Vanilla

Blues rock do interior

Em meio a mudanças, Christoferson lança novo disco, recicla o próprio som e tenta se aproximar das raízes sudoestinas

Divulgação

Matheus, Lucas e Luiz Henrique

Os últimos dois anos foram de constâncias e mudanças para a banda Christoferson. Desde o lançamento de Buffalo, seu disco de estreia, a formação é a mesma, mas a distância geográfica é outra. Luiz Henrique, o baterista, está estudando em Curitiba, enquanto Matheus Angeli e Lucas Piaceski, respectivamente, baixista, guitarrista e vocalista, continuam em Pato Branco.

A mudança afetou o processo de criação da banda, que passou a compor e gravar a conta gotas, já que procurar um novo integrante estava fora de cogitação. “Não conseguimos imaginar a banda sem um de nós”, taxa Lucas. 
Manter uma formação coesa por muito tempo é um grande desafio para a frágil e pouco rentável cena roqueira local, mas um esforço importante para cimentar uma identidade e assim produzir material relevante.

Para isso, o trio passou a compor e gravar o que podia nas visitas de Luiz Henrique a Pato Branco. Em maio sairá o resultado desses encontros, “Scarlet Foot”, o segundo disco da banda, que assim como seu antecessor foi gravado com apenas um microfone Blue Yeti.

Lucas conta que o disco foi costurado no período de oito meses, o que contribuiu para que o trabalho saísse mais heterogêneo. “Não dá pra dizer que o álbum tem um estilo”. Matheus emenda. “Como as músicas foram feitas aos poucos elas não seguiram o mesmo ritmo, a mesma linha”.

Mesmo assim, muito da cozinha blues rock da Christoferson está lá. O disco também tem alguns temperos de rockabilly, assim como um gás extra no baixo e na bateria, para dar mais ritmo ao trabalho, justifica o vocalista, que completa. “Eu tenho ouvido muita disco music dos anos 80, algo que acabei aproveitando nas composições”.

Outras músicas que já vinham sendo divulgadas desde o ano passado na internet, como “Sun and Powder” e “Olives Catcher”, também apareceram no trabalho

Pés vermelhos

Os integrantes da Christoferson não acreditam que sua sonoridade constitui um casamento perfeito com a língua portuguesa. Mas nem por isso a banda descarta suas origens, algo que se buscou evidenciar em “Scarlet Foot”, começando pelo título do álbum (pé escarlate, em português).

A capa é outra referência local, um registro de 1965 do fotógrafo João de Paula, que mostra um menino chutando uma poça d´água em uma rua do centro de Pato Branco. “Sempre fui fã do João de Paula, e dessa foto em especial, que acabou fazendo muito sentido com as músicas”, diz Lucas.

Divulgação/João de Paula

Capa de Scarlet Foot. Uma poça, chutada na Pato Branco dos anos 60.

Apesar da dedicação, o objetivo do grupo é módico. O reconhecimento além das fronteiras do Sudoeste seria bem-vindo, mas por enquanto, a meta é faturar o suficiente para gravar um próximo álbum. “A gente faz música por que gosta. Seria um sonho fazer sucesso, mas se isso não acontecer vamos continuar tocando”, conta Matheus.

Muito provavelmente “Scarlet Foot” não terá versão física, mas o formato digital está a venda no ITunes.

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