Região

Mais de 40 médicos cubanos devem deixar o Sudoeste do Paraná

Dos 42 municípios pertencentes à região Sudoeste, 26 contavam com profissionais cubanos, que atuavam por meio do programa Mais Médicos. As informações são da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop), em relatório obtido junto à 7ª e à 8ª Regionais de Saúde.

Ao todo, 44 médicos trabalhavam na região, sendo que os municípios que possuíam o maior número de profissionais cubanos, conforme o relatório, era Pato Branco, com cinco médicos; seguido de Ampére, Coronel Domingos Soares, Dois Vizinhos e Palmas, com três profissionais cada.

O Diário do Sudoeste entrou em contato com o município de Coronel Domingos Soares. De acordo com a prefeita, Maria Antonieta de Araújo Almeida, “na verdade, nós temos duas médicas cubanas e um brasileiro, que fez faculdade no Paraguai, mas que também faz parte do Mais Médicos”, disse.

Ela conta que as cubanas continuam no município e a passagem delas de retorno ao país de origem está marcada para o dia 3 de dezembro. “Nós não temos oficial se o brasileiro pode ficar, mas parece que poderá”.

Até então, Coronel Domingos Soares possuía nove médicos no total, que atendiam a população de, aproximadamente, 7.700 habitantes. Desses, mais de 5.000 são moradores da área rural. “Os três médicos atuavam nos Programas Saúde da Família (PSFs) do interior. Nós estamos ainda meio sem saber o que fazer, porque o nosso município tem uma extensão territorial muito grande; e temos muitas comunidades distantes da sede do município, aonde esses profissionais prestavam os seus serviços. E agora teremos dificuldade de contratar médicos brasileiros, justamente pelo preço muito elevado. O município não tem condições de arcar com toda essa despesa”, declara a prefeita.

Ainda, conforme Maria Antonieta, em Coronel Domingos Soares o “custo médio de um médico cubano para o Município era de R$ 2.800; e haveria o reajuste agora para R$ 4.000, que era o máximo que eles poderiam receber. Já o médico brasileiro, nas mesmas 40h semanais de atuação dos cubanos, recebe no mínimo R$ 17.500”.

Amsop

Em contato com o presidente da Amsop e prefeito de Santa Izabel D’Oeste, Moacir Fiamoncini, afirma que essa é uma situação difícil, “porque não há profissional disponível de imediato para repor. E, mesmo que tenha profissional, tem todo o trâmite burocrático, licitação, e assim por diante para poder contratar. Então vai ter uma carência de atendimento, devido a essa questão burocrática”.

Assim, conforme o presidente da Amsop, haverá um impacto muito grande, sobretudo para municípios menores. “Penso que isso teria que ter acontecido, se era para acontecer, de uma forma programada, vamos imaginar assim. Para que os municípios pudessem se reorganizar. Têm muitos municípios, por exemplo, que os médicos cubanos proporcionavam uma economia no investimento da saúde. E os municípios vão ter o impacto, além da ausência no fornecimento de serviço, até a questão documental de poder buscar outros profissionais; mas também o impacto financeiro, que as prefeituras não estão preparadas para absorver de imediato, porque o custo de um profissional médico hoje para trabalhar no PSF não baixa de R$ 15 mil a R$ 20 mil por mês”.

Fiamoncini também acredita que na região não há médicos o suficiente para suprir a lacuna dos profissionais cubanos. “Com o edital aberto, imagino que não tenha essa mão de obra sobrando. Se suprir essa demanda da região, para que sejam substituídos os cubanos pelos médicos brasileiros, vai desfalcar outras situações. Afirmo, de fonte segura, que a região terá problemas agora com a saída imediata dos médicos cubanos; a consequência será muitos pacientes procurando atendimento e não terá fichas para atender. Assim, terá que priorizar os atendimentos mais emergenciais, até conseguir repor essa questão”.

Ainda, conforme o presidente da Amsop, a associação manifestou a sua preocupação sobre o fato, por meio de um documento enviado à Associação dos Municípios do Paraná (AMP), “que fez o contato direto com o Ministério da Saúde, pedindo que se encontre um caminho mais rápido possível para suprir essas demandas regionais com outros programas. Ou que o governo repasse um valor aos municípios que tinham os médicos cubanos para que não deixe a população à mercê. Porque não é só o problema da falta de atendimento, da falta de profissional; a oferta e a procura vão fazer com que aumente o preço dos médicos. Daí não vão estar lesados somente os municípios que tinham os médicos cubanos, mas todos os municípios”, finaliza.


Municípios do Sudoeste do Paraná e quantidade de médicos cubanos, que atuavam na região:

Município Nº de profissionais

  • Ampére 3
  • Barracão 0
  • Bela Vista da Caroba 1
  • Boa Esperança do Iguaçu 1
  • Bom Jesus do Sul 0
  • Bom Sucesso do Sul 0
  • Capanema 1
  • Chopinzinho 1
  • Clevelândia 2
  • Coronel Domingos Soares 3
  • Coronel Vivida 2
  • Cruzeiro do Iguaçu 1
  • Dois Vizinhos 3
  • Enéas Marques 1
  • Flor da Serra do Sul 0
  • Francisco Beltrão 2
  • Honório Serpa 1
  • Itapejara D’Oeste 0
  • Manfrinópolis 0
  • Mangueirinha 2
  • Mariópolis 2
  • Marmeleiro 0
  • Nova Esperança do Sudoeste 1
  • Nova Prata do Iguaçu 1
  • Palmas 3
  • Pato Branco 5
  • Pérola D’Oeste 1
  • Pinhal de São Bento 0
  • Planalto 1
  • Pranchita 1
  • Realeza 1
  • Renascença 2
  • Salgado Filho 1
  • Salto do Lontra 0
  • Santa Izabel D’Oeste 0
  • Santo Antônio do Sudoeste 0
  • São João 0
  • São Jorge D’Oeste 0
  • Saudade do Iguaçu 0
  • Sulina 1
  • Verê 0
  • Vitorino 0

Total: 44

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