Pato Branco

Pato a Jato se prepara para competição nacional

Acadêmicos fazem os últimos ajustes no protótipo que irá competir no Rio de Janeiro (Foto: Helmuth Külh)

A menos de um mês para a Shell Eco-Marathon Brasil 2019, a Pato a Jato já se prepara para participar da competição que, neste ano, acontecerá no Rio de Janeiro, nos Armazéns 2 e 3 do Píer Mauá, entre os dias 16 e 19 de setembro.

Formada por acadêmicos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) campus Pato Branco, a Pato a Jato disputará com outras equipes de todo o país na categoria Etanol, pela qual conquistou no ano passado o título de bicampeão consecutivo na modalidade, em que apresentou uma média de eficiência por litro de 443.7/l.

Neste ano, a maior e a mais conceituada competição de eficiência energética do mundo traz uma novidade em sua edição. As equipes poderão concorrer pela premiação Off-track, que contemplam veículos com melhor desempenho em economia circular. De acordo com publicação da Shell, em seu site, “poderão concorrer os times que demonstrarem que levaram o tema em consideração no conceito, design e/ou execução do protótipo, incluindo inovações, benefícios e potencial para uma adaptação ao ‘mundo real’”.

Em 2018, a Pato a Jato recebeu o prêmio Off-track na categoria Design de veículo – Protótipo, na Shell Eco-marathon Americas, que ocorreu em Sonoma, na Califórnia. De acordo com o gerente administrativo da equipe, Everton Bazarim Veríssimo, ter recebido a premiação em uma competição internacional impulsionou os acadêmicos a investir novamente nesta categoria, agora em nível nacional. “Para uma equipe brasileira receber esse prêmio é uma vitória, nos estimula a competirmos nessa categoria que é nova aqui no Brasil. Iremos participar, nesta edição, com toda certeza”, explica.

Neste semestre participam da equipe 30 alunos e dois professores do curso de Engenharia Mecânica, do campus Pato Branco. Esses membros estão divididos entre os setores de: estrutura, elétrica, powertrain (motor e transmissão), recursos humanos, financeiro, marketing e comunicação. “Essa diversidade de setores e funções abre a possibilidade para que pessoas de diversos cursos possam se aprimorar junto com a equipe”.

O gerente da equipe conta ainda que, esses acadêmicos são graduandos dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e das Engenharias Mecânica, Elétrica e Computação. “Após a competição, no Rio de Janeiro, pretendemos estimular para que pessoas de outros cursos possam participar da equipe e para isso, iremos abrir um processo seletivo”, conta Veríssimo.

Gastos

Para participar da Shell Eco-Marathon Brasil, os acadêmicos precisam, além de preparar o protótipo para a competição, angariar fundos para bancar as modificações no carro e o transporte, estadia e alimentação da equipe.

Além da ajuda fornecida pela universidade e pela Prefeitura Municipal de Pato Branco, a equipe conta com aproximadamente 11 empresas patrocinadoras, que juntas buscam possibilitar sua participação no evento. “Como o preço é elevadíssimo, cada um ajuda da forma que pode, sendo ela financeiramente ou com fornecimento de material e capacitação dos membros”, explica Veríssimo.

Mesmo com a ajuda dos parceiros, ainda faltam aproximadamente R$ 11 mil para o pagamento do transporte e estadia dos membros da equipe. “Nós estamos fazendo ações internas na faculdade, como a venda do Bis da sorte durante o almoço, no qual você pode comprar um Bis e concorrer a diversos prêmios”, conta.

O acadêmico conta que a equipe também buscará apoio junto aos comerciantes locais. “Utilizaremos do prazo que ainda temos para tentar arrecadar fundos junto a comerciantes da cidade, que sempre nos ajudaram em todas as ações que fizemos. Graças ao apoio de patrocinadores, membros e simpatizantes da equipe, da universidade e da prefeitura estamos conseguindo arrecadar fundos para que assim consigamos fazer essa longa viagem”, agradece Veríssimo.

Modificações no carro

Para a competição, a Pato a Jato adicionou quatro sensores no carro para melhor captar dados do veículo como inclinação, objetos em volta e temperatura. A equipe também projetou e refez toda a parte elétrica do carro, desde placas até dimensionamento dos fios. Além disso, o protótipo passou por modificações em sua pintura.

“Nós decidimos continuar com o mesmo design de pintura da temporada passada. Refizemos ela e mudamos algumas coisas para deixa-la mais moderna. Mas, é o mesmo design e layout porque esse foi o veículo campeão do prêmio Off-track de Design na Shell Eco-marathon Americas e ele é referência, não só para nossa equipe como para outras brasileiras, por isso decidimos manter o mesmo padrão”.

Nesta fase, o carro está em finalização dos trabalhos preparatórios para a competição. Segundo o gerente da equipe, nesse período pré-competição estão sendo feitos alguns ajustes na parte técnica [elétrica e mecânica]. Na noite de ontem (20) o protótipo, que irá correr no Rio de Janeiro, passou pela primeira bateria de testes na pista de atletismo da UTFPR, para buscar corrigir quaisquer problemas no carro.

“Esses testes são primordiais para um bom resultado, pois além de aprimorar conhecimento de pilotagem do piloto, possibilita que o protótipo seja ajustado em pontos que não conseguiríamos acertar em bancada. Dessa forma podemos ver como o protótipo reage a condições e esforços de situações inesperadas”.

Outra novidade para a equipe é a participação de um psicólogo durante o processo seletivo de piloto. “Nós decidimos optar pelo acompanhamento por conta de alguns estudos que fizemos, em cima de bibliografias e literaturas, que dizem que 70% da eficiência de um veículo é por conta do estágio psicológico do piloto”, explica.

Competição

As equipes participantes têm quatro dias para aperfeiçoar seus veículos, passar na inspeção técnica e testar seus protótipos em pista. Quem vencer a competição, em cada categoria, ao apresentar uma maior eficiência por litro, receberá como prêmio o pagamento do transporte das equipes para a competição Shell Eco-marathon Americas, que deve ocorrer em abril de 2020.

*Estagiária escreve sob supervisão de Marcilei Rossi.

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