Pato Branco

Lançado livro de Luiz Marini sobre a Revolta dos Posseiros

Capa do livro cuja foto registra o momento em que Porto Alegre rendeu um dos jagunços

Dentro da programação especial alusiva aos 60 anos da Revolta dos Posseiros do Sudoeste do Paraná, o escritor Luiz Marini lançou na noite desta segunda-feira (9), no Teatro Municipal Naura Rigon, em Pato Branco, o livro “1957 – Revolta dos Colonos, Lembranças de um Idealista”.

O teatro ficou lotado para o evento, que contou com a presença da secretária estadual de Educação do Paraná, Ana Seres Trento Comin, além de lideranças locais, representantes da Alap (Academia de Letras e Artes de Pato Branco), protagonistas da Revolta, como Jácomo Trento (o Porto Alegre) e Ivo Thomazoni – líderes do levante cujos depoimentos embasaram o livro –, entre outros.

De acordo com Thomazoni, o livro escrito por Marini humanizou a forma de retratar a Revolta. O autor reuniu fatos da história contada por Porto Alegre, Thomazoni e familiares de outros personagens que vivenciaram o movimento.

No livro, Porto Alegre destaca que “um idealista nunca morre, pois fica na memória do povo para sempre”. Ele afirma que teve que tomar uma medida drástica, nos anos do levante. “Depois que as companhias colonizadoras afirmaram que eu tinha 25 anos e não chegaria aos 26 anos, comecei a andar sempre armado com um revólver em cada lado do cinto e em cada cano da bota. Sempre tinha um rifle Winchester encostado entre os dois bancos do jipe. Eu gostava de viver perigosamente”.

Marini destaca que Porto Alegre cumpriu a sua missão de coordenar o movimento e tão logo as companhias e seus jagunços deixaram a região Sudoeste, retornou suas atividades normais de vendedor de produtos da Casa Rádio onde era um dos sócios-proprietários.

“Thomazoni era amigo do Pedrinho Barbeiro, que foi assassinado no Verê em 21 de maio de 1957, e isso o compeliu a lutar junto com os colonos e posseiros pela libertação das garras das companhias Comercial e Apucarana, que se diziam donas das Glebas Missões e parte da Chopim”, relembrou Marini.

No livro, o autor destacou que não se sabe ao certo quantos colonos morreram na batalha, porque muitos moravam no meio do mato, no interior, e muitas vezes pouca gente sabia de sua existência. Muitos desapareceram e os vizinhos pensaram que haviam retornado às suas regiões de origem, muitos sumiram quando fugiam para a região da fronteira, na Argentina, e ninguém mais sabia de seu paradeiro.

“As companhias procuravam esconder os fatos quando os jagunços eram mortos. Como não tinham registro algum, quando morriam eram dados como desaparecidos e somente as companhias sabiam disso. O levante tornou-se a única revolta popular que obteve êxito em suas pretensões no Brasil, pois os colonos expulsaram as companhias e seus jagunços, e obtiveram a titulação de suas terras alguns anos depois, colocando um fim no conflito que se desenvolve por muitos anos”, ressaltou.