Pato Branco

Gatos morrem supostamente envenenados em Pato Branco

Apesar de todos os esforços e prontidão da equipe os animais não sobreviveram (Foto: Veterinários com Amor)

Uma triste coincidência chamou a atenção nesse fim de semana em Pato Branco, quando uma clínica veterinária atendeu, de sexta-feira (9) a segunda (12), durante o plantão de emergência, quatro casos de gatos com sintomas semelhantes, em estado grave de saúde, que acabaram morrendo devido a suposto envenenamento. Coincidentemente, os gatos pertenciam a tutores que moravam em bairros próximos, como Cristo Rei, Morumbi e São Roque.

De acordo com a médica veterinária da clínica que atendeu os animais, Karine Pacheco, o gatinho atendido ontem já chegou morrendo. O que foi atendido domingo, chegou com sinais de envenenamento, apresentando salivação, pupila dilatada, vômito. “Os outros chegaram com vida, mas com hemorragia pulmonar e oral, salivação, espasmos e contração muscular. Foram direto para a emergência, entubados, todos os procedimentos realizados, mas morreram em seguida”, lamentou.

Ainda no domingo, a clínica postou um alerta nas redes sociais. “Os tutores socorreram de imediato, mas infelizmente os animais vieram a óbito rapidamente, apesar de todos os esforços e prontidão da nossa equipe. Pelos sinais clínicos, suspeitamos de envenenamento por chumbinho e veneno para ratos misturados. Um sofrimento horrível para cada gato e para sua família. (…) estamos postando para que os moradores fiquem atentos e denunciem se souberem quem está fazendo isso. Envenenar animais é crime e quem está fazendo isso precisa parar! Quem tiver qualquer pista, faça a denúncia para a polícia militar, pelo 190! Protejam seus animais, evitem que saiam de casa e denunciem qualquer sinal de maus tratos que presenciarem! Se souberem de algum estabelecimento ou pessoa física vendendo chumbinho, denuncie também, pois esse veneno tem venda e utilização proibidas no Brasil”.

Karine explicou que nesses casos, infelizmente, é comum associarem mais de um tipo de veneno, o que reduz ainda mais as chances de sobrevivência. “Na maioria das vezes nem dá tempo de chegar até o veterinário”, completou.

Crime frequente

A presidente do Conselho Municipal de Proteção dos Animais, Tatiana Trevisan, revelou que infelizmente esse tipo de situação não é uma coisa rara. Seguidamente acontecem casos de envenenamento, não só com animais que vivem nas ruas, mas também dentro dos pátios das residências.

Ela contou que o conselho vai cobrar medidas do poder público para que casos como esses sejam coibidos e lembrou que na semana passada o Senado Federal aprovou um projeto de lei que cria o regime jurídico especial para os animais, não podendo mais ser considerados objetos.

Com a aprovação, os animais passam a ter natureza jurídica sui generis, como sujeitos de direitos despersonificados. Eles serão reconhecidos como seres sencientes, ou seja, dotados de natureza biológica e emocional e passíveis de sofrimento. Com as mudanças na legislação, os animais ganham mais uma defesa jurídica em caso de maus tratos, já que não mais serão considerados coisas, mas seres passíveis de sentir dor ou sofrimento emocional.

Boletim de Ocorrência

Tatiana explicou que é fundamental que – quando os animais forem vítimas de envenenamento – os tutores procurem a polícia e registrem Boletim de Ocorrência (BO), para ajudar as autoridades policiais a encontrarem as pessoas responsáveis pelo crime. Isso porque, com o endereço da residência do animal, fica mais fácil de identificar se foram envenenados pelas mesmas pessoas. “Nem sei se podem ser chamados de seres humanos, porque preparar a mistura com venenos e moer vidros é premeditar o crime”, frisou.

 

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