Opinião

Ética, respeito e consideração: papéis da família e da escola

Continuando o tema da semana passada, converso hoje, mesmo que rapidamente, sobre o ensino de ética nas escolas.

Sabemos que há muita polêmica entre educadores a respeito de se ética deve ser ensinada na escola ou é uma responsabilidade apenas da família. Apesar da polêmica envolvida, é um fato que a escola influencia diretamente no desenvolvimento de valores dos estudantes.

Assim como entendo que a educação de valores, e ética, é muito mais que um valor, é um principio de convivência e respeito humano, deva ser de responsabilidade da família em primeiro lugar, precisa ser complementada na escola.

Isso porque na família não ocorrem todas as situações de aprendizagem de relacionamentos interpessoais e de respeito necessários ao bom convício social.

Naturalmente que é na escola que os estudantes terão a oportunidade de conviver com a diversidade de todas as formas, e necessitarão aprender a respeitar a todos.

Nessa perspectiva, é preciso questionar, então, qual é o papel da escola? Como ensinar ética na escola? Qual o papel dos professores, já que são eles que atuam diretamente com os estudantes?

Penso que esse tema precisa estar no Projeto Político Pedagógico da Escola como um de seus princípios fundantes. Depois, no mesmo PPP precisa estar claro quais são os objetivos, seus valores e regras como instituição de ensino e educação.

Além de estar nos documentos oficiais da escola, a questão ética precisa ser vivenciada no cotidiano da escola pelos funcionários, professores e direção, ou seja, outra vez é importante lembrar que o exemplo ensina mais do que as palavras.

Não se pode apenas pensar que a “ética” seja um conteúdo a ser ensinado numa disciplina ou de maneira transversal nas disciplinas do currículo. O comportamento dos profissionais que atuam na escola, desde os motoristas até a direção precisam dar provas de comportamento ético por meio das ações que executam no dia a dia da escola.

É muito comum saber que educadores de todas as esferas da educação enfrentam o grande desafio para lidar com a indisciplina no contexto escolar, tanto em escolas públicas quanto nas particulares.

Ora, a vida em sociedade pressupõe a criação de regras e valores que norteie as relações sociais, bem como favoreça o diálogo, a cooperação e a multiplicação dos valores apreendidos, que serão compartilhados por um mesmo grupo social.

A escola por sua vez, necessita de normas e regras como parâmetros que facilitem a convivência entre grupos heterogêneos. Sob essa ótica as regras deixam de ser vistas como prescrições aniquiladoras, mas sim como necessárias para o bom convívio social e quando estabelecidas regras de convivências comuns para um mesmo grupo, seu descumprimento configura a indisciplina que em última análise acaba sendo uma questão de ética por ferir o direito de todos.

Assim, entendemos que a ética é a parte da filosofia que discute os sistemas pessoais e culturais de valores. Ela se preocupa em encontrar um fim legítimo para as motivações e atitudes humanas, procurando discernir noções de certo e errado, bom e mau. Ela é a investigação geral sobre aquilo que é bom, e tem por objetivo facilitar a realização das pessoas. Que o ser humano chegue a realizar-se a si mesmo como tal, isto é, como pessoa.

Assim é necessário que a ética seja trabalhada no contexto da sala de aula, na prática.

Para que haja o desenvolvimento de um trabalho que promova a apreensão de regras de valores, ou ainda mudanças comportamentais que possam garantir o estabelecimento de relações permeadas pela fundamentação ética, é importante que o educador desenvolva um projeto com metas e prazos pré-estabelecidos, porém com flexibilidade para rever ou reajustar de acordo com as necessidades que forem surgindo.

A intenção é a de que o professor possa por meio de distintos portadores, abordar a temática em questão, a fim de promover discussões que levem o aluno a repensar suas atitudes cotidianas e assim reverter sua postura diante do outro ou de uma determinada situação.

Para isso, é necessário que algumas atitudes se tornem imprescindíveis: Respeitar a diversidade existente em sala de aula; motivar a aprendizagem; inovar para que as aulas sejam sempre criativas; tratar os alunos de forma ética sem privilegiar ou rotular; dar o exemplo a ser seguido; ter uma postura ética ao falar com os alunos; estabelecer regras e combinados, conjuntamente com os alunos, cobrando-os sempre que descumpri-las; saber ser firme, porém procurando mostrar o motivo e não simplesmente impor; em conjunto com os alunos, procurar ser justo diante de uma situação; favorecer para que tudo o que foi prometido seja cumprido; promover o diálogo como forma de se alcançar de modo harmônico um consenso entre todos; incentivar os alunos para que conversem e cheguem a uma conclusão a respeito de um impasse.

Trabalhar ética em sala de aula pressupõe, que por meio do letramento, de forma interdisciplinar o tema seja abordado, visando garantir o respeito às diferenças e o combate ao preconceito e a discriminação seja racial, social, religiosa, moral, intelectual, entre outras.

A criança deve ser orientada quanto à necessidade de respeitar o próximo e as diferenças. Oportunizando que estas percebam a necessidade da ética para uma vida satisfatória em sociedade.

Levar a criança a avaliar e repensar suas ações cotidianas, propor mudanças de atitudes preconcebidas, além de estimular o letramento, pense nisso, enquanto lhe desejo boa semana.


Professor – Pedagogo-Psicopedagogo Clínico e Institucional- Gestor de Educação Pública – Secretário Municipal de Educação de Vitorino-PR- Educador - Doutor em Educação. Membro do Conselho Estadual de Educação do Paraná. www.dirceuruaro.com.br e-mail [email protected]

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