Pato Branco

Revolta dos Posseiros nas correspondências de todo o país

Selo comemorativo dos 60 anos foi lançado nesta quinta-feira (10), em cerimônia especial na Câmara de Vereadores de Pato Branco
Selo comemorativa dos Correios dos 60 anos da Revolta dos Posseiros (Foto: Divulgação )

Desde ontem, dia 10, as correspondências de todo o país vão contar a história da Revolta dos Posseiros. O levante de 1957 completa 60 anos em 2017, ficará marcado por meio de um selo comemorativo dos Correios, lançado oficialmente na noite desta quinta-feira, na Câmara de Vereadores de Pato Branco.

Presidente da Alap, Neri Bocchese, com o superintendente regional dos Correios do Paraná, Paulo Cézar Kremer dos Santos, no lançamento do selo comemorativo da Revolta dos Posseiros

O principal objetivo do selo comemorativo é valorizar os posseiros, que lutaram pelas terras do Sudoeste em 1957. Naquela época, a região foi palco de intenso conflito, envolvendo posseiros, companhias colonizadoras e o poder público. Os posseiros saíram vitoriosos e tiveram suas posses regularizadas e tituladas a partir de 1962, pelo presidente João Goulart.

De acordo com o superintendente regional dos Correios do Paraná, Paulo Cezer Kremer dos Santos, por meio dos selos é possível registrar uma boa parte da história. São eles que eternizam momentos na vida da população, que merecem ser valorizados, salientou.

Após o lançamento oficial, segundo o superintendente, os selos da Revolta dos Posseiros já podem ser utilizados por todos àquele que tiverem interesse. “Foi adquirida uma boa quantidade de selos, e pode ser usado para qualquer lugar do país, é um selo nacional. Acredito que leva a história de Pato Branco e do Sudoeste”. Mas é bom que os colecionadores ou apaixonados pela história da região fiquem atentos: se trata de uma edição limitada, sendo assim, é importante que seja procurado o mais rápido possível.

Selo comemorativo da Revolta dos Posseiros 

Neri França Fornari Bocchese, presidente da Alap (Academia de Letras e Artes de Pato Branco), disse que a revolta é “ímpar para o município”. Declarou que este é o único movimento no Brasil bem sucedido de reforma agrária. “O povo se levantou, disse um basta às desmandas do governo e corrupção, e diria que hoje, está quase precisando outro levante de 1957 em nossa Pátria. O principal trabalho da Alap em 2017 é alusivo à Revolta dos Posseiros, aos 60 anos e o lançamento do selo.”

Na ocasião, além do lançamento do selo foi entregue à presidente a medalha de Honra ao Mérito, concedida pelo vereador Vilmar Maccari, por meio do decreto legislativo nº2, de 1º de março de 2012. Para o vereador, há mais de 50 anos, professora Neri leciona em Pato Branco, e na maioria das vezes, como voluntária na área da educação.

“A Neri é a presidente da Alap e neste evento, conseguimos unir o útil ao agradável, que é homenageá-la justamente durante o lançamento do selo. Se trata de um grandioso evento, porque ela dirige uma academia tão importante, diretamente envolvida na preservação da história e da cultura.”

 

História viva

No auditório da Câmara, além de autoridades, lideranças do município e representantes da academia, também prestigiaram o lançamento do selo pessoas que viveram a revolta de 57.

Na plateia, se reencontraram os amigos Alberto Pozza, Jácomo Trento - o conhecido Porto Alegre -, e seu Pedro Cordeiro de Andrade, o Pedrinho, que no auge de seus 92 anos admirava a foto registrada na época, em frente ao extingo Banco do Estado do Paraná. “Eu sou este, o baixinho. Sou o único que está vivo.”

Apesar da idade avançada, seu Pedrinho se lembra do que fazia em frente ao banco, durante o período da revolta. “Eu e os colegas ficamos guarnecendo o banco. Fique lá com os amigos para tomar conta, evitando que os grileiros chegassem para assaltar. Tivemos sorte. Naquele dia, eles não vieram.”

Para o senhor, a homenagem feita pela Alap, especialmente o selo comemorativo, tem grande significado. “Hoje, com a idade que eu estou e poder contar e mostrar o que fiz é gratificante. Passa na minha cabeça uma grande felicidade. Será um prazer contar o que recordo daquela época, um prazer para mim.”