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Monumentos espalhados pelo Sudoeste mantêm viva a Revolta dos Posseiros

Sejam nos grandes territórios ou nos pequenos espaços, a busca pela terra tem permeado os maiores e mais violentos conflitos do mundo. No Sudoeste do Paraná, muitas gerações não se recordam, porque a história não tem a repercussão que merecia ou porque muitos dos que viveram aquele tempo já partiram. Mas é de extrema relevância que a Revolta dos Posseiros de 1957 seja valorizada e entendida pela sociedade.
Os monumentos em homenagem aos Posseiros simbolizam a luta e valorizam o povo do Sudoeste (Foto: Helmuth Kuhl)

Sejam nos grandes territórios ou nos pequenos espaços, a busca pela terra tem permeado os maiores e mais violentos conflitos do mundo. No Sudoeste do Paraná, muitas gerações não se recordam, porque a história não tem a repercussão que merecia ou porque muitos dos que viveram aquele tempo já partiram. Mas é de extrema relevância que a Revolta dos Posseiros de 1957 seja valorizada e entendida pela sociedade.

Na região, para valorizar a memória dos posseiros foram erguidos vários monumentos. Peças de arte que transmitem o sentimento de um povo e, que, mesmo inertes parecem narrar os fatos como se tivessem movimentos próprios.

De acordo com a diretora do Departamento de Cultura de Pato Branco, Eliane Gauze, os monumentos são considerados patrimônios culturais de grande valia, e cada um – mesmo os que já foram retirados – têm sua relevância. “São peças que retratam não apenas um momento histórico, mas também a identidade de um povo e a maneira com que vemos o mundo.”

Restauração das peças

O arquiteto Mário Mendonça de Oliveira, 78 anos, tem mais de 50 anos de profissão, e é referência no Brasil em restauro e tombamento. Em uma entrevista ao CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), o profissional explicou que trabalhar com restauração é uma arte, e que depende de muita técnica. “Eu sempre considerei que a restauração é uma atitude cultural, mas é também um trabalho de caráter técnico e científico.”

Esta é a preocupação do Departamento de Cultura do município. “Temos que manter as obras e quando necessário, fazer a restauração. Aliás, a etapa do restauro é seríssima. Cada vez que há uma revitalização das obras em Pato Branco, as pessoas se preocupam em chamar o artista que fez a obra e restaurá-la de acordo com a própria arte. Para não perder a identidade. Isso é fundamental e há leis que preveem que somente o artista pode mexer.”

Uma cidade que valoriza sua história vislumbra o futuro e faz com que a comunidade valoriza este sentimento. Tanto é verdade que não há registro de depredação em patrimônios culturais. “Isso demostra o respeito pela peça enquanto uma obra de arte, que conta uma história. A impressão é que as obras têm vida, porque retratam um momento vivido pela comunidade. Um povo que não valoriza sua história não tem valores dentro de si. Temos que manter a história viva, porque é este chão que moramos. É uma questão mais de valores do que de terra.”


Os monumentos erguidos pelo Sudoeste

Em Pato Branco, o monumento em homenagem ao ex- vereador Pedro José da Silva, o Pedrinho Barbeiro, está localizado na praça que também recebe seu nome, criada pela Lei Municipal 1.680 de 27 de novembro de 1997, de autoria dos vereadores Germano Corona e Addir Vendruscollo. Pedrinho foi assassinado enquanto defendia os posseiros e é considerado um mártir da revolta.

 

Em 2007, ano do Cinquentenário da Revolta, Pato Branco ganhou um novo monumento. Em frente à prefeitura está a obra que resgata a história de 1957, erguida na gestão do ex-prefeito Roberto Viganó. A obra foi feita pelo escultor Lucas Marcelo Cassiani, com desenho de Eiguel Ribeiro.

 

No trevo da Rua Ivaí, a obra do escultor Kallu Chueiri simboliza a labuta dos posseiros com a obra intitulada de “Monumento Os Desbravadores”, que traz os seguintes dizeres: “Felizes as mãos que semeiam, benditas as mãos que constroem caminhos, que levam à casa do futuro”. A obra foi feita na primeira gestão do prefeito Augustinho Zucchi e do vice- prefeito Ivo Polo.

 

No Teatro Naura Rigon em Pato Branco, há duas obras de arte. Um monumento na parte externa homenageia os posseiros do município, com os seguintes dizeres: “Centro Cultural de Pato Branco Raul Juglair, ao ilustre patobranquense, figura extremamente humana, a homenagem do município de Pato Branco pela sua dedicação à cultura e ao bem-estar de todos”. O monumento foi erguido em 1996, na gestão do prefeito Delvino Longhi.

Outra obra que chama a atenção no teatro é o grande painel vencedor de um projeto realizado em 1997, desenvolvido por Eloy de Lima.

 

Em Francisco Beltrão, o primeiro monumento em homenagem aos posseiros foi construído na Praça Central. O monumento ao Getsop (Grupo Executivo para as Terras do Sudoeste do Paraná) ficou pronto em 1973. Segundo o departamento de Cultura de Francisco Beltrão, em 2017, em homenagens aos 60 anos, a obra passa por restauração.

Em 2007, três obras foram construídas no Sudoeste para marcar os 50 anos da revolta: o Monumento ao Cinquentenário, no Calçadão de Francisco Beltrão, o Monumento da Tocaia do Km 17, localizado na divisa dos municípios de Capitão Leônidas Marques e Pranchita; e o Monumento aos Colonos, no centro de Dois Vizinhos.

Em Francisco Beltrão, o Monumento ao Cinquentenário contou com concepção artística da diretora do Departamento de Cultura na gestão 2001-2012, Tânia Maria Penso Ghedin. O mosaico feito de pastilhas de vidro sobre placa de concreto armado reproduz os posseiros em marcha com a bandeira do Brasil, pela Avenida Júlio Assis Cavalheiro. A obra é do artista Evaldo Greinert. O Monumento ao Getsop representa uma cena rural e a titulação de terras no Sudoeste.

Monumento ao Getsop, em Francisco Beltrão
Monumento ao Cinquentenário em Francisco Beltrão 
Monumento aos Colonos, em Dois Vizinhos 

 

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