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Chicago, Estados Unidos

A moderna cidade dos arranha-céus é uma verdadeira exposição de arquitetura e um modelo de organização para grandes metrópoles. Mas nem só de prédios e belas vistas vive o turismo de um dos maiores centros urbanos da América

Chicago, vista a partir do lago Michigan

Por que ir?

Chicago é a terceira maior cidade dos Estados Unidos com cerca de 2,7 milhões de habitantes e trata-se de um destino obrigatório para quem gosta de arquitetura. A cidade é conhecida como a capital arquitetônica do país e o berço dos primeiros arranha-céus do século 19. A cidade foi fundada em 1833 entre o Lago Michigan e o Rio Chicago. Em 1870, era a principal fornecedora de madeira do estado de Illinois e praticamente tudo era feito desse material; prédios, casas e até mesmo as ruas.

No verão de 1871, ocorreu um grande incêndio que acabou com grande parte da cidade, surgindo a chance de reconstruí-la de forma planejada e utilizando uma nova técnica construtiva, com estrutura em aço, possibilitando assim aumentar a altura das edificações, surgindo os arranha-céus. Grandes nomes da arquitetura mundial participaram dessa reconstrução e por isso a arquitetura está no ar da cidade.

Quando pensamos em uma grande metrópole é inevitável pensar em caos, e nisso Chicago é diferente. Ela não tem a bagunça das grandes cidades e é isso que a torna simplesmente apaixonante e acolhedora. As ruas e praças são muito bem cuidadas e com muitas esculturas, obras de artes públicas e um paisagismo impecável.

Outro título importante que também pertence à Chicago é de ter a maior orla urbanizada do mundo, à beira do belo Lago Michigan. A Lake Shore Drive conta com parques, marinas, calçadões, praias e tem 53 Km de extensão.

O que fazer?

O cartão de visitas da cidade, sem sombra de dúvidas, é o lindo Millennium Park. Lá você terá um grande exemplo de como a arte pode fazer parte do dia a dia da população. Acredito que seja um dos passeios mais gostosos que Chicago proporciona e lá encontramos o “feijão”, que na verdade se chama Cloud Gate, e trata-se de uma grande escultura ao ar livre que reflete o seu entorno e contagia os turistas levando todos a brincarem com seus reflexos.

Logo depois encontramos o Jay Pritzker Pavillion, auditório muito utilizado no verão como palco de festivais que foi projetado pelo renomado arquiteto Frank Gehry. Outro ponto que nos chama a atenção é a Crown Fountain, uma brincadeira com grandes telas e água, lugar indicado para quem quer se refrescar no verão e interagir com as imagens.

Navy Pier

Você não pode deixar de conhecer o Navy Pier, passear entre as lojinhas, restaurantes e depois dar uma volta na roda gigante aproveitando o visual lindo da cidade e do Lago Michigan. Para quem quiser cair na água, empresas oferecem passeios de barco e também de lanchas super potentes, recheadas de emoção.

Se você quiser conhecer melhor a arquitetura da cidade, a Fundação de Arquitetura de Chicago (Chicago Architecture Foundation – CAF) oferece mais de 80 tours para conhecer a arquitetura local, contando a história dos principais prédios desde 1870 até o século XXI.

Os passeios podem ser feitos a pé, de ônibus ou com barcos pelo Rio Chicago. O que chama a atenção é que boa parte dos guias desses passeios são voluntários. Arquitetos, engenheiros, construtores ou moradores que realmente gostam da cidade e querem fazer com que sua arquitetura seja entendida pelos turistas.

A Willis Tower é outra parada obrigatória. Considerado o segundo prédio mais alto dos Estados Unidos, com 110 andares, tornou-se um ponto turístico com um observatório conhecido como Skydeck, que possibilita uma visão em 360 graus da cidade e fica no 103º andar. Lá você encontra o The Ledge, uma espécie de caixa de vidro que fica fora da edificação, não indicada para quem tem medo de altura, já que você pisa na estrutura em vidro transparente e vê tudo lá embaixo.

Os amantes do esporte também têm muitos motivos para comemorar, pois Chicago possui times nas quatro principais ligas. É possível assistir a um jogo do grande time de basquete Chicago Bulls, da NBA (temporada: de outubro a maio); ver um dos times de beisebol da MLB, o Chicago White Sox ou o Chicago Cubs (temporada: de março a outubro); ver um jogo de futebol americano da NFL com o Chicago Bears (temporada: de setembro a fevereiro) ou então da NHL com o Chicago Blackhawks (temporada: de outubro a abril).

Os jogos são muito legais e possuem uma atmosfera diferente da que temos por aqui. Nos intervalos tem interação com a torcida através de brincadeiras, músicas ou vídeos proporcionando um show à parte.

Times da cidade disputam as principais ligas de futebol, hóquei no gelo, basquete e beisebol

Enquanto o futebol americano é parecido com nosso futebol no quesito “rivalidade”, os outros têm ambientes muito familiares, e as pessoas sentam lado a lado com camisetas dos times rivais sem problema algum. Os estádios parecem verdadeiros shopping centers com lojas oficiais e vários, mas vários mesmo, pontos de comidas e bebidas.

Onde se hospedar?

A melhor região para se hospedar é em Downtown (entre o Millennium Park e a Water Tower – um dos únicos prédios que sobreviveram ao incêndio histórico), pela facilidade de locomoção e por estar próximo de muitas atrações da cidade possibilitando uma caminhada agradável todos os dias.

Na última viagem me hospedei em um hotel boutique chamado Silversmith, que fica a uma quadra do Millennium Park. Para quem quer economizar existem algumas redes de hotéis mais baratos como o Confort Inn, Best Western, Motel 6, dentre outros. Já fiquei nesses hotéis em outras cidades dos Estados Unidos e normalmente eles são  simples, mas atendem bem as necessidades. Em alguns você vai encontrar até mesmo uma mini cozinha com frigobar, pia e microondas. O único problema é que eles ficam longe do centro.

Como chegar?

Para quem mora no sudoeste e quer dirigir menos, o ideal é ir até Chapecó e pegar um avião para São Paulo, onde há voos sem escalas para Chicago. O único inconveniente é que em viagens internacionais a quantidade e o peso das malas são diferentes dos voos domésticos, então, é preciso ficar atento ao excesso de bagagem.

Dicas

Para quem vai visitar a cidade pela primeira vez eu sempre recomendo contratar o serviço de city tour com ônibus com sistema hop on hop off, onde você pode descer quantas vezes quiser em pontos estratégicos, explorar a região e depois pegar o ônibus novamente.

Vendo os pontos principais você começa a se localizar melhor e depois pode voltar onde gostar mais. Chicago apresenta invernos gelados podendo chegar a -10ºC, porém a sensação térmica pode chegar a -20ºC. Então é preciso ter cuidado ao escolher a época para visitar a cidade, afinal estamos acostumados com climas mais amenos.

Cloud Gate, o "feijão" no Millennium Park

Para mim a melhor época de visitação é no final do verão, pois é possível aproveitar o lago e até mesmo pegar uma praia. Mesmo assim, não abra mão de ter um casaco mais pesado na mala pois Chicago é surpreendente até mesmo nisso. Já presenciei uma fina nevasca em plena primavera. Os meios de transporte público (trem, metrô e ônibus) são de ótima qualidade e te levam a praticamente a todos os lugares. É possível comprar passes de uso ilimitado e utilizar os três meios de transporte pelo período de 1 dia ($10), 3 dias ($20) e 7 dias ($28).

Se você gosta de música a cidade é sede de dois grandes festivais, o Lollapalooza, que em 2015 acontecerá nos dias 31 de julho a 2 de agosto no Grant Park. Em 2014, o Lolla teve nomes como Eminem, Kings of Leon, Skrillex, Outkast, Artic Monkeys. E o Riot Fest, no Humboldt Park, que acontece normalmente no início de setembro.

Em 2014 se apresentaram bandas como Weezer, The Cure, Metric, The Used, Descendents e no ano passado Rancid, Blink 182, Fall Out Boy, dentre outras. Sou fã de carteirinha do Riot, já é o segundo ano consecutivo que vou para o festival fotografar para o site Tenho Mais Discos Que Amigos! (TMDQA!).

Chicago é a casa do Riot Fest e do Lollapalooza, grandes festivais de música

Além de bandas, o Riot ainda conta com uma estrutura parecida com as de feiras do interior, com muitas opções de comidas, lojinhas, brinquedos, lojas de discos, roda gigante, montanha russa e mais.Já para quem quer fazer compras a parada obrigatória é a Magnificent Mile, considerada a rua de compras mais nobre de Chicago.

Lá você vai encontrar lojas de grife como Chanel, Louis Vuitton, Hugo Boss e Armani mas também lojas de departamento como Macy’s e Bloomingdales, além de uma loja da Apple. Ali perto fica o John Hancock Center, outro arranha-céu característico de Chicago onde recomendo um almoço no The Cheesecake Factory e comprinhas de eletrônicos na Best Buy.

Resumindo, é possível encontrar lojas para todos os gostos e bolsos, portanto vá com roupas e sapatos bem confortáveis para bater perna e carregar muitas sacolas.

 

Aline Krupkoski Aiex é Arquiteta em Francisco Beltrão. Ama viajar e é fotógrafa nas horas vagas do site Tenho Mais Discos que Amigos!

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