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A ciranda das saias

Grupo de mulheres transforma amizade em dança de roda para expressar a união entre si e entre tudo

Grupo de mulheres transforma amizade em dança de roda para expressar a união entre si e entre tudo

Helmuth Kühl
No sentido horário: Marini, Aracieli, Fernanda e Caroline

Os sentimentos de uma amizade já foram exaustivamente expressados pela arte. Músicos, poetas, cineastas e romancistas já usaram a cumplicidade entre pessoas como matéria prima para suas obras.

A arte também foi a forma encontrada por um grupo de mulheres de Pato Branco para não apenas fortalecer seus laços de amizade, mas também materializar na dança uma lista de ideologias e valores em comum. Separadas são Caroline, Fernanda, Marini e Aracieli, jovens com idade entre 20 e 25 anos. Juntas são a Ciranda Cósmica.

Formado há cerca de um ano, o grupo surgiu em rodas de saias, encontros de amigas que se reúnem para passar o tempo enquanto ouvem música, debatem e estudam as várias ramificações da arte e da cultura dita alternativa, como medicina natural, esoterismo, e o sincronário maia, método de contagem de tempo a partir dos astros, usado pelo antigo povo mexicano.

Frequentadoras de festivais de arte alinhados com essa filosofia, as dançarinas - que já foram oito - decidiram que queriam também contribuir com a programação dos eventos. Como gostavam de dançar, ficou fácil escolher por qual via. “A dança é um meio de expressar o que sentíamos nos nossos encontros”, resume Fernanda Pereira. Só ela e Caroline Sabadini já haviam estudado dança antes, respectivamente balé clássico e dança tradicionalista.

Apesar disso, o grupo não segue necessariamente técnicas inspiradas nesses e outros estilos, exceto um: a dança circular. Fernanda explica que a intenção era criar coreografias com mais significado do que plástica, e que nada era mais emblemático para a Ciranda Cósmica do que dançar em uma roda, algo feito em todo o mundo, desde as primeiras sociedades.

“O círculo é uma forma que representa igualdade. Nós acreditamos que as pessoas e a natureza fazem parte do mesmo conjunto. Tudo no universo é interligado”, ilustra Aracieli Chamma.

Helmuth Kühl
Para o grupo, o círculo representa a igualdade

Essa rede ajuda a explicar a confluência de acessórios que aparecem nas performances, como incensos – que purificam ambientes, dizem elas – peças de biscuit em forma de lótus, e flores, estas fundamentais.

A flor foi um dos elementos eleitos pelas dançarinas para representar o feminino. No discurso e na dança, salta aos olhos o fato de que a Ciranda Cósmica representa a união das mulheres e de sua força. “As reuniões entre as meninas também acontecem para apoio mútuo. Nos sentimos livres para nos abrirmos umas com as outras. Isso nos fortalece”, diz Marini Guimarães.

Inspiração

Quando criam, as quatro integrantes da Ciranda Cósmica levam em conta principalmente o tipo de evento em que vão se apresentar. Saber a vibe do ambiente ajuda a escolher se o figurino será branco, colorido ou mais soturno; se serão usadas posições de mão para meditação, danças tribais, giros, ou tudo isso e mais um pouco.

Os movimentos de uma de suas primeiras coreografias, por exemplo, imitavam os quatros elementos da natureza. Símbolos da Índia direcionaram a apresentação em um festival inspirado na cultura hindu. Em gestação, está uma coreografia onde o significado está nos passos.

Desde sua primeira aparição pública, a Ciranda Cósmica já se apresentou no Teatro Naura Rigon e no Domingo do Parque, em Pato Branco, e também foram mais longe. Em setembro passado, as meninas participaram do Earthdance, em Porto Alegre, um dos maiores festivais do mundo de cultura alternativa e um palco e tanto para apresentações de dança circular. Realizado simultaneamente em 19 países, o evento também é chamado de festa global da paz.

Helmuth Kühl
As dançarinas em ação

Não há como pensar em algo diferente ao assistir a Ciranda Cósmica em ação. As sincronias acontecem em um ritmo peculiar, lento. “Por ser uma dança com movimentos repetitivos e lentos, nós ficamos em um estado vibracional diferente, mais calmo, onde a gente espera e aceita o outro”, verbaliza Fernanda.

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