Cotidiano

Polícia usa gás lacrimogêneo em Baltimore

GIULIANA VALLONE, ENVIADA ESPECIAL BALTIMORE, EUA (FOLHAPRESS) - Um dia depois dos protestos violentos na cidade de Baltimore, no Estado de Maryland (EUA), a polícia teve de usar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes depois que entrou em vigor um toque de recolher imposto pela prefeitura, na noite desta terça-feira (28). De acordo com o comissário da Polícia de Baltimore, Anthony Batts, dez pessoas foram presas após as 22h locais (23h de Brasília). A determinação das autoridades é que a população fique fora das ruas até as 5h. O clima na região oeste de Baltimore ao longo do dia foi majoritariamente pacífico, embora houvesse tensão entre moradores e policiais. Também aconteceram discussões entre membros da comunidade, reunidos no local para ajudar com a limpeza das ruas e casas após os distúrbios. Com a aproximação do toque de recolher, no entanto, parte dos manifestantes tornou-se mais agressiva. Moradores se recusaram a sair das ruas no horário determinado e alguns atiraram garrafas contra os policiais -eles também lançavam as bombas de gás de volta, na direção dos agentes. A concentração de pessoas, porém, dispersou-se minutos depois, sob o policiamento reforçado. Em Inner Harbor, região turística de Baltimore, ainda era possível ver carros e pessoas circulando depois do horário determinado. "O toque de recolher está, de fato, funcionando", afirmou Batts em entrevista coletiva no início da madrugada desta quarta (29). "O mais importante é que os cidadão estão seguros. A cidade está estável." Foi a segunda noite de protestos após o velório de Freddie Gray, 25, um jovem negro morto no último dia 19 após ser ferido durante sua prisão. Na segunda-feira (27), grupos de jovens atearam fogo em 144 veículos e 15 construções -diversas lojas foram saqueadas. Mais de 200 pessoas foram detidas. No mesmo dia, o governador de Maryland, Larry Hogan, declarou estado de emergência e convocou 2.000 agentes da Guarda Nacional para a contenção dos distúrbios, que começaram a chegar a Baltimore nesta terça. O caso de Gray soma-se a outros episódios de assassinatos de negros por policiais nos EUA nos últimos meses, acirrando a tensão racial. Em discurso, o presidente Barack Obama reconheceu a "crise" nas interações entre policiais e indivíduos negros e pobres, mas condenou os saques e a violência.
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