Pato Branco

Projetos auxiliam mães a lidar com emoções

Mães dançando com seus bebês durante encontro com fisioterapeutas no Largo da Liberdade (Foto: Elisa Rohweder)

Na segunda-feira (9), algumas gestantes e mães com seus bebês recém-nascidos se reuniram no Largo da Liberdade, em Pato Branco, para participar de um momento de descontração e aprendizagem.

O encontro, que faz parte do projeto “Mamãe Ativa”, realizado por acadêmicos de Fisioterapia, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, vem ocorrendo nas segundas e quartas-feiras, às 16h, no Largo da Liberdade.

Segundo a professora responsável pelas atividades do grupo, Luciele Greibim Tonial, o projeto busca oferecer às mães um momento para que consigam entender como funciona seu corpo e se sintam bem. “Trabalhamos atividades físicas para proporcionar o bem-estar da mamãe e do bebê. Ensinamos a realizar exercícios de fortalecimento, alongamento e relaxamento”, explica a fisioterapeuta.

De acordo com Luciele, as atividades também servem para que as mães tenham um momento só para elas. “No período do puerpério (pós-parto) há muita alteração hormonal que acaba levando, em alguns casos, a depressão pós-parto. Por isso, esses encontros têm o objetivo possibilitar que as mulheres cuidem de sua saúde mental e física”.

O grupo, que conta atualmente com dez mulheres, é gratuito e aberto para gestantes e mamães com bebês recém-nascidos. Para participar das atividades basta ir em um dos encontros e se inscrever.

Todas juntas nessa luta

Além do Mamãe Ativa, outros projetos vêm sendo realizados na busca pela luta contra a depressão pós-parto e outros sintomas decorrentes da gravidez, como ansiedade e desmotivação.

Desde março deste ano, existe em Pato Branco o grupo Gestantes do Amor, que vem organizando debates e rodas de conversas, com gestantes e mães que acabaram de ter seus filhos, para ajudá-las nesse momento tão importante em suas vidas.

“Tivemos a ideia de montar um projeto com gestantes pensando na escassez de profissionais que atendem esse público, já que a gestação e puerpério são duas das fases de maiores mudanças na vida de uma mulher e precisam de uma rede de profissionais dispostos a ouvir suas angústias, medos, tristezas, dúvidas e também as alegrias”, explica uma das psicólogas do grupo, Ana Caroline Felske.

Buscando promover a saúde mental em gestantes e mães com seus bebês recém-nascidos, as rodas de conversas servem para a troca de experiências e informações entre as mulheres. “Com os encontros podemos proporcionar à comunidade informações relevantes sobre o momento que aquela gestante está passando, além de acolhimento e uma escuta qualificada”, conta Jéssica Yohana Griebler, psicóloga do Gestantes do Amor.

As psicólogas explicam que os encontros também servem para mostrar à sociedade a dimensão das mudanças emocionais que a mulher passa. “Mudanças físicas são visíveis, porém as emocionais, muitas vezes, são guardadas somente para elas, o que acaba gerando sentimentos desagradáveis”.

Os temas debatidos nos encontros são sobre saúde mental na maternidade, violência obstétrica, educação sexual para crianças e desenvolvimento infantil. “É muito importante cuidar da saúde mental desde o início da gestação. A ansiedade faz parte da vida e também da gestação, mas existe diferença entre o que é saudável e o que é prejudicial. Questões emocionais durante a gestação, como ansiedade, estresse e depressão, influenciam diretamente na relação com o bebê e também no seu desenvolvimento”, explica Ana.

As psicólogas acrescentam que cerca de 60% das mulheres sofrem com ansiedade, 50% demonstram estresse, mais de 85% passam por labilidade emocional no puerpério e mais de 25% desenvolvem depressão pós-parto. “É importante que a sociedade conheça sobre isso e possa ter um cuidado especializado para vivenciar da melhor maneira a gestação”, pontua.

Para as mães interessadas em participar dos encontros, o contato com o grupo pode ser feito no Instagram @gestantesdoamor e Facebook “Gestantes do Amor”.

Dança como terapia

Com início em 2019, o projeto Ciranda com Afeto busca, além de um momento de dança entre a mãe e o bebê, ter um espaço pra compartilhar dores, angústias e alegrias dessa nova fase.

Segundo a organizadora e professora do grupo de mães, Priscila Hackbart França, as aulas são uma oportunidade para que as mães saibam o que outras mulheres, na mesma situação que a sua, também estão experimentando. Buscamos fazer com que seja um lugar onde elas se sintam acolhidas e não julgadas por suas escolhas”, conta.

De acordo com a professora, os encontros, que permitem às mães dançar com seus bebês no colo durante toda a aula, é um retorno a vida social e a uma atividade física leve. “O dançar com seu bebê juntinho é um exercício de conexão, de presença com seu bebê e de criação de vínculos”, explica.

Mulheres com 30 dias de pós-parto natural e 40 após a cesariana já podem participar da dança. "É preciso ter um carregador, mas no começo tenho para emprestar e nas aulas aprende a usar também", finaliza.

*Estagiária escreve sob supervisão de Marcilei Rossi.

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