Pato Branco

Geloteca com livros em Braille será inaugurada nesta quinta-feira

Livros novos e livros em Braille que abastecerão as Gelotecas (Foto: Helmuth Kühl)

Nesta quinta-feira (7), às 10h30, o Rotary Club Pato Branco-Araucária vai inaugurar a terceira Geloteca em Pato Branco. Desta vez, a geladeira repleta de livros será exclusivamente para a utilização de cegos, pois disponibilizará apenas livros em Braille. A nova Geloteca será instalada no Colégio Estadual Castro Alves, que fica localizado na rua Itacolomi, 1550, no Centro, justamente porque é a instituição que atende alunos com deficiência visual no município.

Segundo os coordenadores do projeto, o objetivo da Geloteca é proporcionar à população acessibilidade gratuita a livros de literatura, e assim, incentivar e despertar o hábito da leitura nos indivíduos, bem como, estimular a prática do civismo.

O projeto se materializa através da utilização de geladeiras usadas, as quais passam por reforma e customização para se tornarem bibliotecas, onde são dispostos livros de literatura adulto e infantil. No momento são mantidas duas Gelotecas em Pato Branco, a primeira foi inaugurada em 15 de junho de 2016 no supermercado Center Norte, que hoje está instalada no Center Centro, e a segunda foi inaugurada no dia 29 de novembro de 2016, no Hospital do Câncer de Pato Branco, que atende pacientes de vários municípios da região Sudoeste do Paraná e Oeste de Santa Catarina.

“Foi pensando em acessibilidade para todos que o Rotary Club Pato Branco-Araucária se mobilizou para ampliar o projeto e promover o acesso à leitura para cegos através de livros em Braille. Para isso, firmou parceria com o Colégio Estadual Castro Alves”, afirmaram os idealizadores.

Livros em Braille

Em entrevista ao Diário do Sudoeste, Adilson Fernando Riette, presidente da comissão de projetos humanizados do Rotary Clube Pato Branco-Araucária, contou que na nova Geloteca serão disponibilizados livros em Braille, doados pelo Instituto Benjamin Constant (IBC), que é um órgão ligado ao Ministro da Educação (MEC), referência nacional na área da deficiência visual.

Atualmente o IBC é mais do que uma escola que atende crianças e adolescentes cegos, surdocegos, com baixa visão e deficiência múltipla; é também um centro de referência, a nível nacional, para questões da deficiência visual, capacitando profissionais e assessorando instituições públicas e privadas nessa área, além de reabilitar pessoas que perderam ou estão em processo de perda da visão.

Ao longo dos anos, o IBC tornou-se também um centro de pesquisas médicas no campo da Oftalmologia, possuindo um dos programas de residência médica mais respeitados do País. Através desse programa, presta serviços de atendimento médico à população, realizando consultas, exames e cirurgias oftalmológicas.

O Instituto é comprometido também com a produção e difusão da pesquisa acadêmica no campo da Educação Especial. Através da Imprensa Braille, edita e imprime livros e revistas em Braille, além de contar com um farto acervo eletrônico de publicações científicas.

Segundo Fernando, o Colégio Castro Alves disponibiliza para os alunos apenas livros didáticos em Braille, e agora a nova Geloteca vai oferecer também livros de literatura.

Novos e usados

Além disso, o Rotary também abastece com livros novos as outras duas Gelotecas. Para isso, realiza anualmente, no Dia Nacional do Livro (29 de outubro) uma campanha de arrecadação de exemplares na praça Presidente Vargas, onde para cada livro usado e em bom estado doado pela comunidade, a entidade doa outro livro novo. Nesse ano, segundo Fernando, foram arrecadados junto à população 180 livros, e o Rotary doou mais 180 livros novos. Esses livros servirão para abastecer as Gelotecas localizadas no supermercado e no Hospital do Câncer.

Leitura e cidadania

Na oportunidade, Fernando revelou que o objetivo principal do projeto é incentivar à leitura, mas também despertar a consciência coletiva de civismo, através do hábito de pegar o livro emprestado, ler e devolver à geladeira, para que outro também possa usufruir dele.

“Mas, infelizmente, nem todo mundo já adquiriu esse hábito. Muitos livros não são devolvidos. Algumas pessoas começam a ler e esquecem que precisam devolver. Gibi, por exemplo, não vamos mais disponibilizar, porque foram mais de 300 Gibis colocados nas Gelotecas e nenhum foi devolvido até agora. Eles não retornam. Infelizmente vamos parar de oferecer esse tipo de leitura. Mas, de modo geral, o projeto tem obtivo bons resultados, principalmente em se tratando de doações de livros”, destacou Fernando, revelando que se houver mais conscientização em relação ao fato de que é fundamental devolver o livro após lê-lo, uma quarta Geloteca poderá ser instalada em Pato Branco no próximo ano.