Saúde

Dor neuropática periférica trigeminal

A dor neuropática tem sido definida pela Associação Internacional para o Estudo da Dor como uma dor iniciada ou causada por uma lesão primária ou uma disfunção no sistema nervoso. Representa uma anormalidade estrutural ou funcional do sistema nervoso central (SNC) ou periférico.
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Existe uma grande variedade de etiologias que podem levar à dor neuropática, como infecções, trauma, anormalidades metabólicas, quimioterapia, cirurgia, radiação, neurotoxinas, compressão do nervo, inflamação e infiltração neoplásica.

A dor mediada perifericamente é composta de um grupo de distúrbios neuropáticos, que tem sua etiologia no interior do próprio nervo, e não no sistema nervoso central.

Dentre os fatores etiológicos, destacamos a neurite periférica, que é uma condição dolorosa que se relaciona com o tronco nervoso periférico total, e não só com as terminações nervosas e ramos terminais. Os sintomas sensitivos, motores e autonômicos podem estar presentes, dependendo do conteúdo de fibras do nervo afetado. A dor neurítica tem uma qualidade persistente, constante e em queimação bem características.

A causa provável de um neurite periférica é o processo inflamatório ao longo do curso de um tronco nervoso, secundariamente a causas traumáticas, bacterianas, virais ou tóxicas.

Na odontologia, deve-se ter uma atenção extrema a casos de neurite periférica, pois muitos casos de dentes endodonticamente tratados com diagnósticos de tratamento de canal não deveriam ter sido executados, visto que pacientes com neurite periférica com dentes tratados endodonticamente continuam com dor, visto que o problema não estava relacionado ao dente.

No caso de dentes superiores, pode ocorrer em função de uma inflamação do seio maxilar e, como os nervos dentários repousam logo abaixo da mucosa de revestimento ou são separados por estruturas ósseas muito delgadas, são vulneráveis ao envolvimento por extensão direta. Esta não é uma relação raiz-dente, mas neural.

Quando uma sinusopatia causa inflamação do plexo nervoso dentário, uma odontalgia neurítica pode ocorrer em qualquer dente superior naquele lado. Quando os dentes superiores anteriores são afetados, geralmente os sintomas sinusais são subclínicos devido a relativa insensibilidade da mucosa sinusal. Muitos dentes afetados dessa maneira já foram tratados endodonticamente, e até removidos, mas a dor persistiu.

Uma odontalgia neurítica que surge de uma inflamação de um nervo alveolar inferior ocorre com mais frequência por inflamação no canal mandibular, em geral por traumas ou infecção.

A origem mais comum é uma cirurgia envolvendo terceiros molares inferiores profundamente inclusos e cirurgias de colocação de implantes dentários. Nesses casos, observa-se com frequência parestesia ou a anestesia do lado inferior. Rigidez dos contatos dentários e várias sensações de dentes mortificados podem ser descritas. A dor mucogengival e as sensações de edema na distribuição periférica do nervo alveolar inferior são comuns.

 

A exodontia de terceiros molares se tornou bastante frequente e, por isso, é importante atentar para os cuidados necessários a fim de se evitar possíveis complicações pós-operatórias, dentre as quais a parestesia.

Essa é uma condição que pode trazer um considerável grau de desconforto e incomodo para o paciente, que relata ausência de sensibilidade em determinada região, formigamento, dormência, sensibilidade alterada ao frio e ao calor, fisgada e coceira. A estreita relação com o nervo alveolar inferior aumenta os riscos de alguma lesão desse nervo. Algumas medidas podem ser adotadas pelo dentista no intuito de prevenir esse tipo de intercorrência, como a utilização de exames complementares de imagem, como panorâmica, tomografia, e uma boa qualificação do profissional que irá executar o tratamento.

Nos casos de instalação de implantes dentários, o prejuízo sensorial associado a pele e a mucosa da face pode ocorrer durante as diferentes fases de instalação dos implantes dentários, incluindo anestesia, incisão e deslocamento tecidual, osteotomia, inserção do implante, sutura ou pelo edema pós operatório.

A sintomatologia pode ser transitória ou permanente, dependendo do grau da lesão do nervo alveolar inferior, manifestando-se clinicamente como uma diminuição da sensibilidade cutânea (anestesia/hipostesia), sensação cutânea subjetiva espontânea associada a formigamento / dormência (parestesia) ou até dor neuropática.

A dor neuropática pode ainda ser uma sensação dolorosa causada por estímulos que habitualmente não causam dor (alodinia), respostas exageradas a estímulos táteis ou dolorosos.

A lesão do nervo alveolar inferior está associada a casos em que há íntima relação da área cirúrgica com o nervo e, consequentemente, onde a injúria pode ser prevista e o risco, assim, antecipado.

Exames complementares de imagens como tomografia, ajudam o dentista a ter uma melhor previsão do quadro cirúrgico, podendo prever possíveis dificuldades antes mesmo de começar o tratamento. Uma boa capacitação do profissional é de suma importância.

 

Leandro Freitas Tonial - Especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial. CRO 15245

 

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