Pato Branco

Projeto cria horta comunitária no Colégio Estadual Carlos Gomes

Um terreno com mato, no fundo da instituição, se tornou a horta comunitária de estudantes e professores. O projeto multidisciplinar visa melhorar a qualidade da merenda e promover a integração social de crianças e adolescentes
Colégio de Pato Branco investe em projeto de horta comunitária (Foto: Helmuth Kühl)

Nos fundos do Colégio Estadual Carlos Gomes, no bairro Santo Antônio, em Pato Branco, havia um terreno sem uso. Estava lá, tomado pelo mato. Graças à iniciativa da direção, de professores e dos próprios alunos, a realidade é outra. Há cerca de dois meses, o pequeno terreno tem ganhado a forma e vida. Com apoio do diretor, a professora de Geografia Mari Luci da Fonseca e o colega, Roberto Pocai, professor de História, resolveram colocar a mão na terra e criar uma horta comunitária.

Colégio de Pato Branco investe em projeto de horta comunitária

“Pensamos em utilizar este ambiente, antes em desuso, para melhorar a qualidade da merenda, e ainda ensinar aos alunos que em qualquer espaço em suas residências eles podem produzir seu próprio alimento, sem uso de defensivos e agrotóxicos”, salientou professora Mari Luci, alegando que o projeto vem somar com ainda com a melhoria da qualidade da merenda servida na instituição.

O modelo da horta, em formato de mandala (circular), tem vantagens em relação ao modelo tradicional, como, por exemplo, o fácil manejo, a economia no uso de água e a possibilidade de maior produção em relação ao espaço ocupado. Universalmente, a mandala é o símbolo da totalidade, da integração e da harmonia, outros objetivos envolvidos no projeto.

Segundo professora Mari Luci, para iniciar a horta foi preciso limpar o terreno e aguardar o processo. Agora, há outra dificuldade: a falta de chuva. Mas aos poucos, o verde tem ganhado força.

A tarefa dos alunos é trazer mudas de legumes e verduras para a horta. “Eles conseguem com as mães, avós e vizinhas. Já plantamos muita cebolinha, plantas medicinais como manjerona, funcho e alecrim. Também há mudas de hortelã, boldo, alface, beterraba, repolho, couve-flor e cenoura – aliás, esses dois últimos itens estão entre os preferidos pelos estudantes na merenda”, contou a professora. A princípio, participam do projeto alunos do 3º e 2º ano do ensino médio e do 7º ano do fundamental.

Dentro do ambiente escolar, quando se fala em horta comunitária, não se resume compreender o processo de plantar e colher. Segundo Mari Luci, o projeto é multidisciplinar. “Tudo que eles aprendem aqui na horta levam para aplicar nas disciplinas de Ciências, História, Geografia. Na Matemática, por exemplo, eles irão trabalhar o tamanho da área da horta, com a medição dos canteiros. Estou muito feliz com o resultado.”


Hortas pela cidade

Em dois terrenos baldios de Pato Branco, as hortas comunitárias ganharam forma: no bairro Jardim das Américas e La Salle. O projeto conseguiu atingir o objetivo, mas precisou ser interrompido. “Os trabalhos foram encerrados porque os proprietários solicitaram a área de volta para investir em construções. Isso, aliás, já estava previsto”, lembrou Roberto Pocai.

Na escola Carlos Gomes, a horta já resolveu o primeiro problema: dar uma função ao terreno, antes tomado pelo matagal, e conforme Pocai, num curto espaço de tempo, irá melhorar a qualidade da merenda. Na cidade, já há convites para instalar novas hortas comunitárias, porém, é preciso engajamento da população.

“A participação foi positiva nas hortas já existentes, e conseguimos vencer a demanda até onde foi possível. Mas, sem dúvida, se tivesse uma participação maior seria algo mais revolucionário: poderíamos ter um terreno em cada bairro da cidade servindo de horta comunitária. Essa é nossa vontade ainda e aos poucos iremos conquistando.”

Ainda é cedo para perceber o crescimento das mudas, mas pelas palavras de Vinicius, 11 anos, estudante do 7º ano, o projeto já alcançou o objetivo. “Eu gostei muito porque melhora o nosso lanche. Na sala ficamos muito trancados, e aqui a gente conversa, aprende e produzimos o próprio alimento. Já tive contato em casa com horta, mas na escola está sendo bem mais. Já plantei couve e alface. Primeiro fazemos o buraco, depois colocamos a raiz, o adubo e se não chover, tem que regar. Eu quero ver tudo grande, bonito para a gente comer”, orgulha-se.