Vanilla

Desta vez fugi do frio

As férias de uma repórter no Rio Grande do Norte
(Foto: Arquivo pessoal Marcilei Rossi)

Cada região brasileira tem seus atrativos turísticos e com isso, que no momento de pensar nas férias, ou naquele feriadão, vários fatores acabam “pesando”.

No meu caso, se o turismo nacional tivesse algum tipo de registro aos moldes do passaporte, o meu estaria repleto de carimbos, frutos das idas e vindas ao Rio Grande do Sul.

Tudo bem, morei lá por dois anos. Fiz amigos, conheci lugares fantásticos e que não me canso de voltar para visitar, matar a saudade na verdade. Sem falar no fato de que existe o fator de proximidade cultural. E, quando digo cultural, está envolvida a gastronomia e os costumes, bastante parecidos com os do Sudoeste do Paraná. Mas esse não foi o roteiro das férias deste ano.

Este ano as minhas foram ao Rio Grande, mas o do Norte. Sim, fui de um extremo ao outro. Deixei de lado o chimarrão, o vinho, o espumante e o churrasco, e parti rumo a água de coco e de caipirinhas de frutas que pouco ouvimos falar no Sul.

Muito mais do que isso, deixei de lado o primeiro frio de 2018, pelo calor sempre presente no Nordeste brasileiro, e devo dizer: não me arrependo. Acredito que esse é o mesmo sentimento das minhas companhias de viagem, duas amigas, que com certeza vão estar nas próximas férias também.

Confesso que, pensando agora, seria uma ótima experiência chegar a Natal pela BR-101 [rodovia que tem seu KM 1 em Touros no Rio Grande do Norte e seu KM *** em São José do Norte no Rio Grande do Sul], rodovia que corta o país pelo litoral.

Mas, a opção foi a aérea. Assim, desembarcamos no Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alvez, mais conhecido como Aeroporto Internacional de Natal, localizado em São Gonçalo do Amarante, cidade distante 19 quilômetros da capital potiguar, para conhecermos locais paradisíacos e ao final de tudo, quando retornamos ao aeroporto, ficarmos com o sentimento de que sem sombra de dúvidas as férias valeram a pena e que voltaríamos facilmente.

Natal e as cidades vizinhas têm muito a oferecer, e o melhor de tudo, do litoral sul ao norte o turista sempre terá várias opções do que conhecer. Claro, sempre levando em conta a intenção de cada um.

Uma das coisas acertadas dessas férias foi sentar com minhas companheiras de viagem e definir o que gostaríamos de fazer. Definidos os roteiros, nos restou aproveitar e até mesmo por alguns dias, mesmo que poucos, tentar esquecer dos problemas do cotidiano.

Vale lembrar ainda que, nesta parte do Brasil, o sol nasce cedo e se põe cedo. Então, para ver os primeiros raios de sol, é preciso acordar antes das 5h30, mas o espetáculo é maravilhoso. Outra dica é que o sol se faz presente durante 12 horas do dia, então aproveite!

 

1º Dia

Uma forma de buscar conhecer melhor o destino das férias é fazer o tradicional City Tour. Por meio dele, acaba-se conhecendo um pouco da história do lugar, sem falar que já começa a visitar lugares que fazem parte daquela lista de indispensáveis.

No caso do City Tour de Natal, é possível conhecer o Maior Cajueiro do Mundo, em Paranamirim. A árvore ocupa uma área de aproximadamente 8,5 m², com um tamanho equivalente a 70 cajueiros.

Além de conhecer a história da árvore, passarelas construídas permitem percorrer entre galhos que em alguns momentos são raízes. Um mirante dá a dimensão total do cajueiro que tem um perímetro de aproximadamente 500 metros.

Desse mesmo mirante é possível ver as águas horas esverdeadas mescladas com um azul indescritível da praia de Pirangi do Norte, que com uma larga faixa de areia acaba atraindo bastante famílias com crianças.

Também é possível conhecer a praia de Camurupim, com suas piscinas naturais e areia limpa. E, para aqueles que desejarem, tem a possibilidade de stand up paddle. Mesmo com muita recomendação, de “não subam nas pedras”, aqueles que desejaram “desobedecer”, os alertas podem percorrer sempre com cautela um amplo maciço de pedras próximo a praia.

Ainda, é por meio desse passeio guiado, que se percorre toda a via costeira de Natal e se avista o Forte dos Reis Magos (não visitei), mas é nele que está parte da história da fundação da capital do Rio Grande do Norte.

Construído em forma de estrela, ele sofreu um ataque de holandeses em 1633. A dominação holandesa perdurou na região por 21 anos, pois somente em 1654 é que esta parte do Brasil, voltou a ser de domínio dos portugueses.

 

2º Dia

Tradicionalmente os passeios iniciam por volta das 8h, porém quando contratamos o passeio de buggy pelo Parque Estadual das Dunas de Genipabu, deixemos claro que nosso retorno ao hotel seria depois do horário tradicional (o por que você logo vai entender), assim, nossa saída foi às 9h.

Saímos de Ponta Negra onde estávamos hospedadas e fomos até o parque. Como parte do trajeto é feito em rodovia, as regras de trânsito devem ser observadas. Regras essas que parece que todos esquecem no momento que o bugueiro pede: Com ou sem emoção?

Nossa opção foi com emoção. Percorremos lindas dunas — algumas móveis, outras fixas — conhecemos lagoas encantadoras. Em alguns momentos a areia clara terminava em um infinito, onde acontecia a junção do azul do mar com o do céu.

O parque foi criado em 1977, é uma reserva de 1.172 hectares em plena Mata Atlântica, e muito mais do que imortalizado em fotografias tiradas diariamente por turistas, já foi set de filmagens da teledramaturgia brasileira.

Nele está o também badalado passeio de dromedários. Sem sombra de dúvidas, é uma forma exótica de percorrer parte do parque. E um pouco mais adiante existe a possibilidade de tirolesa direto para a água doce das lagoas que se formam em meio as dunas.

Como o passeio dura o dia todo, a parada para o almoço é em restaurantes a beira-mar, depois de um longo sobe e desce de dunas e muito cabelo ao vento.

Se no dia anterior vimos o sol nascer, neste dia em especial vimos ele se pôr. Programamos nosso roteiro para regressarmos à praia de Genipabu que dá o nome ao parque.

Sem sombra de dúvidas foi uma das experiências mais encantadoras de toda as férias. Por alguns momentos me transportei a um momento mágico. Os últimos raios de sol, batendo nas águas do Atlântico fizeram valer muito a opção de sair mais tarde do hotel para apreciar o pôr do sol.

 

3º Dia

Quem nunca sonhou em nadar com peixes em alto mar? Tá, confesso que nunca [minha relação com água é de bastante respeito, principalmente quando ela passa da minha cintura], mas foi uma experiência bastante válida.

Para chegar a ela, saímos de Ponta Negra e partimos para os Parrachos de Maracajaú, no município de Mazaranguape, que nada mais é do que o ponto da América do Sul mais próximo da África.

Reduto de pescadores, as praias de Maracajaú e de Punaú, vem nos últimos anos recebendo turistas. Entre as opções do local estão passeios de buggy, quadriciclo, mergulho com cilindro e com snorkeling.

O mergulho propriamente é feito a cerca de sete quilômetros da costa, em uma área que é conhecida como o “Caribe do Rio Grande do Norte”. Na área dos parrachos é possível observar uma diversidade de peixes e corais. No caso dos corais, dependendo da maré eles chegam a aflorar à superfície.

Quando se regressa à embarcação e se olha para a linha costeira, se observa o vasto parque eólico, é também nesta região do litoral que está uma das maiores salinas do Estado.

 

4º Dia

A praia de Pipa não poderia ficar de fora de roteiro. Localizada no litoral Sul, em Tibau do Sul, distante cerca de 85 quilômetros de Natal,

O nome do local é da época da chegada dos portugueses, no período de colonização do Brasil. Os portugueses denominam de “pipa”, as barricas onde são guardados o vinho e o azeite. E ao avistarem uma grande pedra na costa, os colonizadores identificaram a semelhança e deram nome ao local.

Pipa hoje é um reduto de pescadores e surfistas e sabe muito bem receber os turistas. Mas mais do que isso, é um lugar de praias lindas e limpas, além da água cristalina e de temperatura agradável.

Nossa opção foi em ficar um dia, mas ouvimos muito de que a vida noturna do lugar é movimentada e que valeria a pena ficar um pouco mais.

Da mesma forma que não tem como deixar de conhecer o artesanato local na feirinha, estar próximo aos golfinhos é programação certa.

O passeio é feito em lanchas, no roteiro se avista ao longe a praia do Amor, a do Madeiro e a Baía dos Golfinhos.

Pipa é daqueles lugares que de que vale a pena conhecer todas as praias, e mesmo sendo uma passagem rápida por cada uma.

Do alto das falésias na praia do Amor é possível ver o mar desenhando com suas ondas parte de um coração. É sem dúvida um belo lugar para várias fotos.

O lugar recebe muitos surfistas, mas sempre é bom ter cuidado com as pedras. A praia tem uma boa infraestrutura de barracas, mas para acessar sua areia é preciso descer uma escadaria bem íngreme, o que impede a mobilidade de pessoas com dificuldades de locomoção.

Para chegar a praia do Madeiro ou Ponta do Madeiro, o acesso pode ser feito por meio de do Santuário Ecológico (reserva ecológica), mas vale lembrar, que além da trilha na área de reserva, este caminho tem uma escadaria de mais de 100 degraus.

Já a Baía dos Golfinhos é sem dúvida uma das mais preservadas praias em Pipa. Seu acesso não é simples, somente é possível em maré baixa, pelas praias laterais. A dica é consultar a tábua de maré, para aproveitar a tranquilidade do local.

 

Não pode faltar

A essa altura você deve estar pensando, e Ponta Negra e o Morro do Careca? Deixamos nosso último dia de férias em Natal destinado a aproveitar a praia que escolhemos para nos hospedar.

Já conhecíamos o nascer do sol, que é sem dúvidas encantador, mas aproveitamos para caminhar na areia, apreciar a vista de outros pontos da orla, o que nos levou próximo ao Morro do Careca (uma duna de 120 metros de altura), que não tem mais o acesso liberado, mas que é foto certa para qualquer turista.

Para quem não se contenta apenas com ficar na praia aproveitando a estrutura de bares e apreciando a paisagem, nesta região é possível desfrutar de voo de parapente e do kitesurf, além é claro do surf e do windsurf.

Na lista das coisas que não se pode deixar de fazer em Natal está saborear a gastronomia de restaurantes como o Camarões Potiguar e o Farofa D’Água. Barzinhos não faltam ao longo de toda a orla, os mais badalados estão em Ponta Negra, como é o caso do Tá na Hora.

Para conhecer ainda mais a cultura local, às quartas-feiras tem o Forró para Turista, onde os visitantes recebem aula de forró. Quem quiser ampliar o contato com o ritmo nordestino, outra dica é o Rastapé Casa de Forró, o local tem dois ambientes, um para o forró-pé-de-serra e outro para o forró universitário.

São várias as feirinhas na cidade. Recomendo dispensar pelo menos meio dia em uma para que ninguém fique sem uma “lembrancinha”, afinal todos gostam de ser recordados.

 

Curiosidades de Natal

- É a segunda capital brasileira com menor área territorial e a sexta maior capital em densidade populacional.

- Foi fundada em 25 de dezembro de 1599, às margens do rio Potenji.

- A posição geográfica de Natal foi classificada como “um dos quatro pontos mais estratégicos do mundo” pelo Departamento de Guerra dos EUA.

- Natal tem o maior aquário do Nordeste, nele o visitante encontra de tubarão, a hipopótamo e pinguim.

- O Brasil entrou na corrida espacial em 1965, com a inauguração da base de lançamentos de foguetes da Barreira do Inferno, localizada no município de Parnamirim, litoral sul de Natal.

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