Pato Branco

Saúde vacina 250 pessoas após contato com paciente com suspeita de sarampo

Pato Branco segue o calendário nacional de vacinação (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

No fim da tarde de sexta-feira (9), a Secretaria Municipal de Saúde de Pato Branco convocou todas as pessoas que passaram pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA), nos dias 6 e 7 de agosto, para que comparecessem, no sábado (10), à sede da Vigilância Epidemiológica.

A convocação ocorreu devido a um caso suspeito de sarampo, atendido na UPA nesse período, que gerou situação de alerta em decorrência do perigo de contágio da doença.

De acordo com a enfermeira Franciele Palavicini, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica, 392 pessoas eram aguardadas na unidade de saúde para receber a vacina e orientações. No entanto, com o auxílio de busca ativa através de ligações telefônicas e com o comunicado divulgado pela Prefeitura, cerca de 200 compareceram à Epidemiologia, no sábado.

Franciele explicou que a partir do momento que a UPA comunicou o caso suspeito, a paciente foi isolada dos demais pacientes e a equipe da vigilância se deslocou até a unidade para realizar o bloqueio vacinal nas pessoas que lá estavam. “Ao todo, entre sexta-feira e sábado, vacinamos aproximadamente 250 pessoas que haviam passado pela UPA nos mesmos dias e horários que a paciente”, revelou.

Ela explicou que os órgãos de saúde estão em alerta devido a esse caso suspeito, mas que não há motivos para pânico. “A saúde do Brasil, como um todo, está em alerta em relação ao sarampo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de casos registrados de sarampo nesse 1º semestre de 2019 é o maior em 13 anos; no Paraná havia 20 anos que não se registravam casos”, lembrou.

Confirmação

Sobre o encaminhamento de exames para o Lacen-PR [laboratório de referência no Estado], para confirmar ou descartar a suspeita de sarampo, Franciele disse que o caso está sendo investigado e acompanhado pelo município de origem da paciente. “Não temos informação de quando foi realizado o exame, nem data do resultado, até o momento”.

Isso porque a paciente não é residente em Pato Branco. É uma mulher jovem, de 25 anos, de São Jorge do Oeste, município que pertence à microrregião de Francisco Beltrão. Por isso o caso está sob responsabilidade da 8ª Regional de Saúde e não da 7ª Regional, de Pato Branco. “Após atendimento na UPA, na sexta-feira (9), ela foi orientada a retornar para seu município para acompanhamento”.

Quem deve tomar a vacina?

Franciele frisou que Pato Branco segue o calendário nacional de vacinação. “A vacina utilizada é a Tríplice Viral [contra sarampo, caxumba e rubéola]. A vacinação inicia-se com um ano de idade e as pessoas até 29 anos precisam ter duas doses da vacina para se considerarem imune. A partir dos 30 anos, apenas uma dose é suficiente. A única exceção são os profissionais de saúde: independente da idade precisam ter duas doses da vacina. Todas as unidades de saúde do município possuem a vacina durante todo o ano. Na sala de vacinas da Unidade Central de Saúde o horário é das 7h às 17h30, sem intervalo para o almoço; e nas demais Unidades Básicas de Saúde, das 8h às 11h15 e das 13h às 16h45.

Perigo

A enfermeira explicou que o sarampo é uma doença viral, extremamente contagiosa, pois é transmitida de pessoa para pessoa através de gotículas do sistema respiratório ao tossir, espirrar e falar.

Causa sintomas como febre alta, exantema [a pele fica avermelhada como um todo e não em forma de manchas, feridas ou bolhas] acompanhadas de um sintoma respiratório – tosse, coriza e conjuntivite. “A gravidade do sarampo é devido as possíveis complicações que pode causar, como pneumonias e encefalites, que podem levar a óbito, principalmente crianças menores de um ano”, frisou.

Efeito movimentos antivacina

Um dos motivos que estão fazendo com que doenças antes erradicadas, como o sarampo, voltem a contaminar a população, segundo Franciele, certamente são os movimentos antivacina cada vez em maior número, em todo o país, na sociedade atual.

“Observou-se nos últimos anos que a cobertura vacinal [número de pessoas vacinadas] vem diminuindo a cada ano, pois as pessoas passaram a acreditar em informações falsas de que ‘as vacinas fazem mal’, ‘as vacinas causam muitas reações ruins nas crianças’, ou então ‘não precisa fazer vacina pois essas doenças nem existem mais’. Isso contribuiu para a volta dessas doenças que estavam controladas, pois a população estava em sua grande maioria vacinada e agora não estão mais”, alertou.

Nota da 7ªRS

Ainda no sábado (9), o diretor da 7ª Regional de Saúde de Pato Branco, Anderson Nesello, divulgou uma nota informando a população. “Devido ao caso suspeito de sarampo em nossa cidade, a 7ª RS vem informar que todas as medidas preventivas foram e estão sendo tomadas adequadamente para a devida proteção de toda a população. Cabe ressaltar que a pessoa que apresentou tal quadro clínico suspeito, não é moradora de nosso município e se encontra medicada, sob os cuidados em sua origem pelos responsáveis daquela Regional de Saúde.
Sendo assim, solicitamos a atenção de todos e novamente reforçamos a necessidade da correta vacinação. As dúvidas pertinentes quanto da possível falta de uma ou outra vacina não executada, poderão ser esclarecidas junto às Unidades Básicas de Saúde de sua localidade. Infelizmente se constatou que neste caso não estava devidamente vacinada”.

Primeiro caso no Paraná

Na última quarta-feira (7), a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) informou que os exames para comprovação do vírus de sarampo confirmaram que uma moradora da região metropolitana de Curitiba está com a doença. A paciente de 41 anos viajou em julho para São Paulo, cidade que está com mais de 900 casos confirmados da doença.

Depois de 20 anos, o primeiro caso de sarampo foi confirmado no Paraná, após a realização dos exames. A paciente, moradora de Campina Grande do Sul, está em isolamento e os procedimentos de bloqueio vacinal seletivo nas pessoas que tiveram contato com ela foram realizados.

O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, alertou para a prevenção da doença. “Eu, como profissional médico, me preocupo com os cuidados à saúde e especialmente com a prevenção. O sarampo já estava extinto em nosso Estado e não podemos deixar que contamine mais pessoas por aqui e a doença volte a atingir grande número de paranaenses. Por isso peço que as pessoas sigam rigorosamente o calendário de vacinação indicado pelo Ministério de Saúde”.

A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, Maria Goretti David Lopes, explicou que é possível bloquear a contaminação pelo vírus. “Como temos essa primeira confirmação de caso importado de São Paulo, o que devemos fazer é atualizar as carteiras de vacinação para quem ainda não está imunizado. Esta é a melhor forma de controlar o vírus e não deixar que ele avance no Estado”. Além dessa confirmação a Sesa acompanha outros dois casos de pessoas com suspeita de sarampo.

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