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Aventura em duas rodas

Ciclistas ganham qualidade de vida explorando a natureza

Arquivo pessoal/Cesar Chiochetta

O ponto de vista de um ciclista

Esporte, passatempo e qualidade de vida. Essa combinação leva várias pessoas ao interior de Pato Branco nos fins de semana. São profissionais de diversas áreas, perfis e idades diferentes, mas com uma paixão em comum: o ciclismo.

Pedalar por estradas rurais é uma espécie de terapia para esse grupo, que enxerga nos caminhos de terra, cascalho e barro uma válvula de escape para os acúmulos da rotina. Mas não é só isso. As pedaladas também contam histórias, ensinam a admirar a natureza e a pensar coletivamente.

O professor de idiomas Carlos Tortorella é um veterano no mundo das bikes. Desde 2001 ele se mete em aventuras de Cross Country, a modalidade do esporte em que se pedala no meio da natureza. “Eu conheço mais a área rural de Pato Branco do que a urbana”, conta.

Geralmente aos sábados, Tortorella e um grupo de amigos escolhem um caminho e seguem em frente por vários e vários quilômetros. Algumas trilhas chegam a ter 40 Km, percursos que podem ser feitos em até 3 horas, dependendo se a intenção do passeio envolve curtir mais ou menos a paisagem.

Tortorella conta que uma das grandes satisfações de pedalar é poder ver e sentir a natureza. “Você se depara com coisas que nem imaginava que existiam tão perto. Rios, cachoeiras, árvores frutíferas e animais”, relata o professor, que vê o estímulo ao senso de cooperação como outra vantagem do esporte.

O administrador Cesar Augusto Chiochetta pensa o mesmo. Ele pratica ciclismo há mais de 10 anos, fazendo incursões por trilhas e mais recentemente por estradas. Chiochetta já participou por duas vezes do Audax, desafio criado na França, mas realizado em várias cidades pelo mundo, que reproduz claramente o espírito de coletividade do esporte.

Marcelo Ribeiro/Foccus Fotografia

Chiochetta já pedalou por serras catarinenses

No Audax, os participantes precisam completar um percurso de 200 Km em um determinado período de tempo. Não há vencedores, a meta de todos é terminar no prazo. “É uma integração de pessoas. Se você estiver no chão o outro competidor para pra saber se está tudo bem”, relata.Chiochetta também já percorreu sob duas rodas estradas com paisagens de tirar o fôlego, como a Serra do Rio do Rastro e a Serra do Corvo Branco, ambas em Santa Catarina.

Saúde

Condição física e respiração melhoradas, perda de peso e outros upgrades físicos e mentais são relatos unânimes entre os ciclistas. “Saúde. Melhorou em tudo”, resume Chiochetta. Pedalar ajudou Tortorella a se recuperar de um grave acidente de carro, em 2009, que o deixou meses na cadeira de rodas e o submeteu a uma demorada recuperação. “Eu achei que nem iria voltar a andar”, completa.

Quando já estava usando apenas uma muleta, o professor arriscou subir novamente em uma bicicleta, e continua pedalando até hoje. “A primeira trilha que eu fiz depois desse acidente foi a que mais me marcou. Foi muito bom ter superado aquele momento”, lembra.

Arquivo Pessoal/Cesar Chiochetta

Entre o barro e as colinas, trilhas são variadas

O fisioterapeuta Samuel Tonet diz que a prática do ciclismo melhora o condicionamento cardiorrespiratório, contribui para o fortalecimento dos membros e tronco, além de trazer outros benefícios para a saúde. Há cerca de quatro anos, Tonet julgou que o esporte seria a melhor alternativa de conciliar os horários de atividade física com a agenda de trabalho. Pela tranquilidade, o fisioterapeuta diz preferir os passeios pelas estradas de chão da área rural.

A bicicleta

As reações à primeira trilha são geralmente duas. Ou o candidato a ciclista odeia e desiste, ou ele nunca mais para. A sentença é do professor Tortorella, que diz ainda que a segunda reação é a mais comum. O ciclismo, porém, é uma modalidade cara, pois não é qualquer bicicleta que aguenta o tranco dos percalços das estradas de chão.

Arquivo Pessoal/Cesar Chiochetta

Para os praticantes, a paisagem é uma das recompemsas do ciclismo

O quadro precisa ser feito de materiais leves e resistentes, como o alumínio e a fibra de vidro, e a bike precisa ter um conjunto de pelo menos 21 marchas. Empresas especializadas também fabricam modelos personalizadas para o corpo e o tipo de terreno preferido pelo comprador.

O investimento mínimo é de cerca de R$ 2.500, além dos equipamentos de segurança, como capacetes e luvas. Segundo o professor, um bom capacete custa pelo menos R$ 100. Apesar do custo alto, o tempo de vida útil de uma bicicleta de trilhas é grande, e o investimento é recompensado. “(O ciclismo) só traz coisas boas”, resume o professor.

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