Pato Branco

Aparecimento intenso de cobras preocupa população

Cobra encontrada no bairro Paulo Afonso, em Pato Branco (Foto: Gabriel Miketa Maciel)

Durante o mês de janeiro deste ano, a população de Pato Branco, registrou inúmeras reclamações sobre o aparecimento de cobras, nas proximidades de suas casas e até mesmo nas ruas de alguns bairros. O mesmo vem se repetindo no mês de fevereiro.

O secretário de Meio Ambiente de Pato Branco, Nelson Bertani, explicou que as altas temperaturas, registradas em janeiro, e terrenos sujos com entulhos, propiciam o aparecimento dos animais peçonhentos.

“O calor, favorece o movimento do animal, e aí a alimentação, a reprodução, enfim, o pico disso se dá no verão, que é quando ocorrem a maior parte dos acidentes com humanos”, disse a bióloga, Vanilce Pereira de Oliveira, que também destacou como um dos fatores que favorecem o surgimento das cobras, o desmatamento causado pelo homem.

De acordo com o comandante da 1ª Sessão de Bombeiros, tenente Fabiano de Paula, do 2° Subgrupamento de Bombeiros Independente de Pato Branco (SGBI), em janeiro foi capturado dez cobras em residências.

“Este é um número considerado alto, pois não é comum o aparecimento desses animais na região. É bem sazonal, mas esse mês aumentou bastante por causa do calor”, explicou, contando que em comparação com o mesmo período no ano passado, este índice aumentou significativamente.

O tenente esclareceu que, quando acionados, pela população, para capturar os animais, imediatamente entram em contato com a Secretaria de Meio Ambiente, para que ocorra o acompanhamento do resgate.

“Além de acompanharem na captura, a secretaria é quem orienta qual o melhor local para a destinação; nós só fazemos a captura e entregamos ao meio ambiente”, pontuou.

De Paula contou ainda que para chamados em finais de semana ou em horário que a secretaria não esteja funcionando, o Corpo de Bombeiros faz a captura e guarda o animal, em local adequado, até que a secretaria volte a funcionar. Contudo, o órgão responsável pela captura é o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), sendo assim, este deve ser o primeiro a ser acionado.

Segundo o diretor de Políticas Ambientais da Secretaria de Meio Ambiente, Antônio Cesar Soares, as cobras encontradas são encaminhadas ao Parque do Alvorecer. “Destinamos no parque por apresentar uma área bastante extensa, com mais de 100 hectares”. Os animais também são destinados para área de preservação ambiental, próxima ao Estádio Os Pioneiros.

De Paula, orienta que nos casos envolvendo cobras, é preciso ligar para o órgão responsável e aguardar a chegada. “Se a cobra estiver dentro da casa, em um banheiro ou quarto, a indicação é para fechar a porta e esperar a chegada dos bombeiros”, alertou explicando que o Corpo de Bombeiros é treinado para agir em situações de risco e possui os equipamentos de proteção necessários.

Segundo Bertani, os bairros que mais registraram o aparecimento de cobras, foram Fraron (bairro que recebe mais notificações de loteamentos sujos), São Cristóvão e Pinheirinho. O secretário contou ainda que as espécies que mais apareceram foram Coral e Jararaca, ambas venenosas.

O que fazer para evitar

De acordo com a bióloga, para evitar que as cobras saiam de seu habitat (ambiente natural) e dirijam-se até as residências da população, é importante manter os terrenos limpos.

“Um dos fatores que atraem os animais peçonhentos é a presença de roedores, insetos, que se desenvolvem em locais sujos. E em períodos como agora, de muita chuva, que aceleram o crescimento da vegetação, as pessoas precisam redobrar o cuidado com a limpeza dos terrenos, pois se tem um espaço com muito lixo, lotes baldios, isso favorece com que o animal seja atraído.”

Como é difícil identificar se há no local a presença de cobras, é preciso evitar deixar nos terrenos madeiras e galhos. “Quanto mais o terreno limpo menos vai ter a aproximação desses animais porque eles vão se esconder, se abrigar, em áreas com mata”, alertou a bióloga.

O biólogo Guilherme Orlandi Goulart, relatou que um lote com muito mato, torna-se um ambiente bom para serpentes, aranhas e escorpiões. “Muitas vezes quando se faz a limpeza desses lotes esses animais são afugentados, começam a perceber o movimento humano e o barulho da máquina cortando grama, o que faz com que caiam no ambiente urbano.”

Para evitar acidentes com esses animais peçonhentos, a população precisa, além de manter limpo seus terrenos, utilizar calçados fechados quando estiverem fazendo limpeza.

Goulart explica que todo atendimento com animal peçonhento demanda de ação médica emergencial. “A pessoal tem que procurar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) imediatamente, para que seja aplicado o soro antiofídico que é importante para a recuperação.”

“Após ser picado por uma cobra, a pessoa precisa ir até a unidade hospitalar da região dela, e aí no atendimento, o médico faz a solicitação, do soro, para a regional de saúde. Tem um sistema de plantão que dispara a solicitação, independentemente do horário”, explicou o diretor da 7ª Regional de Pato Branco, Anderson Nezelo.

*Estagiária que escreve sob a supervisão de Marcilei Rossi

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