Saúde

A influência dos fatores psicológicos no tratamento da dor crônica

A dor, segundo a International Association for the Study of Pain, é “uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a dano presente ou potencial, ou descrita em termos de tal dano”.

A dor, segundo a International Association for the Study of Pain, é “uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a dano presente ou potencial, ou descrita em termos de tal dano”.

Quando nominada “dor crônica”, ela é caracterizada como uma dor contínua ou recorrente, com duração mínima de três meses, muitas vezes com etiologia incerta, e não desaparece com o emprego de procedimentos terapêuticos convencionais, tornando-se a causa de incapacidades e inabilidades prolongadas.

Apesar de essa ser a definição clássica, talvez um conceito melhor de dor crônica seria o das dores que durem além do tempo normal de reparo. Espera-se que a lesão tecidual produza nocicepção e dor, mas quando o reparo está completo, a dor deveria cessar. Se a dor prosseguir após o tempo normal de reparo, a origem da dor é duvidosa.

Uma razão para a permanência da dor é a influência de fatores psicológicos. À medida que a duração dos impulsos dolorosos se prolonga, o grau de sofrimento aumenta, mesmo quando a intensidade dos impulsos somatossensitivos continua a mesma. De fato, a dor crônica pode manter um alto grau de desconforto, mesmo se a intensidade do impulso somatossensitivo diminuir ou desaparecer completamente. Isso significa que um grau persistente de desconforto pode permanecer após a causa inicial ter sido resolvida.

Com a cronicidade, todas as dores, independentemente do tipo inicial ou origem, parecem assumir as características clínicas de intensificação psicogênica. A intensificação psicogênica refere-se ao achado clínico com o qual, à medida que a dor se torna crônica, a experiência dolorosa pode intensificar-se mesmo se o impulso somatossensitivo diminuir. Assim algumas doenças bucofaciais crônicas exibem características de doenças depressivas.

A dor crônica tem prevalência em pacientes do gênero feminino, e aumenta progressiva e proporcionalmente ao aumento da idade. Alguns estudos acreditam que a presença de dor encontrada em adultos de meia idade (40-49 anos) pode estar associada às atividades laborais, uma vez que se trata da faixa etária economicamente ativa, e que a dor crônica no idosa (acima de 60 anos) decorre de processo de envelhecimento que aumenta o risco de doenças crônico-degenerativas.

À medida que a dor torna-se crônica, as opções de tratamento alteram-se da modalidade local para a sistêmica e central. A dor que poderia ser tratada com um enfoque puramente odontológico, pode exigir tratamento abrangente ou interdisciplinar coordenado quando se torna crônica.

As alterações dolorosas bucofaciais podem ser influenciadas por diversas condições psicológicas. Às vezes, fatores psicológicos afetam diretamente uma condição física existente. Como exemplo, um paciente pode estar sofrendo com dor do músculo masseter, mas relata que a dor é muito mais intensa nos dias em que as coisas não estão indo muito bem no trabalho. A condição física é a dor muscular, mas, quando o fator psicológico da tensão emocional aumenta a experiência dolorosa é intensificada.

Deve-se notar que há relação definida entre a intensidade e a duração da dor. Quanto maior a intensidade, menor o período de tolerância da pessoa que sofre. A dor de baixa intensidade pode ser suportada por mais de sete horas, enquanto a dor de intensidade máxima pode ser tolerada por não mais que alguns segundos.

Pacientes com dor crônica, normalmente, referem que a dor compromete o lazer, o sono, o apetite e as atividades sexuais e profissionais, resultando no estresse, na diminuição da resposta imunológica, o que pode causar depressão e, consequentemente, redução da qualidade de vida.

Mais de um terço da população brasileira julga que a dor crônica compromete as atividades habituais e mais de três quartos a consideram limitante para as atividades recreacionais, relações sociais e familiares.

A dor crônica é um problema de saúde pública contemporâneo, sendo que frente a este contexto, o cuidar a pessoa com dor crônica representa um desafio para os profissionais da saúde.

O tratamento de pacientes com dor crônica é multidisciplinar, onde o cirurgião dentista especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial trabalha em conjunto com outros profissionais das áreas da saúde, como neurologistas e psicólogos, para melhorar o quadro emocional do paciente, para uma resolução mais rápida do quadro de dor. Lembrando a necessidade muitas vezes dos profissionais fisioterapeutas para alívio de sintomas dolorosos, médicos otorrinolaringologistas, para em conjunto descartar algumas possibilidades de doenças respiratórias.


Leandro Freitas Tonial é cirurgião-dentista, especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial - CRO 15245

 

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