Paraná

Presidente da Faep fala sobre a agricultura

Tendo como objetivos o estudo, a coordenação, a defesa e a representação legal da categoria econômica rural, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) foi constituída há 55 anos.
A Faep é presidida por Ágide Meneguette (Foto: Helmuth Kühl)

Tendo como objetivos o estudo, a coordenação, a defesa e a representação legal da categoria econômica rural, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) foi constituída há 55 anos.

A instituição é responsável pela orientação aos Sindicatos Rurais — por meio de seminários, cursos, teleconferências e fóruns —, bem como convenções trabalhistas; além de representar a categoria em eventos nacionais.

Hoje, a Faep é presidida por Ágide Meneguette, que recentemente esteve em Pato Branco. Ele concedeu uma entrevista exclusiva ao Diário do Sudoeste, falando sobre a agricultura no geral.

Diário do Sudoeste - Quais são os desafios do agronegócio?

Ágide Meneguette: O maior desafio hoje é o processo eleitoral que nós teremos neste ano. Isso porque precisamos escolher bem os nossos candidatos e, evidentemente, que para isso nós estamos fazendo um trabalho ouvindo os sindicatos. Por exemplos, as questões de infraestrutura nós precisamos trabalhar; de rodovias; de seguros. Então são desafios que precisamos trabalhar. Questão de sanidade também, para a gente atingir mercados aonde que nós podemos vender nossos produtos mais valorizados. Então nós temos uma gama muito grande e temos também trabalho grande, que é feito pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que é ajudar a profissionalização e o treinamento dos nossos produtores e colaboradores que trabalham conosco em nossas propriedades.

Quais seriam as principais orientações da Faep para o ano de 2018?

Dois mil e dezessete foi um ano de muito trabalho. E esse ano nós estamos trabalhando firme, para cada vez mais nos modernizar, atender melhor os nossos produtores rurais. Para isso, precisamos treinar as nossas lideranças, os nossos produtores, para enfrentar os desafios do século 21. Vem aí a inovação, a robótica, e os nossos produtores cada vez mais precisam ser treinado. Também nas áreas profissional e política, vamos fazer alguns trabalhos. E, evidentemente, que eu tenho esperança que nós continuamos contribuindo para melhorar a sociedade do Paraná.

Essa discussão, que está se tendo agora, sobre a questão do projeto de lei dos agrotóxicos, tem influenciado de uma forma geral?

O projeto de lei, na verdade, vem regular uma situação que estava difícil de entendimento. É evidente que temos hoje uma gama enorme de pessoas que são contra o avanço da agropecuária e da agricultura. E vem, induzidos por instituições internacionais, tentar atrapalhar a produção e produtividade do Paraná. Ninguém vai aplicar nada se não precisar, pois tudo custa e hoje em dia nós temos de administrar com muita eficiência o nosso custo de produção, para que nosso instrutor tenha renda. Então isso é um aperfeiçoamento, no nosso entendimento, porque não dá para acontecer como está acontecendo, você precisa liberar um produto e, às vezes, demorar cinco ou seis anos. Exemplo: quando deu aquela praga da helicoverpa, na questão do algodão, se fosse esperar cinco ou seis anos tinha acabado o Brasil. Mas aí, por emergencial foi feito. Como que não organizar isso para que os nossos produtores tenham cada vez mais avanços na tecnologia, para ele poder utilizar. Ninguém vai utilizar coisas sem precisar, porque tudo tem custo. E custo todo produtor sabe que isso encarece a produção para vender ao consumidor final.

A questão das paralisações recentes dos caminhoneiros, refletiu de que forma no Paraná, em relação ao agronegócio?

A greve deu prejuízo de bilhões, a nível de Brasil. A legislação de reduzir a questão dos impostos e do óleo diesel foi atendida, então foi resolvida. Agora, a questão da tabela de frete, essa aí realmente é um contrassenso, porque um país de livre mercado, você não pode extrapolar, porque o que vale no mercado é a lei da oferta e da procura. Isso é o no mundo inteiro; é uma lei universal. Então não adianta nós querermos, através de uma lei, que vai estipular preços. Primeiro que está formando um cartel, que vai contra as regulamentações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade); e, evidentemente, espero eu que os deputados, o governo, os caminhoneiros e as nossas lideranças — que estão negociando isso lá em Brasília — achem um consenso, aonde que a economia ande, e que os interesses de todo mundo seja atendido, que nós não podemos prejudicar a sociedade. Têm estudos que mostram que se for colocar essa tabela máxima, que está aí, o custo da produção final, o consumidor tem alguns produtos que vai custar 12%, que vai onerar a cesta básica dele. Então quem vai pagar a conta é a sociedade e os menos favorecidos. Por isso é necessário ter muito juízo nesse momento, para que se faça uma lei, que não penalize os produtores, a sociedade e as pessoas menos favorecidas.

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