Pato Branco

Conscientização sobre a situação da mulher foi tema de Ato Público

No último sábado (10), o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos Humanos da Mulher de Pato Branco organizou um Ato Público em celebração ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. Durante toda a manhã, das 9h às 13h, na Praça Presidente Vargas, diversas atrações foram preparadas para que quem passasse por lá se conscientizasse que o cenário ainda está muito longe de ser o ideal para a mulher.

Dentre as atrações, a presença do Grupo de Apoio à Gestante e ao Parto Ativo (Gesta) Pato Branco ofertou informações sobre a Lei do Acompanhante e assuntos relacionados ao parto e pós-parto, alunos do Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da Fadep realizando atendimentos jurídicos, o Centro de Orientação e Aconselhamento Sorológico (Coas) realizando testes rápidos e o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) com dicas de orientação à saúde.

Os alunos da rede pública de ensino prepararam diversos trabalhos sobre os problemas enfrentados pelas mulheres, como violência doméstica e sexual, e eles foram expostos para conscientizar sobre o assunto. A campanha informativa desenvolvida pelo Conselho para as redes sociais também foi impressa e colocada à vista, levando muita informação para quem passou pela praça,

Também foi proposta uma brincadeira aos homens: eles deveriam estourar um balão e, dentro, havia uma dica de presente. Entre as sugestões estavam lavar a louça, olhar o bebê durante a noite para a mamãe descansar e outras atividades que o senso comum direcionam à mulher, mas que deveriam fazer parte da rotina de todas as pessoas.

Também houve entrevistas com seis mulheres. A primeira foi com a psicóloga da educação Giliane Schmitz e a estudante e mãe Aline Marcon. Elas falaram sobre a educação de crianças e adolescentes para que eles cresçam afastados da cultura machista, com meninas seguras e meninos que não se sobrepõe ao sexo feminino.

A funcionária pública Manu Szczepaniak, que é deficiente física, falou, junto com a arquiteta Tamara Alff, sobre deficiência e mobilidade. “Várias pessoas enxergam meu marido como uma alma elevada porque ele se casou comigo, mas ele precisa tanto de mim quanto eu dele”, disse. Manu lembrou ainda dos ônibus adaptados, que não correm na linha nos fins de semana. “Fui reclamar e me disseram que não havia necessidade porque os deficientes só utilizam o transporte público para ir ao hospital”, relembra.

Tamara concordou que a acessibilidade ainda é um ponto de entrave nos projetos e que muitos preferem gastar mais com coisas desnecessárias, como acabamentos, do que em fazer um local acessível a todos.

A terceira e última entrevista foi sobre violência obstétrica. Quem falou sobre o assunto foram as mães Simone Lima e Emma Zilli, que deram relatos emocionantes sobre seus partos, a violência que sofreram, a frustração de idealizar e não terem seus desejos atendidos, além de saírem, mãe e bebê, fisicamente machucados – levando quem estava assistindo às lágrimas. “As mulheres grávidas precisam estudar muito sobre o assunto para evitar que o que aconteceu com a gente se repita. Mas não é só isso. É preciso se impor, não se intimidar diante do médico. Nós temos o direito de sermos bem tratadas e escolhermos o que é melhora pra gente”, disse Simone. “Agora sei porque as mulheres de Pato Branco morrem de medo de parto normal. Meu primeiro filho nasceu na Itália e até a cor do quarto eu escolhi. Aqui, demorei mais de um ano para começar a me sentir melhor, mas as marcas da violência são lembradas todos os dias”, comenta Emma.

As entrevistas serão disponibilizadas posteriormente no YouTube e compartilhadas nas redes sociais do Conselho.

Para Schaiana Marchetti, membro do Conselho, o evento foi muito positivo. “Só de conseguirmos que essas mulheres dessem seus depoimentos, que são tão íntimos, já valeu a pena. Vamos preparar mais atos como esse, para que o assunto não seja esquecido, mas cada vez mais debatido”, afirmou.