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Primeira agroindústria de embutidos com Sisbi no Sudoeste do PR é vividense

Com a certificação, a expectativa é que a produção seja de 500 kg por dia de embutidos (Foto: Divulgação)

Quando se abre uma empresa, a expectativa é sempre de crescer cada dia mais. Algumas, inclusive, visam à notoriedade, de modo a ultrapassar limites e chegar a outros estados.

É esta a realidade da Embutidos São Cristóvão, uma agroindústria de Coronel Vivida, no Sudoeste do Paraná. Situada no bairro São Cristóvão, a empresa foi fundada há cerca de dez anos, por Alcir Tosetto.

Com o passar dos anos, seu filho mais velho, Evandro Carlos Tosetto, assumiu a gerência do local, que produz linguiça colonial, torresmo e banha. “É uma herança familiar, que desde o início está instalada no mesmo endereço. Adequamos a estrutura para que expandíssemos ainda mais e agora estamos alcançando nosso objetivo”, declara Evandro.

A agroindústria é a primeira do Sudoeste, na área de embutidos, a receber a Certificação do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi/POA) — publicada no final do mês de abril, no Diário Oficial da União —, que possibilita com que os produtos passem a ser comercializados não só no município, mas em todo o Brasil.

A empresa, que já está apta para produção nacional, receberá oficialmente a certificação, na manhã desta sexta-feira (15), do Consórcio Intermunicipal e Interestadual de Municípios de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul de Segurança Alimentar, Atenção a Sanidade Agropecuária e Desenvolvimento Local (Consad), por meio do prefeito de Coronel Vivida, Frank Schiavini; e da diretora do Departamento de Agropecuária, Laura Alice Levien Mews.

História

Quando Alcir começou com a agroindústria, apenas ele e sua esposa trabalhavam no local. “Meus dois irmãos e eu também auxiliávamos, de vez em quando. Quando assumi a gerência, em 2013, trabalhávamos meu irmão e eu. Hoje, somos em quatro: dois funcionários, minha esposa e eu. Agora, com a certificação, pretendemos ampliar para seis a dez funcionários”, planeja Evandro.

Ele conta que, por possuir até então o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), a agroindústria atendia aos três supermercados de Coronel Vivida, além das mercearias. Para atender a esta demanda, era produzida entre 100 e 300 kg por semana de embutidos. Com a certificação, a expectativa é que a produção seja ampliada para 500 kg por dia.

Apesar de poucos dias de Sisbi, algumas empresas do Sudoeste do Paraná já demonstram interesse pelos produtos. Conforme Evandro, há negociações nos municípios de Pato Branco, Chopinzinho, São João, Itapejara D’Oeste e Honório Serpa.

Para que a agroindústria conseguisse a certificação, segundo o empresário, a estrutura, de 112 metros quadrados, precisou de algumas adaptações. “Como já tínhamos uma estrutura com tamanho bom, e a quantidade de salas satisfatória, só precisamos adaptá-las. Mesmo assim, o investimento chegou a cerca de R$ 200 mil”, revela.

Ele, ainda, conta que até o momento a produção ocorre entre duas a três vezes por semana, sendo que nos demais dias são feitas visitas aos clientes. Com o aumento da demanda, a ideia é produzir todos os dias, assim como as visitas. Por isso da contratação de mais pessoal.

Equivalência

Para que uma agroindústria consiga receber o Sisbi há três formas: por meio dos próprios municípios (geralmente os municípios de grande porte, com estruturas maiores); via Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar); ou via Consórcio Intermunicipal e Interestadual de Municípios de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul de Segurança Alimentar, Atenção a Sanidade Agropecuária e Desenvolvimento Local (Consad), que indicam ao Ministério da Agricultura os estabelecimentos que estejam aptos para receber essa certificação.

No Sudoeste do Paraná, são 11 municípios que fazem parte do Consad: Barracão, Chopinzinho, Coronel Vivida, Cruzeiro do Iguaçu, Francisco Beltrão, Itapejara D’Oeste, Marmeleiro, Nova Prata do Iguaçu, Salgado Filho, Santa Izabel D’Oeste e Verê.

Em novembro do ano passado, o Serviço de Inspeção de Coronel Vivida recebeu um ofício do Consad, informando que o Município passou a ter a equivalência para indicação de estabelecimentos ao Sisbi/POA.

“Essa questão iniciou ainda na primeira gestão do prefeito Frank Schiavini, com o então diretor do Departamento de Agropecuária, André Zanatta. Em virtude da busca dos produtores por essa certificação, a Administração Municipal se agregou ao Consad — que é o certificador do Sisbi — e lutou para que esse sonho acontecesse, de que conseguíssemos a equivalência do nosso Serviço Municipal”, declara a médica veterinária e atual diretora do Departamento de Agropecuária de Coronel Vivida, Laura Alice Levien Mews.

De acordo com o médico veterinário, responsável pelo Serviço de Inspeção Municipal de Produtos de Origem Animal do Município de Coronel Vivida, Miguel Carli, foi um processo que levou anos para ser alcançado.

“Isso porque tínhamos várias agroindústrias que tinham o Serviço de Inspeção Municipal (SIM). E o prefeito Frank Schiavini foi muito claro, dizendo que queria que fizéssemos a orientação, e que todas as agroindústrias saíssem da informalidade para a formalidade. Ou seja, orientarmos para que tomassem consciência do que é qualidade para comercialização, e o quanto que isso agregaria valor à propriedade. E foi isso que toda a equipe do Departamento de Agropecuária fez”, destaca.

Miguel informa que, a princípio, eram 11 agroindústrias. “Algumas maiores, que tinham mais capacidade para agilizar o serviço; e havia também o pequeno produtor. Nós fomos a campo e auxiliamos as pequenas agroindústrias também, para que todo o serviço fosse equivalente. Assim, da mesma maneira que inspecionamos o pequeno, inspecionamos o grande. Porque a inspeção tem que ser igual para todos. Dessa forma, conseguimos a equivalência, após dois anos e meio”, explica.

Com a equivalência, segundo Miguel, foi possível que a empresa Embutidos São Cristóvão fosse indicada para receber a certificação do Sisbi, o que foi conquistado seis meses depois da equivalência do Município.

“Quando todos os produtores com SIM passaram a trabalhar de forma padronizada, conseguimos a equivalência em novembro do ano passado. Na sequência, realizamos as vistorias, as auditorias e constatamos que a empresa de Evandro poderia ser indicada para o Sisbi, a qual demonstrou interesse em receber a certificação. A empresa regularizou o que se fazia necessário, e, como agora ela está com todo o padrão de qualidade do Sisbi, foi indicada para essa certificação, sendo que o Consad indicou ao Ministério da Agricultura (MAPA). Agora, os seus produtos podem ser vendidos para todo o Brasil”.

Segunda certificação

A certificação desta primeira agroindústria de Coronel Vivida para o Sisbi já está motivando outros produtores a buscarem a mesma certificação. “A fábrica, também de embutidos, Troczinski está se adequando totalmente, fazendo investimentos para se tornar a segunda unidade Sisbi do Sudoeste do Paraná”, afirma Miguel.

Ele lembra que essas empresas estão investindo com o próprio financeiro. “Elas estão cada vez melhores, padronizadas e com qualidade do produto. E, quando se enxerga uma indústria ganhando status de comercialização a nível brasileiro, as outras se sentem incentivadas. Tanto que aí apareceu mais uma que agora está se adequando para também ser indicada pelo Município, para poder ser Sisbi. Mas isso vai gerar um pouco de tempo, porque precisamos criar um histórico dessa indústria também, como o Embutidos São Cristóvão criou”.

Miguel lembra que a equipe do Departamento de Agropecuária está a disposição para ajudar essas pessoas a conseguir alcançar o seu sonho de produção. “Lembrando que não é só conseguir o Sisbi. Agora é que vem o principal, que é a manutenção. É manter a qualidade e o padrão. Caso o Evandro ou qualquer um dos nossos SIM venha a causar problema de padrão, pode acarretar na perda do Sisbi. Por isso que as inspeções são regulares, feitas por nós da Prefeitura”.

Para a diretora de Agropecuária, com a certificação do Sisbi todos só têm a ganhar. “Foi muito trabalho, muito papel, muita visita nas agroindústrias. Então a gente sabe de todo o esforço da Administração Municipal fez com relação a isso. Agora, essa agroindústria levará o nome de nosso município para fora das divisas dele. E, quem sabe, trazer outras famílias que tenham interesse de comercializar em Coronel Vivida, que venham participar também de nosso município. Sabemos que isso vai gerar também toda a parte de retorno para o Município, tanto financeiro, como do nome do município, de ser levado para fora. E nós temos muito orgulho disso”, finalizou Laura.