Pato Branco

Lideranças querem 6ª Macrorregião para regulação do Samu não sair de Pato Branco

Os vereadores protestaram pela falta de transparência e de debate com a sociedade, nesse processo de mudança (Foto: Assessoria/Câmara)

A transferência da Central de Regulação do Samu 192 Regional Sudoeste, de Pato Branco para Cascavel, tem gerado muitos debates, dúvidas e até descontentamento, tanto por parte das autoridades, quanto dos colaboradores e da população.

Para abrir o diálogo e propor uma alternativa, no último dia 29, o Legislativo de Pato Branco promoveu uma audiência pública, no plenário da Câmara Municipal. Na oportunidade, o presidente do Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgências do Sudoeste (Ciruspar), prefeito de Dois Vizinhos, Raul Camilo Isotton, revelou que o processo que está em andamento havia sido aprovado pelos prefeitos da região. Na época, há mais de quatro anos, a situação econômica era ruim, porém, atualmente, a estrutura do Samu apresenta condições financeiras estáveis, pois o Estado aumentou o repasse de recursos.

Diante do quadro, ele se posicionou contrário ao processo de mudança. “Os prefeitos devem analisar muito bem o processo que está em andamento, observando quais as vantagens e prejuízos”, pontuou Isotton, acrescentado que “ações devem estar focadas na defesa do Sudoeste. Devemos deixar as nossas vaidades políticas de lado”.

Na audiência pública, também se manifestaram o vice-presidente do Conselho Estatual dos Secretários de Saúde do Paraná (Cosems), Ivoliciano Leonarchik; o representando do Sindicato dos Médicos do Paraná, Ricardo Martins; a secretária municipal de Saúde de Pato Branco, Marcia Fernandes de Carvalho; além dos vereadores que protestaram pela falta de transparência e de debate com a sociedade, nesse processo de mudança; e outras lideranças presentes.

Criação da 6ª Macrorregional

Conforme o Diário do Sudoeste já havia anunciado em outubro, a secretária Márcia aproveitou a oportunidade para frisar que o governador eleito Ratinho Junior (PSD), durante a campanha eleitoral, se comprometeu em criar a 5ª Macrorregional, com sede no município de Guarapuava, abrindo uma brecha para que se reivindique também a criação da 6ª Macrorregional, com sede em Pato Branco, para atender a demanda do Sudoeste. Atualmente existem quatro macrorregionais no Estado, com sede em Cascavel (Oeste), Curitiba (Leste), Londrina (Norte) e Maringá (Noroeste).

Na audiência, a secretária defendeu a criação da 6ª Macrorregional, cuja reivindicação foi entregue ao governador eleito por ocasião do processo eleitoral. Segundo ela, a partir de agora o trabalho deverá estar centrado na esfera política, pois tecnicamente a mudança da Central de Regulação de Pato Branco já está feita.

O presidente do Legislativo, vereador Joecir Bernardi (SD), reafirmou que a luta dos vereadores é pela ampliação da estrutura do Samu na região e, citou, por exemplo, que em Santa Catarina, os serviços de saúde contam com oito macrorregionais, justamente para melhor atender a população.

Bernardi frisou que com a criação da Macrorregional Sudoeste (a 6ª do Paraná), se mantém a regulação do Samu e, ainda, se ampliará o atendimento à comunidade sudoestina. “A rivalidade é importante, mas no futebol, agora é chegada hora das regiões de Pato Branco e Francisco Beltrão se unirem”, afirmou o vereador, que buscará junto à representação política apoio para concretizar a reivindicação.

O processo de transferência da Central de Regulação do Samu de Pato Branco já iniciou há algumas semanas, com a revitalização da central de regulação de leitos para concretizar o Complexo Regulador Macrorregional Oeste. Pelo cronograma, a Macrorregião Oeste integrará a 7ª, 8ª, 9ª, 10ª e 20ª Regionais de Saúde, respectivamente Pato Branco, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu, Cascavel e Toledo, regionais de Saúde do Paraná, abrangendo um total de 94 municípios, cuja sede será onde atualmente se encontram as instalações da regulamentação Consamu.

A audiência pública foi realizada no último dia 29, na Câmara Municipal de Pato Branco (Crédito: Assessoria/Câmara)

 

Impactos da mudança

A coordenadora geral do Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgências do Sudoeste do Paraná (Ciruspar) – Samu 192, Kelly Cristine Custódio dos Santos, avaliou que o debate na Câmara foi muito importante para esclarecer sobre as preocupações técnicas com os possíveis impactos da mudança.

“Esclarecer que não temos intenção alguma de afrontar o Consamu ou a Sesa, apenas mostrarmos que há condições de manter a estrutura e o serviço que é realizado há mais de cinco anos em nossa região, com muita dedicação dos profissionais envolvidos. Destacar ainda que a Região Sudoeste tem condições de buscar compor uma Macrorregião e manter a Regulação da Rede”, frisou.

André Ribeiro Morrone, médico regulador do Samu e coordenador técnico do Núcleo de Educação Itinerante (NEI), apresentou informações técnicas e disponibilizou informações financeiras, que demonstram como é a manutenção do serviço. Morrone está no Samu desde o início e participou de todo o processo de implantação do consórcio.

Ele explicou que o Samu 192 Sudoeste integra as 7ª e 8ª Regionais de Saúde, com 42 municípios, e a Central de Regulação possui 16 ambulâncias, sendo 4 com Unidade de Suporte Avançado (USA) e 12 com Unidade de Suporte Básico (USB). A área territorial é de mais de 17 mil km2, com população de 625.735 habitantes e 10 municípios com base para equipes.

A Central de Regulação possui centro operacional com função reguladora nos casos de urgência e emergência, regula o uso de recursos escassos (demanda x oferta) das diversas instituições, é observatório da rede de atenção as urgências e escuta médica permanente e qualificada 24 horas por dia. Além disso, identifica necessidade e direciona o recurso necessário para a solução do caso, utiliza metodologia adequada para classificar os pedidos, toma decisão técnica, com dimensão gestora.

Entre os questionamentos apresentados por Morrone, destacou-se a pergunta: será que o impacto gerado pela redução dos custos na região, com a transferência da Central de Regulação, é válido, se poderá colocar em risco a vida de muitos pacientes, e se levarmos em conta o atendimento que existe hoje, que tem resultado em menos sequelas, menos mortes e menos dependentes do INSS?

Com a mudança, a macro central 192 de Cascavel vai absorver três vezes mais demanda de ligações, deixará de atender 900 habitantes para atender 2 milhões, referentes às cinco Regionais de Saúde (7ª, 8ª, 9ª, 10ª e 20ª). “Todo o vai e vem de comunicação poderá ficar suscetível a algum ruído, falhas de comunicação. O nosso usuário que competia com 600 mil habitantes, nas ligações, passará a competir com 2 milhões. Pode ser que o atendimento demore mais. Porém, o nosso rádio operador vai continuar em Pato Branco para despachar a nossa frota”.

Outro fator é que se der divergência no endereço da vítima, a ambulância em atendimento vai precisar ficar parada aguardando que a central em Cascavel contate o usuário solicitante aqui na região, para checar as informações e repassá-las à equipe. Isso pode atrasar o atendimento, que precisa ser rápido, pois perder tempo pode determinar a vida ou a morte desse paciente.

“No documento oficial diz que ‘será um projeto experimental no estado do Paraná’, e isso me incomodou. Por que têm que fazer experiência aqui com a gente, se está tudo bem, se o serviço funciona, se é um projeto que está bem consolidado?”, questionou Morrone, lembrando que “na hora que desmanchar a nossa central de regulação, nunca mais teremos o serviço como temos hoje na região”.

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