto municipal para garantir a aplicação da lei em casos de excesso de carga e mantemos a fiscalização, por meio do Departamento Municipal de Trânsito de Pato Branco (Depatran), quanto ao limite de velocidade nessas vias. Mas, precisamos sensibilizar a população quanto a isso, para que os benefícios dessas obras representem o desenvolvimento e a qualidade de vida que tanto primamos e trabalhamos diuturnamente para conquistar”, completa.

Denominação

Natural de Sananduva (RS), em 1º de abril de 1926, Belmiro Caldatto e sua família se mudaram para Pato Branco, em 1948, residindo onde hoje é a Sede Gavião. O agricultor faleceu aos 65 anos, vítima de AVC, em 25 de dezembro de 1991.

Na inauguração, familiares de Belmiro prestigiaram o evento. Um deles, Oradi Caldatto, filho do homenageado e presidente do Sindicato Rural de Pato Branco. Ele conta que a estrada recebeu a denominação em 1994.

“A iniciativa de denominação foi do vereador Cláudio Bonatto, meu colega de Câmara, na gestão 1992/1996. Em 15 de setembro de 1994, eu era presidente da Câmara e precisei me abster em votar. Mas foi aprovado por unanimidade. Uma homenagem justa, por alguém que lutou, contribuiu gratuitamente, muitas vezes enfrentando o perigo. Então essa lei é de número 1.322, de 1994, sancionada pelo então prefeito Delvino Longhi”, declara emocionado.

Oradi lembra que seu pai teve envolvimento político muito grande em Pato Branco. “Na gestão do segundo prefeito de Pato Branco (na década de 1960), Harri Valdir Graeff, meu pai foi nomeado inspetor de quarteirão — atuando numa determinada área no município, com autorização do delegado da época — para apaziguar pequenos conflitos, promover audiência, e prender [se fosse o caso], com o apoio do delegado. E isso era feito de forma voluntária. Meu pai fez isso durante mais de uma década”.

Além disso, conforme Oradi, “seu pai teve influência, também junto ao prefeito Graeff, solicitando a autorização para construir uma escolinha. Haja vista que já existia necessidade e a prefeitura não tinha condições de construir escolas. Então o prefeito autorizou, algumas pessoas doaram as madeiras, e construíram também com suas próprias mãos a Escola São Braz de Sede Gavião, a qual eu também fui alfabetizado”.

Em relação ao asfalto, que inclusive dá acesso também a sua propriedade, Oradi agradece ao prefeito Augustinho Zucchi. “Pleiteamos essa obra junto à Administração Municipal, e houve uma determinação do prefeito, um homem muito ligado ao campo, de agraciar essas comunidades. Está de parabéns o prefeito Zucchi, por ter realizado essa importante obra, que eleva a estima das pessoas, aumenta a segurança, valoriza os imóveis e promove uma verdadeira e salutar integração entre o campo e a cidade”, declara, completando: “Isso tem feito inclusive com que agricultores, que já saíram do interior, manifestem o seu interesse em voltar para sua propriedade, e outros em buscar um cantinho para se instalar e passar os seus fins de semana”.

 

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