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Agir para transformar

Em 30 anos de trabalho, o médico Mauro Mattia (CRM 11382. RQE 9631) firmou o compromisso de contribuir com a sociedade por meio de sua profissão. Ciente da importância de seu papel como cidadão, ele expandiu sua presença também em outras frentes na construção de um Brasil mais justo

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É possível dizer que, por vocação, um médico já assume um importante compromisso com a sociedade. Para Mauro Mattia, porém, a medicina é apenas uma das ferramentas de exercício da civilidade e da cidadania, valores que ele acredita serem fundamentais.

Em 30 anos de carreira, mais de 20 exercidos no Sudoeste, Mauro além de ter ajudado muitas pessoas e trazer novas vidas ao mundo, atuou em diversos segmentos, desde hospitais públicos e postos de saúde até na gestão hospitalar, fazendo parte do projeto que transformou o São Lucas Hospital em uma referência, instituição onde hoje atua como Diretor Clínico.

Mas para melhorar a sociedade de forma mais ampla, diz ele, é preciso pensar além dos consultórios e centros cirúrgicos. É preciso perceber seu papel enquanto cidadão, e agir por causas transformadoras. Tal percepção nasceu ainda em seus primeiros anos de vida, quando aprendeu a importância de um valor fundamental, o trabalho, por intermédio do que ele considera ser o principal alicerce do ser humano: a família.

Nascido em Marmeleiro, em 24 de maio de 1963, Mauro Mattia é filho da professora Célia Mattia, e do comerciante Ari Mattia. Desde criança, aprendeu com os pais que a prosperidade advinha do esforço e da dedicação, e por isso nunca se furtou de ajudar o pai em suas empresas, assumindo diversas funções, como o atendimento de balcão e caixa. Aos 14 anos de idade, já viajava a São Paulo para seu pai e ajudava nos negócios da família.

Foto: Marcel Almeida/Casamax

 

Ao longo da vida, a família atuou em vários segmentos, desde o comércio de implementos agrícolas Máquinas Schiffl, fabricados pelo avô em Erechim, Rio Grande do Sul, passando por malharias, até material esportivo, por meio da Casa Esporte Ari Mattia.

O médico diz que seus valores e seu caráter foram forjados a partir do exemplo da família, arranjo que ele considera a célula da sociedade. Na sua opinião, é na família que se aprende valores como honestidade, responsabilidade, respeito ao próximo, à propriedade e ao direito de expressão. Cristão, Mauro diz aplicar tais valores na educação do casal de filhos, ambos estudantes. 

Mauro passou a infância em Marmeleiro, parte da adolescência em Guaraniaçu, e depois viveu em Francisco Beltrão, onde se formou Técnico em Contabilidade pelo Colégio Estadual Mario de Andrade, em 1981. Todo esse período foi marcado pela experiência nos negócios do pai, o que contribuiu para que  desenvolvesse habilidades de gestão, algo que o acompanhou durante toda sua trajetória, e vindo se aperfeiçoando ao longo dos anos. Apesar disso, seu objetivo não eram os escritórios, mas os hospitais. Após concluir o Ensino Médio, Mauro Mattia foi para Curitiba, cursar o preparatório para o vestibular de Medicina, seu sonho desde criança.

Foi aprovado em terceiro lugar no vestibular para o curso da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Na universidade, o estudante se familiarizou com a realidade das políticas de saúde pública e sua importância, sobretudo para as pessoas em situação de maior vulnerabilidade social.

"A família é a célula da sociedade"

 

Ele foi testemunha do surgimento do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1988, ano em que concluiu a universidade. “A ideia é maravilhosa e sustentável, inclusive financeiramente”, opina o médico sobre o SUS. No entanto, ele faz ressalvas sobre alguns pontos, ponderando que o tema é bastante complexo. Um deles é o que Mauro chama de judicialização do sistema. A Constituição do Brasil determina que a saúde é um direito universal e um dever do estado. “Um médico determina que você precisa de um tratamento, experimental, que o SUS não oferece. Então entra-se na justiça, que garante o tratamento, que às vezes custa R$ 100 mil, R$ 200 mil, e nem sempre ele é efetivo, e isso acaba onerando a saúde e prejudicando a aplicação do recurso, que é escasso”, comenta.

Na opinião do médico, porém, a grande causa das deficiências do sistema de saúde é a corrupção, sobretudo os desvios de recursos que precarizam não apenas o setor, mas praticamente toda a estrutura do estado brasileiro.

De modo geral, Mauro acredita que a saúde é de fato um direito universal. Mas o serviço precisa ser sustentável, e principalmente que não seja dilapidado por interesses escusos.

Anestesia
Enquanto médico, Mauro Mattia queria atuar no centro cirúrgico, o que o levou a cursar a residência em Anestesiologia, no Hospital Evangélico Londrina (HEL), e mais tarde, a pós-graduação em Gestão Hospitalar Pública, também pela UEL. Ele explica que o trabalho do médico anestesista é dar segurança ao paciente que se submete a procedimentos cirúrgicos, por meio da ausência da dor, e assim também contribui com o trabalho do cirurgião para o sucesso do procedimento. 

De modo geral, há dois tipos de anestesia: a geral, que induz o paciente a uma espécie de coma; e as condutivas, mais conhecidas como locais.

Em 30 anos de atuação, ele testemunhou o avanço das tecnologias que contribuíram para que as cirurgias sejam cada vez mais seguras, e para que o índice de mortalidade nos procedimentos diminua consideravelmente.
Como exemplo, ele cita as cirurgias cada vez menos invasivas, a monitorização mais eficaz, permitindo analisar com maior precisão as condições do paciente durante a cirurgia, e drogas mais aprimoradas que pouco interferem na estabilidade cardiovascular do paciente.

Trabalho
Muito da percepção de Mauro sobre a saúde pública no Brasil vem de sua experiência como servidor público estadual, função que exerce desde 1990. Por alguns anos, o médico trabalhou em Londrina, nos Hospitais Zona Norte e Zona Sul, os mais importantes hospitais públicos da cidade. Seus turnos eram à noite, já que durante o dia ele viajava a Maringá, onde atuava como médico do trabalho para a Copel.

Sua carreira, porém, começou no Hospital Nossa Senhora de Belém em Guarapuava, e no seu currículo constam atuações na Usina Hidrelétrica de Salto Segredo (Copel), e em Reserva do Iguaçu, onde atendia como anestesista, clínico geral e realizava plantões. 

O retorno ao Sudoeste se deu em Francisco Beltrão, onde atuou brevemente no Hospital São Francisco. A história de Mauro em Pato Branco começou com um convite para atuar na Clínica de otorrinolaringologia e cirurgia plástica do doutor Edgar Deiss. No sistema público, trabalhou no Posto de Saúde do bairro Morumbi, e no Hemonúcleo.

Seu primeiro dia de expediente no São Lucas  Hospital foi em 18 de agosto de 1997, coincidentemente, Dia do Médico. Foi a partir dessa instituição, onde está até hoje, que Mauro firmou alguns dos alicerces mais significativos da sua atuação enquanto profissional, e do seu protagonismo na sociedade local.


São Lucas Hospital
De membro do quadro clínico, Mauro faria parte do projeto de reestruturação do São Lucas Hospital, que em 1999 passava por dificuldades financeiras. Na ocasião, um grupo de pessoas, entre elas Mauro e outros médicos adquiriram o hospital, com o intuito de resgatar uma das instituições mais respeitadas de Pato Branco e região, reconhecida na comunidade pelo trabalho de humanização e respeito ao ser humano.

Mauro Mattia, no centro cirúrgico do São Lucas Hospital (Foto: Marcel Almeida)

 

Mauro assumiu a função de diretor clínico. O primeiro passo foi colocar as contas em dia. Foram anos em que os diretores trabalharam sem salário em prol da saúde financeira do hospital. Entremeio a isso, também houve o trabalho de reestruturação de equipamentos, estrutura e pessoal. Foi um período de encruzilhadas, onde inclusive se questionou a viabilidade de continuar atendendo as demandas do SUS. “Nesse momento eu me posicionei favorável à manutenção do serviço. Pois nós temos um papel social junto à comunidade. Eu aprendi Medicina em uma faculdade pública, eu me formei com recursos da sociedade. Então eu tenho uma dívida social que não tem prazo, ela vai durar minha vida inteira”, afirma.

Por volta de 2006, Mauro foi o mentor de uma ideia, consolidada em 2014, que estreitaria ainda mais a relação do hospital com a comunidade: a criação do Instituto de Saúde São Lucas (ISSAL).

Além disso, a medida contribuiria para o financiamento do hospital, pois poderia passar a receber complementação financeira da união, estado e do município. Em 2014, o Instituto passou a cuidar da gestão do hospital. “As entidades filantrópicas possuem grande sustentabilidade, desde que bem geridas”, analisa.

De uma instituição a beira de fechar as portas, o São Lucas Hospital se transformou em uma referência, sendo hoje reconhecido pelos serviços de alta complexidade em Cirurgia Bariátrica, Neurocirurgia, alta qualidade em Cirurgia Vascular, Nutrição, serviços de UTI, atendimento de Gestação de Alto Risco, e possui o título de Hospital Amigo da Criança, concedido pela Unicef e pelo Ministério da Saúde a instituições com serviços neonatais de alta qualidade. A certificação é única na região e uma das poucas no Paraná.

O protagonismo da gestão via Instituto praticamente dobrou o faturamento do hospital, que aumentou o seu número de funcionários e consequentemente aprimorou a qualidade do atendimento e dos serviços oferecidos.

Sociedade
A medicina foi e ainda é a principal ferramenta de Mauro para a transformação social. “O atendimento do hospital, com o SUS, com o serviço público. Porque é o meu principal instrumento, com o qual eu posso contribuir para aquilo que é o mais sensível nas pessoas, que é a saúde”. 

Porém, a participação e a democracia são conceitos que Mauro Mattia considera essenciais, e ele acredita que para mudar o estado das coisas é necessário ampliar a atuação para além das fronteiras profissionais. “O brasileiro precisa buscar se manifestar. Não só nas redes sociais mas também nas ruas, demonstrar a sua vontade.

O médico, durante manifestação em Pato Branco. "O brasileiro precisa manifestar sua vontade e agir"

 

Mauro é militante de causas políticas e sociais. Membro do Rotary há muitos anos, Mauro participa de vários dos tradicionais projetos realizados pela entidade, sobretudo ligados à saúde, como as campanhas de vacinação contra a Poliomielite, uma das iniciativas mais bem-sucedidas do Rotary International, além da realização de palestras em escolas sobre temas como relacionamento interpessoal, valores.

E desde as jornadas de junho de 2013, Mauro se envolveu na organização dos diversos protestos contra a corrupção realizados em Pato Branco. “Também foram mobilizações de conscientização da sociedade, no sentido de resgatar os valores cívicos, de moralidade e da ética”, completa.

O médico também acredita na alternância do poder, algo que ele aprendeu no Rotary International e colocou em prática na sua experiência enquanto gestor do Instituto São Lucas. Ele permaneceu no cargo apenas por duas gestões, período que ele considera suficiente para desenvolver um projeto. “Mesmo que haja sucesso, é necessário dar espaço para novas ideias. A perpetuação das pessoas no poder gera ineficiência. É necessário gente nova, com novas ideias”, afirma.

Quando o assunto é o futuro da nação, Mauro pontua algumas questões que julga prioritárias. A mais urgente é uma mudança de governo, que precisa ser assumido por pessoas comprometidas com a verdade e o interesse público. 

Mauro acredita que a consequência imediata seria a redução da corrupção e dos desvios, outro ponto prioritário. Ele também pontua a importância da aliança com a iniciativa privada para o desenvolvimento da nação.

Por fim, Mauro acredita que o país precisa investir de forma efetiva em educação, com a valorização dos professores e salários dignos. “Um país com perspectiva de desenvolvimento precisa investir em educação, mas não somente no sentido de escolaridade. É preciso dar condições para que as pessoas tenham capacidade de pensar”.

*(Publicado originalmente na Revista Vanilla em março de 2018)

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