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O movimento da cerveja artesanal em Pato Branco

Quando as pessoas conhecem a cerveja artesanal não querem mais saber das de linha. Em Pato Branco, além do gosto por cerveja boa, a bebida ganhou um forte apelo cultural, reunindo amigos para a fabricação e, consequentemente, fazendo movimentar a economia

O movimento cervejeiro em Pato Branco é cada vez mais consistente. Temos, hoje, na cidade, ao menos três cervejarias consolidadas, além de vários produtores caseiros. É difícil encontrar um bar ou distribuidora que não tenha ao menos um rótulo artesanal, e o consumidor já se acostumou com o produto, que tem qualidade muito superior às cervejas de linha.

Há, no entanto, algumas pessoas com maior engajamento dentro desse movimento. Os amigos Guilherme Muniz de Souza, Diego Hamiko, Fernando Rizzo, Marlon Kroetz e Fabio Ricardo Rizzi. Eles formam um grupo que gosta muito de cerveja e que se conheceu pelo hobby, seja fabricando a bebida ou sendo proprietário de loja de insumos para fabricação ou mesmo tendo uma cervejaria. “O Guilherme é sommelier de cerveja, assim como eu e o Diego. O Fábio é engenheiro químico, responsável por uma cervejaria e o Fernando é dono de uma loja que faz toda a venda de maltes para o pessoal”, conta Marlon.

Juntos, já fizeram muita cerveja e trocaram muita informação. Agora embarcam na missão de serem juízes em concursos de cerveja. Para tal, vêm se reunindo de três em três semanas para estudar o Beer Judge Certification Program (BJCP), o mais famoso guia de estilos de cervejas, utilizado como um verdadeiro manual para os juízes em concursos.

Nos encontros, eles escolhem alguns rótulos e analisam conforme o BJCP. Durante a entrevista, eles escolheram dois estilos para estudar, a Dubbel e a Tripel – dois estilos belgas --, avaliando dois rótulos diferentes de cada. A primeira coisa, eles explicam, é observar a aparência da cerveja. Depois vem o cheiro, o que ela representa. “E, por último, a gente toma, para saber o gosto dela”, fala Marlon. Cada estilo está descrito com detalhes no manual do BJCP com todas as características que aquela bebida tem que ter para se enquadrar no estilo.

Além das características, cada cerveja pode ter algumas variações. “Dentro do próprio guia existe variações aceitáveis. Tem até uma ferramenta para o celular que mostra a cor, por exemplo, que pode ser mais clara ou mais escura, mas dentro de um limite para definir aquele estilo”, dizem.

O próximo passo, depois de conhecer bem todos os estilos, é fazer a prova de juiz para ser certificado a participar de concursos como julgadores, emprestando a expertise dos sentidos apurados para apontar pontos fortes e fracos nas bebidas participantes. “Existe um processo pra se tornar juiz. A gente faz um prova online com 180 questões. Depois dessa prova, a gente se inscreve na prova prática e, se passar por ela, se torna juiz. Conforme formos participando de eventos e julgamentos, vamos qualificando para concurso maiores, até chegarmos nos mais renomados, de abrangência nacional e internacional”, explica Fabio.

BJCP e BA, duas escolas diferentes

Além do BJCP, que é um guia da escola europeia de cerveja, outro bastante utilizado é o da americana Brewers Association (BA). “O BA é mais direto, mais simples, mais objetivo, por isso é mais utilizado em concursos de cervejarias profissionais. O BJCP é mais voltado para concursos de cervejeiros caseiros, então eles tem um cuidado maior de descrever com um pouco mais de cuidado, ser mais específico, mais detalhado, e as avaliações no BJCP tem um modelo de súmula para ser preenchida, que é bem mais detalhado. Com ele, você consegue descrever não só o que percebeu nas características sensoriais daquela cerveja, mas tem como dar dicas para resolver eventuais problemas identificados na bebida, coisa que na BA, como é feito para cervejeiros profissionais, você vai dizer que tem um defeito ali e o cara, que é profissional, sabe como corrigir. O BJCP é um pouco diferente, ele é mais voltado para o caseiro, então você avalia e dá dicas de como melhorar a cerveja”, descreve Guilherme.

Pato Branco lupulada e maltada

Os amigos consideram que já há alguns anos o movimento das cervejas artesanais na cidade é crescente, tanto na parte da produção, como na parte de consumo. “O pessoal está procurando cervejas artesanais, especiais, tanto pra consumo como o hobby de fazê-las. Estávamos comentando mais cedo que nem as cervejas mais fortes ou diferentes causam tanta estranheza. O pessoal já conhece os estilos de cervejas. Quando levamos nossa produção em eventos abertos, as pessoas já sabem o que é uma Weiss, uma Vienna, e já procuram por isso. Muitas vezes ainda pedem o que tem de diferente e, mesmo que não gostem muito, querem experimentar”, explica Marlon, que é proprietário da cervejaria Von Kroetz.

Além da cervejaria de Marlon, só na cidade há mais duas, a Ducks e a Aja, todas as três registradas. Isso sem contar com todo mundo que fabrica cerveja em casa.

Para atender todo esse pessoal com insumos, há outras lojas especializadas, como a do Diego, que é a Mestre Cervejeiro. E ainda há diversos bares e distribuidoras que comercializam tudo isso, movimentando a economia local. “Já passou do tempo de ser apenas uma modinha”.

Eventos e concurso

Mesmo com esse grupo de estudos sendo fechado, os amigos e os seus parceiros da cerveja estão realizando eventos na cidade, com degustação, workshops e outras ações com o objetivo de disseminar a cultura cervejeira. No fim, será realizado um concurso de cerveja para quem faz a bebida em casa, e a temática é “Cervejas Belgas”.

O primeiro evento está programado para o próximo dia 2 de setembro, onde serão apresentados , através de uma degustação guiada, os estilos de cervejas que vão estar do concurso, que são seis: a Witbier, que é de trigo; belgian blond ale, que é uma mais clara; a Saison, que admite mais especiarias; a Dubbel; a Tripel; e a Golden Strong Ale, que é a mais alcoólica. “Esses estilos são os que o pessoal pode fazer em casa para participar do concurso, que é uma promoção da Cervejaria Von Kroetz e da Mestre Cervejeiro”, explica Marlon.

As inscrições e entrega de amostras podem ser feitas até 11 de setembro, e há um custo para participar. O concurso será no dia 14 de setembro, quando ocorrerá o julgamento e a divulgação dos vencedores.

O regulamento e ficha de inscrição podem ser acessados através do link https://drive.google.com/file/d/1P8pk47IiA4hBfqwbXD4thQeWSBGjuK8r/view

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