Região

O que essa geladeira cheia de livros está fazendo aqui?

Além do acesso aos livros por meio de bibliotecas públicas, em escolas e demais instituições, agora, os exemplares passaram a ocupar novos e inusitados espaços. Em Francisco Beltrão e Marmeleiro, graças à iniciativa do professor de Educação Ambiental Cláudio Loes, a leitura está à disposição dentro de geladeiras que iriam ao lixo. E necessariamente, não precisa ser apenas geladeiras. Os livros podem ficar em freezer, armários de ferro, entre outras opções.

O nome do projeto é AquiLivros, e não poderia ser melhor. Já que é ali, próximos às pessoas e num acesso fácil, que eles estão. Segundo o professor, a ideia estava guardada há tempos na “gaveta”, e as geladeiras há meses em sua casa. “Depois que vi em Blumenau (SC), no campus da FURB (Fundação Universitária Regional de Blumenau), decidi que era hora de colocar em prática.”

Cláudio pensou primeiro em disponibilizar as geladeiras recheadas com livro às bibliotecas. Mas, depois achou melhor focar em algo mais livre.  Por isso, as “bibliotecas ambulantes” ficam no saguão de escolas, dentro de entidades, empresas e órgãos públicos.

A ideia é que as pessoas utilizem as geladeiras, tanto na doação de livros quanto para empréstimo dos títulos que estarão disponíveis. Não precisa fazer cadastro para utilizar o serviço, apenas ter a consciência de que, após a leitura, é preciso devolver o exemplar à geladeira. Assim, o local ficará sempre abastecido.

Parceiros

De acordo com o professor, não se pode pegar a geladeira, arrecadar livros e transformá-la apenas num depósito. O objetivo é que cada espaço tenha uma pessoa responsável pela manutenção. “Quem tiver interesse em apoiar o projeto pode acessar o site www.ecophysis.com.br/aquilivros. Nesse endereço também está disponível o enunciado da etiqueta que deve ser colada nas geladeiras”, informa.

O enunciado apresenta um resumo das novas funções da geladeira e sugestão de como usar. “O texto é o seguinte: ‘AquiLivros. Abra. Faça sua escolha. Empréstimo gratuito. Quando terminar de ler traga de volta, outros estão esperando. Conserve bem o que levar e ajude a cuidar deste local. Aceitamos doações. Incentivar a leitura pela socialização e circulação dos livros’. E na sequência segue o site para mais informações e o QR Code para acessar o site diretamente pelo celular.”

Cláudio não quer que as geladeiras se tornem um simples depósito, ou que sejam usadas por alguma instituição religiosa ou político/partidária. “Ou, nos casos piores, que circulem obras ofensivas, de racismo e difamação”. Por isso, é imprescindível que uma pessoa fique responsável e que, ao menos uma vez ao dia, verifique como está a entrada e saída dos livros.  “Isto para garantir um bom uso.”

Em Francisco Beltrão, há duas geladeiras ativas: no Colégio Glória e na empresa Motortec; e uma pronta para instalação na Escola Municipal Frei Deodato. Em Marmeleiro, o projeto AquiLivros está na Escola Estadual Telmo Octávio Müller.

Educação ambiental

A geladeira no Colégio Glória foi enfeitada para a inauguração, despertando maior curiosidade nos alunos. Deixaram-na cheia de adesivos e estilosa. Visto que era uma inauguração com direito a fita tudo bem, mas Cláudio avisa que a ideia não é essa. “Eu insisto para não pintarem a geladeira e com isto fazer mais lixo. O AquiLivros também é Educação Ambiental”, salienta.

É importante saber que as grades internas das geladeiras não servem para acomodar os livros. Na prática o professor descobriu que há duas soluções: colocar papelão grosso ou fazer prateleiras de madeira. As geladeiras ou freezers, que não têm mais conserto, podem ser encontrados em oficinas de refrigeração.