Pato Branco

Saúde cria vídeo alertando sobre a importância da vacinação

Apenas o grupo dos idosos superou a meta preconizada pelo Ministério da Saúde, prevista na Campanha Nacional de Vacinação deste ano
["Adolescentes e jovens sob medidas socioeducativas tamb\u00e9m recebem a vacina contra a gripe","",""] (Foto: Helmuth Kühl)

Os baixos índices de vacinação registrados em Pato Branco, nos últimos tempos, principalmente entre crianças e adolescentes, vêm preocupando a área da Saúde. Para alertar sobre a importância da imunização, a Secretaria Municipal de Saúde produziu um vídeo sobre o assunto e compartilhou nas redes sociais, nesse período da Campanha Nacional de Vacinação contra o vírus da gripe, que termina em 31 de maio.

A enfermeira Mayara Lazzarini Tocchetto, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica, divulgou nessa quarta-feira (22) que a cobertura geral é de 81,19%, ou seja, foram aplicadas 17.729 doses. Dentre elas, 72,45% em crianças, 59,88% em trabalhadores de saúde, 76,82% em gestantes, 89,38% em puérperas, 81,51% em professores, 53,54% em pessoas com comorbidades e 104,86% em idosos.

O promotor de Justiça da Vara da Infância e Juventude de Pato Branco, Raphael Adalberto Soares, também participou do vídeo, destacando a importância da vacinação e lembrando que há punição para os pais que não vacinarem seus filhos.

“A escolha de produzir o vídeo foi feita, principalmente, para chamar a atenção dos pais, já que o maior problema é a baixa imunização entre as crianças. A obrigatoriedade da vacina está na lei e quem não cumprir poderá ser punido. Por isso temos a fala do promotor, alertando sobre essa questão”, comentou Mayara.

No vídeo, o promotor disse que “a obrigação dos pais em relação à saúde dos filhos, no que diz respeito à prevenção, não é apenas na administração de medicamentos após instalada a doença. A prevenção é financeiramente melhor, mais econômica para o Estado. Então, não à toa, a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) responsabilizam os pais que não buscam cuidar dos filhos e administrar as vacinas previstas no calendário oficial. As penalidades vão desde uma simples multa a ser paga no Fórum até mesmo, em casos mais graves, a perda do poder familiar em relação a esses filhos”.

Grupos

Segundo Mayara, o grupo dos idosos não é problema, porque geralmente supera as expectativas. A imunização ultrapassou os 100% dessa população. Atingiu 104,86% ao vacinar todos os idosos previstos e outros que, por exemplo, alcançaram a faixa etária durante a campanha.

No entanto, a baixa vacinação atinge todos os demais grupos preconizados pelo Ministério da Saúde (MS), inclusive o dos trabalhadores da saúde, que, por tese, pelo fato de atuar na área e entender a necessidade das vacinas, deveria ser o primeiro a buscar a imunização.

“Nesse ano, o grupo portador de doenças crônicas (comorbidades) está muito abaixo do esperado. Gestantes e puérperas também não está como gostaríamos”, comentou.

Movimentos antivacina

Sobre movimentos antivacina em Pato Branco, Mayara disse que acredita que possam existir. “As pessoas estão tendo acesso a informações falsas de que as vacinas fazem mal à saúde e acabam não vacinando, sem que haja comprovação científica”, destacou a chefe da Epidemiologia, ressaltando que deixar de vacinar uma criança, por exemplo, é muito prejudicial.

“Também existe distorção da informação. Por exemplo, quando um pediatra diz que em determinado caso o problema que aconteceu pode ter sido causado pela vacina, alguém comenta com outra pessoa, que acaba concluindo que a vacina faz mal, sem saber exatamente do que se trata. A informação destorcida se espalha e as pessoas não querem mais vacinar pelo que aconteceu. As pessoas estão culpando as vacinas por tudo que acontece, mas não estão culpando a volta das doenças, como o sarampo e a febre amarela”, ressaltou Mayara, destacando que é preciso ficar atento para essas situações.

 

Mesmo com campanha de vacinação, aumentam os casos de gripe

A campanha de vacinação contra a gripe no Paraná mostra que 69,19% do público-alvo foi imunizado. Mesmo assim, os casos da doença seguem em alta. Boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informa que aumentou o número de casos confirmados e de mortes provocados pela gripe: são 109 casos, com 31 mortes. Na semana anterior o boletim apresentava 74 casos graves confirmados de Influenza com 22 óbitos em todo o Estado.

A Sesa insiste sobre a importância da vacinação contra a gripe. “A aproximação do inverno provoca aumento do número de casos e por isso reforçamos a necessidade de que o público-alvo estabelecido pelo Ministério da Saúde (MS) receba a dose da vacina que está à disposição em todas as unidades de saúde do Estado”, afirmou a enfermeira da Divisão de Vigilância do Programa de Imunização, Vera Rita da Maia.

Vera destacou ainda que a vacina contra gripe é segura e reduz as complicações que podem evoluir para casos graves da doença, internações e óbitos.

A campanha nacional de vacinação contra a gripe começou no dia 10 de abril e segue até o dia 31 de maio. A meta do MS é imunizar 90% dos grupos de crianças com idade entre seis meses e cinco anos incompletos; gestantes; puérperas; idosos, povos indígenas, professores, trabalhadores da saúde, portadores de doenças crônicas não transmissíveis, população privada de liberdade, adolescentes e jovens de 12 a 20 anos sob medidas socioeducativas, funcionários do sistema prisional e policiais civis e militares. (AEN)

 

Classificados