Vanilla

Mamães contam como foram seus partos humanizados

Meu parto, meu momento

Por Michelen Cantelmo Ramos

Gisele Novak


Michelen, grávida de Maitê

Meu parto foi tranquilo. Não vou dizer que foi fácil, nem que não senti dor, mas foi realmente tranquilo, pois sabia o que estava acontecendo e o que tinha que fazer. Senti o tampão sair às 3h30 da manhã. Uma hora depois a bolsa rompeu. Como não estava com contrações ritmadas esperei até às 7h para avisar meu marido que a nossa Maitê queria nascer.

Consultei meu obstetra, que me orientou a ir ao hospital. Assumi o risco e a responsabilidade e fui pra casa. No carro liguei pra minha mãe, que mora em Curitiba, e queria muito estar presente no nascimento da primeira neta, que era esperada pra dali uma semana ainda – nasceu na 39ª semana. Também liguei pra minha doula, Vanessa.

Arrumei minha mala e da Maitê. Quando a Vanessa chegou fizemos exercícios e ela me ofereceu um chá especial; isso acelerou o processo aumentando as contrações. Ela também controlou o número de contrações, o tempo de duração e o intervalo entre elas. Ainda sem ritmo nas contrações eu quis almoçar. Em seguida, fomos ao hospital. Fui avaliada, tudo corria bem. O hospital ofereceu cromoterapia, aromaterapia, óleo para massagem e uma bola de pilates. Comigo estavam a doula e meu marido.

Tive a liberdade de tomar banho de chuveiro, ingerir líquidos, ficar nua, pois sentia muito calor, caminhar e permanecer na posição em que achasse mais confortável, inclusive durante as avaliações médicas.

Mauro (marido) me fez massagens, permaneceu abraçado comigo durante as contrações, me deu força e carinho. Minha mãe chegou de viagem com meu irmão e ficamos todos juntos no quarto. Para a surpresa da doutora a dilatação aumentou; ela solicitou uma maca e eu recusei. Vesti a roupa do hospital e fui caminhando para o centro cirúrgico. Chegando lá fui tirando a roupa e sentei no banquinho de parto.

Meu marido chegou todo paramentado e com a máquina fotográfica na mão. Ele permaneceu atrás de mim fazendo um apoio físico enquanto eu fazia força durante as contrações. Foram 3 ou 4 contrações fortes e a cabeça da Maitê saiu e em seguida seu corpinho escorregou. Pude ampará-la ainda saindo. Peguei-a no colo. Nasceu às 16h50. Estava escorregadia. Ganhei um pano aquecido para enxugá-la. Maitê já estava de olhos abertos e instintivamente procurou o seio. Amamentei-a enquanto esperávamos o cordão umbilical parar de pulsar, só então foi cortado.

O pediatra apareceu para avaliá-la, mas o fato de ela estar mamando, evidenciou que estava tudo bem. Continuamos ali eu, meu marido e nossa filha, abraçados, curtindo aquele momento. Quando a placenta saiu fui para a maca fazer uma sutura, pois tive uma pequena laceração. Enquanto isso Mauro levou nossa filha para pesar e medir. Foi-lhe aplicada a vacina e a vitamina. Não quisemos a aplicação do colírio.

No colo do pai permaneceu ao meu lado até que o procedimento acabasse e fomos para o quarto juntos. Assim que cheguei ao quarto quis me levantar e tomar banho; me sentia bem, mas só fui liberada depois de me alimentar. Maitê mamou, dormiu, mamou. Foi acarinhada e acalentada pela avó. E só após umas 6 horas ela tomou seu primeiro banho sob os olhares atentos do pai e da avó. Em nenhum momento minha filha foi separada da família; todas as vezes que precisou sair do meu colo foi levada pelo pai ou pela avó.

Demos alta 48h depois de darmos entrada no hospital. Hoje, 6 meses depois, e fazendo este relato, revivi minha gravidez e as 13 horas de trabalho de parto, e concluo constatando que amei passar por tudo isso. Não vou demorar muito para repetir esta experiência em minha vida. Acho que viciei na ocitocina - o hormônio do amor.

Sou mãe do Valentin

Por Pâmela Batistella

Arquivo pessoal

Pâmela e Valentin

Quando começou o trabalho de parto, nas primeiras contrações, as primeiras dores, foram lindas, gostosas, recebidas com amor, porque o tão esperado momento havia enfim chegado.

Foram 41 semanas e 1 dia de expectativas. O dia D foi sem explicação, sem palavras, são tantas sensações diferentes num corpo só, horas e horas que não pareciam passar, mas ao mesmo tempo passaram rápido demais. Momentos aonde parecia que não iria aguentar, muitas caminhadas, muitos agachamentos, massagens e massagens, beijos e carícias de amor e carinho, risadas [sim eu ria de felicidade, de dor, de emoção, de um querer, querendo ele, meu Valentin, em meus braços].

De repente, você esquece da dor, das horas, do trabalho de parto, dos esforços, das contrações, esquece de você, do corpo! Esquece tudo, entramos num mundo diferente, no mundo da "partolândia" onde é só você e o bebê, pegar ele e dizer: "é meu", "eu consegui" "é fodástico"! Alivio! Pois o amor sim existe, um amor maior que você, maior que tudo, amor de mãe. A água completa o momento, o ambiente, ela conforta, envolve você, emociona, faz você sentir-se viva.

Quando acaba, você quer que comece tudo de novo, fica querendo bis, mais uma vez, por favor; o dom da vida é maravilhoso, dar a vida é sublime, mágico, fantástico, que não existe conceito ou mesmo finalidade. Quando levantei da piscina, exausta e completamente feliz, olhei pro médico sorrindo e falei: o próximo é domiciliar! Me perguntam quem é você, e a primeira coisa que digo: sou MÃE do Valentin. Isso me completa.

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