Economia

Em pregão morno, juros futuros fecham em leve queda com ajustes pós-previdência

Em uma sessão de liquidez reduzida, as taxas dos principais contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) pouco oscilaram e terminaram o pregão desta segunda-feira, 15, com viés de queda, a despeito da alta do dólar e do resultado levemente acima do esperado do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) em maio. Segundo operadores, o ligeiro recuo das taxas hoje reflete um ajuste natural de posições, com investidores devolvendo os prêmios acumulados na sessão estendida do pregão de sexta-feira, em meio a certo desconforto com o adiamento da votação do segundo turno segundo da reforma da Previdência na Câmara para agosto.

A taxa do DI para janeiro de 2021 encerrou a 5,56%, ante 5,598% no ajuste de sexta-feira. DI para janeiro de 2023 desceu de 6,33% para 6,32%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 encerrou a sessão a 6,86%, ante 6,88% no ajuste anterior.

Apesar do atraso em relação ao calendário estabelecido inicialmente pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a percepção é de que a reforma será aprovada com facilidade em segundo turno na Câmara e passará sem grandes sobressaltos pelo Senado. A presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Simone Tebet (MDB-RS), prevê que a matéria seja apreciada no colegiado entre três semanas e um mês. Já o prazo total para tramitação na reforma na casa seria de 60 dias.

A despeito de a votação em segundo turno na Câmara ter ficado para agosto, os investidores mantêm a aposta de que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie um processo de redução da taxa Selic na reunião da este mês (dias 30 e 31).

Segundo cálculos da gestora de recursos Quantitas, as taxas futuras refletem chances de 57% de corte da taxa básica em 0,25 ponto porcentual e 43% de redução em 0,50 ponto. Entre 27 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, 16 esperam queda da Selic 0,25 ponto porcentual neste mês. Já oito acreditam em queda maior de 0,50 ponto porcentual, enquanto três esperam manutenção.

"A gente viu um desconforto do mercado na sexta com o adiamento para agosto, mas a grande questão é que a Previdência deve passar e sem grande desidratação", afirma o gestor de investimentos Paulo Petrassi. "Com o risco-país num nível muito baixo, dólar na casa de R$ 3,75, juro baixo lá fora e um quadro muito ruim da economia aqui dentro, não tem como o Copom ficar parado", afirma Petrassi, que aposta em redução de 0,50 ponto porcentual da Selic neste mês.

Pela manhã, o BC divulgou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) subiu 0,54% em maio ante abril (na série com ajuste sazonal), acima da mediada calculada pelo Projeções Broadcast. Apesar de representar uma forte aceleração na comparação com o resultado de abril (-0,32%), a Guide Investimentos ressalta que indicador "segue em um patamar baixo" e caso a melhora "não se estenda para junho, existem grandes chances de o país ter um primeiro semestre com crescimento zero ou até mesmo negativo".

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