Vanilla

A dama interpreta sua arte

Aos 80 anos, Eva Wilma vive atriz veterana em espetáculo que satiriza o teatro e seus bastidores

João Caldas/Divulgação

Ewa Wilma, interpreta Blanca Estela Ramírez, em Azul Resplendor

“Fotografa dali que a luz está lá. De luz eu entendo”. Foi assim que, em uma coletiva de imprensa, Eva Wilma me deu um toque sobre fotografia. Ela, que já rodou por palcos, estúdios e cenários suficientes para entender de iluminação e de várias outras coisas.

Eva Wilma foi atriz em 60 dos seus 80 anos de idade. Atuou em 22 filmes, 30 espetáculos teatrais e já nem lembra mais quantas vezes apareceu na televisão, mídia que a consagrou na pele de personagens como Maria Altiva Pedreira de Mendonça e Albuquerque (oxente my god!), da novela “A Indomada”. E parece que ainda há muito fôlego, pois ela continua no palco e na estrada. A atriz é a estrela da peça “Azul Resplendor”, uma brilhante brincadeira com o universo teatral escrita pelo peruano Eduardo Adrianzén, que viajou o país e passou por Pato Branco.

Sua personagem é Blanca Estela Ramírez, uma diva do teatro que volta à cena após décadas de um exílio voluntário. A razão do retorno e seu desenrolar são o mote do espetáculo, que aproveita o enredo para, de certo modo, debochar de algumas personas, como o diretor egocêntrico, o eterno coadjuvante e os jovens atores, bonitos por fora e vazios por dentro, que fazem de tudo para entrar no mercado.

“Ele (o autor) critica com humor todos nós que trabalhamos com as artes cênicas, e acrescenta, de forma poética, reflexões sobre a finitude da vida e uma declaração de amor ao trabalho do ator”, analisa a atriz que é acompanhada no elenco por Genézio de Barros, Luciana Borghi, Débora Veneziani, Felipe Guerra e pelo paranaense Guilherme Weber. A direção é de Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas.

“Azul Resplendor” é divertidíssima para o público em geral e uma desforra para quem já esteve perto ou dentro de uma companhia teatral e afins. Quase todos os clichês, tipos e situações da montagem e dos bastidores de um espetáculo estão lá, postos em movimento pelo competente elenco. Eva classifica os personagens como humanamente interessantes, por mostrarem nas cenas seu lado pessoal e artístico. “Todos eles são muito engraçados e emocionantes”.

Escola

Uma vida inteira de laboratório não eximiu Eva dos estudos que deram vida a Blanca. Mesmo com seis décadas de palco nas costas, a atriz conta que ainda estuda muito, de preferência ouvindo música clássica. “Para que qualquer coisa saia bem feita você precisa estudar”, taxa.

E para ela, não há melhor escola cênica do que o teatro. “Gosto da velocidade da televisão. Gosto de fazer cinema quando me ligo muito no diretor. E gosto de fazer teatro porque é a escola do ator, é onde ele está de corpo inteiro, ao vivo, de alma inteira. De vez em quando eu preciso voltar pra escola, senão eu paro de evoluir”.

Carreira

“Azul Resplendor” é uma homenagem ao teatro e também a carreira de Eva Wilma. No site do espetáculo há um convite para que o público envie vídeos com depoimentos sobre personagens marcantes da atriz, que começou a carreira em 1953. A mais lembrada, segundo a própria, é Maria Altiva, de “A Indomada”.

Ruth Araújo e Raquel Araújo Assunção, da primeira versão de “Mulheres de Areia” também estão na memória do público, assim como Marta, a médica do seriado “Mulher”, programa que a atriz considera como socialmente importante.

A trama de 1998 apresenta o cotidiano de uma clínica especializada no atendimento ao público feminino. Dos filmes, Eva diz se orgulhar de “São Paulo Sociedade Anônima”, dirigido por Luiz Sergio Person e lançado em 1965. Durante a carreira, a atriz transitou com frequência pela TV, teatro e cinema, mas diz não preferir um ou outro. “Eu sou atriz, gosto é de atuar”.

Classificados