Opinião

A necessária autoridade parental

Prezados amigos, na semana passada, conversamos sobre o necessário envolvimento emocional com os filhos e, em função disso recebi uma questão que certamente é uma dúvida de muitos pais, especialmente, os mais jovens.

A questão é: “...se eu tiver todo um envolvimento emocional com meu filho, não perco a autoridade...?

Sei que a questão é muito complexa.

Sei, também, que é fácil dizer que os pais devem exercer a autoridade na medida certa, para que não caiam no autoritarismo. Mas como exercer essa “medida certa”?

Gosto da ideia de a autoridade seja “um tipo de influência exercida pelo que manda para o bem do que obedece. Há uma relação de poder e de sujeição no exercício da autoridade, mas essa somente é legítima se exercida em benefício de quem a ela está sujeito”.

Então, essa “influência” passa pela conquista emocional, pelos relacionamentos afetivos interpessoais bem resolvidos. Nessa medida, certamente, não há grandes riscos de se perder a autoridade.

Vocês, caros leitores, conhecem o ditado popular “ninguém pode dar o que não tem”. Por isso, para exercer a verdadeira autoridade, os pais precisam vivenciá-la antes, entre si mesmos. Ter valores, princípios, ética que deixem a marca registrada nos pais é de extrema importância para a construção da autoridade parental.

Além disso, os pais precisam ser exemplo de serenidade, naturalidade, bom humor, dedicação, saber escutar, compreender, desculpar, exigir, coerência, constância, fortaleza, dentre outras. Por exemplo, os pais que se esforçam por ser leais aos compromissos assumidos e que também se esforçam por estar presentes nas reuniões escolares de seus filhos adquirem um grande prestígio com eles.

A autoridade parental não pode ser exercida na forma de paternalismo, que consiste na figura do “super-pai” ou da “super-mãe”, que são aqueles que fazem tudo para os filhos, por exemplo, têm eles já oito anos e ainda sequer colocam o uniforme da escola sozinhos. Nesse caso, na fase adulta, costumam ser muito indecisos e inseguros.

Outra forma de “autoridade parental” desvirtuada é o autoritarismo que é o pai ou a mãe extremamente severo, que incute no filho forte temor de modo que se obedece exclusivamente por medo. Nesse caso, costuma-se surgir dois tipos de consequências. Uma delas é que surjam filhos hipócritas, ou seja, como estão acostumados a obedecer apenas por medo, pensam que podem fazer qualquer coisa errada, conquanto que não o descubram. Outra consequência desse mau uso da autoridade é que os filhos sejam submissos, dependentes dos pais, mesmo na fase adulta e já com família constituída.

Outra forma de desvirtuamento da autoridade parental é o permissivismo, que consiste em permitir tudo, pois dizer muito “não” vai traumatizar, pensam. Nesse caso, na verdade, os filhos não se sentem amados, pois a mensagem que se passa é que não gostam deles, por isso que tudo permitem. A consequência dessa educação desleixada é que os filhos cresçam sem valores perenes, com sérias dificuldades de assumirem compromissos duradouros, tanto na vida familiar, como na profissional.

Precisamos tomar cuidado com os modismos que surgem na esfera de educação dos filhos, no exercício da autoridade parental. Hoje, essa é uma das grandes dificuldades enfrentadas pelas escolas. Os pais deixaram de exercer sua autoridade em casa e não querem que na escola os professores e diretores exerçam seus papeis de autoridades que são.

Tenho receio de coisas do tipo que aconteceram nos anos 1960 a 1980 (e que, de certa forma perdura até hoje) quando se dizia que “é proibido proibir”. Isso fez mais estragos do que se poderia supor naqueles momentos de farra libertária. Plantaram nas mentes e nos corações a convicção falsa e perigosa de que, na vida, tudo são direitos e nada é dever.

Boa parte dos pais de hoje (eles mesmos mal-educados) simplesmente não sabe o que fazer para controlar a rebeldia dos filhos, perdendo-se no interior de situações esdrúxulas nas quais quem deveria ser comandado comanda, e quem deveria mandar comete um desmando atrás do outro.

Penso que, em qualquer tipo de relação humana, o autoritarismo é sempre estúpido e nefasto. Mas, em relações do tipo professor/aluno e, sobretudo, nas relações entre pais e filhos, a autoridade é indispensável para a construção sadia da criança.

A autoridade parental é indispensável para a construção do caráter e da personalidade dos filhos. Crianças criadas sem consciência de limites se tornam adultos frustrados e infelizes. Muitos pais, porém, têm medo de desempenhar seu papel de educador.

Penso mesmo que um dos principais elementos do processo educativo, por meio do qual a criança aprende a funcionar como ser humano feliz é o exercício da autoridade parental para a construção de seu caráter e personalidade, pense nisso enquanto lhe desejo boa semana.


Professor – Pedagogo-Psicopedagogo Clínico e Institucional- Gestor de Educação Pública – Secretário Municipal de Educação de Vitorino-PR- Educador - Doutor em Educação. Membro do Conselho Estadual de Educação do Paraná. www.dirceuruaro.com.br/e-mail [email protected]

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