Pato Branco

Pato Branco é destaque no Estado em captação de órgãos

A captação de órgãos no São Lucas é feita por equipe multidisciplinar (Foto: Ilustração)

O Hospital São Lucas de Pato Branco realiza captação de órgãos há quase dez anos, desde que foi agraciado com a alta complexidade em neurocirurgia. De acordo com o administrador do hospital, Sérgio Wolker, a captação acontece devido à maioria dos pacientes da neurocirurgia apresentar estado crítico, devido a traumas ocasionados por acidentes, quedas, que infelizmente acabam evoluindo para a morte cerebral.

Nos últimos tempos a captação tem sido realizada de forma mais frequente. Nesta semana, por exemplo, a família de Dheomar da Rosa autorizou a doação de seus órgãos após ter sido declarada sua morte cerebral. Dheomar tentou suicídio, após ter baleado a ex-mulher, no último dia 4.

Segundo Wolker, assim que a família autorizou a doação, a equipe multidisciplinar do hospital, responsável pela captação dos órgãos, foi chamada, e acionou também a equipe de regulação Copott (Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes), de Curitiba, responsável pelo transporte dos órgãos no Estado. De Dheomar foram retirados os rins e o fígado.

É a família quem decide

Wolker explicou que a equipe multidisciplinar do Hospital São Lucas é composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. Esses profissionais fazem a abordagem dos familiares para que eles autorizem a doação dos órgãos, e realizam a captação.

“Essa é uma das grandes dificuldades que enfrentamos hoje, porque a família é quem tem que dizer ‘sim, vamos doar’, mesmo que este seja o desejo do paciente que teve a morte cerebral decretada. E esse conceito de morte é complicado, muitas pessoas ainda não aceitam. Para muitos o conceito de morte é quando o coração para de bater. Mas quando há falta de atividade cerebral, há morte cerebral, ou seja, morte do paciente”, salientou.

Mas felizmente, segundo ele, a cada ano que passa esta realidade está melhorando. As informações acabam fazendo com que as pessoas entendam o porquê é tão importante doar órgãos. “Porque, realmente, quando há morte encefálica não há mais vida”, frisou.

Morte cerebral

Para constatar a morte cerebral, conforme explicou Wolker, são realizados vários exames específicos, segundo protocolo. Tudo é supervisionado pelo Copott (Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes), também responsável pela logística do transporte dos órgãos após a captação, no Paraná.

Ele ressaltou que é difícil computar o número de captações por ano, já que varia: em alguns anos são realizados mais, em outros menos. “No entanto, atualmente, somos com certeza um diferencial a nível de Paraná. Teve um ano, inclusive, que fomos os que mais realizaram captação de órgãos no Estado. Na oportunidade fomos chamados a nível nacional, para participar de um Congresso, e apresentamos nossos dados, que serviu de exemplo para muitos”, destacou.

Antes de começar a captação são avaliados os dados do paciente, como, por exemplo, a idade. “Se é um paciente jovem, que consegue doar mais órgãos, é acionada uma equipe maior do Copott, caso contrário, vem a Pato Branco uma equipe menor. É possível transportar fígado, rim, coração. Teve uma vez que fizemos a captação de ossos, mas de pele ainda não fizemos”, enfatizou.

Por causa do curto tempo em que os órgãos podem ficar armazenados antes do transplante, são transportados sempre de helicóptero ou de avião. “Corremos contra o relógio. A partir do momento que fizermos a captação de órgãos aqui, no menor tempo possível tem que ser levado para o lugar onde vai ser realizado o transplante, para não comprometer os órgãos”.