Vanilla

Duas décadas de um quase silêncio

Morte de Kurt Cobain completa 20 anos, mas sua música continua reverberando em novas gerações

Em abril de 1994 o vocalista e guitarrista do Nirvana, Kurt Cobain, cometeu suicídio na estufa de sua casa em Seattle, noroeste dos Estados Unidos. Com um tiro de espingarda, Cobain deu fim a sua vida e também colocou algumas reticências em um importante capítulo da história da música.

Mesmo 20 anos depois da morte de seu líder, jovens que nunca viram a banda em atividade ainda vestem camisetas do Nirvana, afirmando de que há sentimentos e forças midiáticas que são atemporais.

Kurt Cobain compôs e cantou sobre o lado mais melancólico da adolescência. Dúvidas, busca por identidade e um lugar no mundo, rebeldia quase sem causa, enfim, sobre conflitos vividos em diferentes graus por gente de ontem, de hoje, e certamente de amanhã.

No caso do letrista do Nirvana, tais dores eram multiplicadas por mil por conta de uma depressão profunda, causada muito provavelmente pela separação dos pais ainda na infância, como especula seu biógrafo, Charles Cross, no livro “Mais Pesado que o Céu – Uma biografia de Kurt Cobain”.

Antes de virar astro do rock, Kurt passou a adolescência perambulando pela casa de parentes e amigos e chegou a usar seu carro, o corredor de prédios abandonados e até salas de espera de hospitais como local de sono.

Duas descobertas seriam respectivamente sua ascensão e queda: o amor pela música e o vício em heroína. Mesmo depois de várias tentativas de tratamento, incentivadas por seus amigos e pressionadas por seus empresários, a droga conseguia levar o músico já milionário para as mais obscuras sarjetas.

Cheiro adolescente

Kurt Cobain foi um guitarrista talentoso, mesmo sem muita instrução formal no instrumento. Coerentemente, o punk rock e o hardcore foram suas principais influências.

Com o Nirvana, ele ajudou a sedimentar o terreno de toda uma cena de bandas independentes que pululavam pelo noroeste americano, cujo gênero foi batizado de grunge, ou “hard punk” para as massas.  Esse foi um de seus principais legados em vida.

O legado de sua morte foi mistificar o Nirvana, encerrando sua carreira musicalmente digna com três discos: Um bom (In Utero, 1993), um muito bom (Bleach, 1989), e uma lenda, (Nevermind, 1991), além de várias coletâneas, discos ao vivo, participações especiais e discos com sobras de estúdio, como Incesticide, de 1992.

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