Opinião

Alimentação alternativa para Aves (Codornas)

A atividade avícola apresenta-se em expansão no Brasil, tanto na produção de carne como na produção de ovos. O Brasil apresenta-se como o segundo maior produtor de carne de frango, sendo o maior exportador desse produto. A região sudoeste do Paraná possui papel importante na produção nacional, pois aqui encontram-se diversas indústrias desse ramo agrícola.

A alimentação desses animais consiste basicamente em ração formulada a partir de ingredientes como milho e farelo de soja. Entretanto, ambas as culturas sofrem instabilidade de oferta além de oscilação do preço.

Considerando que o custo de alimentação desses animais em geral representa 70% do custo de produção, sendo o conteúdo proteico (farelo de soja) e energético (milho) os ingredientes mais caros da ração, qualquer variação do preço da alimentação resulta em uma menor lucratividade ao produtor rural.

Desta forma, opções de alimentos que possam substituir o milho e o farelo de soja, surgem como alternativas promissoras para o sustento da viabilidade econômica da atividade avícola.

O principal objetivo da alimentação alternativa é a redução de custo com a alimentação, bem como o reaproveitamento dos resíduos, e não simplesmente aumentar a produção, mas sim proporcionar aos produtores de aves opções de alimentos que dê maior rentabilidade no final da produção.

Por isso, rejeitos como bagaço de cana, casca de arroz, sabugo de milho, caroço de algodão, entre outros ingredientes, também são fontes alternativas de alimento para os animais, basta ajustar os ingredientes nas proporções adequadas de nutrientes que as aves precisam.

Nesse contexto a UTFPR Campus Pato Branco iniciou neste ano pesquisa com aves de codornas de postura substituindo o farelo de soja convencionalmente usado na ração das aves, por farinha de ora-pro-nobis.

A ora-pro-nobis (Pereskia aculeata Mill.) se enquadra no grupo de plantas alimentícias não convencionais (PANC). Essas plantas, ao longo dos anos, foram perdendo espaço na mesa dos brasileiros para as plantas popularmente cultivadas.

A ora-pro-nobis é originária da América tropical, sendo facilmente encontrada em território brasileiro. Cresce como uma trepadeira, sendo uma excelente cerca viva. Pertence à família da Cactaceae, e como todo cacto também é cheia de espinhos, possui porte arbustivo chegando a quatro metros de altura.

Em Minas Gerais essa planta é bem conhecida, chamada como "bife de pobre" por ser um alimento econômico, nutritivo, proteico e acessível. Antigamente, os mineiros colhiam as folhas de ora-pro-nóbis no quintal de um padre, enquanto ele rezava à missa, repetindo o refrão em latim: ora pro nóbis, que significa ora por nós, criando assim, o nome dessa planta.

As folhas possuem bons índices de lisina (um aminoácido essencial, formador de proteína), cálcio, fósforo, magnésio, ferro e cobre. É rica em fibras, além de possuir elevado teor de proteína, principal motivo pelo qual pode ser usada como substituta do farelo de soja.

Seu teor de proteína pode chegar a níveis de até 32%, sendo mais rica nas folhas da planta. Por essa razão, a farinha de ora-pro-nóbis é produzida apenas pelas suas folhas secas e moídas e assim pode ser usada na ração normal para codornas de postura como ingrediente substituto ao farelo de soja.

Pode-se realizar o plantio dessa planta através de estacas plantadas em solo fértil, para criar raiz. Depois de enraizada, é transferida para local definitivo. Pode ser plantada diretamente no local permanente, só não é recomendado plantar em lugares encharcados, pois a planta prefere lugares mais secos. Quando plantada por estaquia, esta planta se desenvolve de forma lenta nos primeiros 3 meses. Ao formar as raízes, o crescimento dela se acelera e torna-se abundante.

Na alimentação humana a ora-pro-nóbis já tem sido usada em saladas, chás e farinha, devido a sua riqueza nutricional. De agora em diante, estudos de inclusão deste alimento para aves de corte e postura serão realizados para descobrirmos seu potencial na alimentação animal e redução de custos de alimentação.


Leila Ines Wiggers, acadêmica de Agronomia, e Lisiane Fernandes Soares, professora de Nutrição Animal, ambas da UTFPR - Pato Branco

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