Com a previsão de chuvas acima da média em função do fenômeno El Niño, a Defesa Civil Estadual realizou nesta quarta e quinta-feira (18) reuniões com o Comitê Paranaense de Segurança de Barragens e representantes de empresas responsáveis pela operação de barragens no Paraná. Os encontros ocorreram de forma híbrida e reuniram mais de 30 representantes de setores como geração de energia, mineração, armazenamento, tratamento e distribuição de água.
O objetivo foi reforçar ações preventivas e alinhar estratégias para garantir a segurança das estruturas diante de possíveis eventos climáticos extremos previstos para os próximos meses.
Segundo o coordenador executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Ivan Fernandes, a antecipação das reuniões ocorreu justamente em razão das projeções climáticas para o Estado.
“Naturalmente nos preocupamos com o impacto desse volume atípico nas barragens do Estado, por isso convocamos as principais operadoras para que haja uma atenção especial diante de um possível cenário extremo”, destacou.
Paraná possui mais de 2 mil barragens
Atualmente, o Paraná conta com 2.064 barragens destinadas a diferentes finalidades. Entre elas estão estruturas voltadas à geração de energia hidrelétrica, abastecimento público, irrigação, armazenamento de água, contenção de rejeitos industriais e de mineração, regularização de vazão e atividades agropecuárias.
Durante as reuniões, as empresas apresentaram medidas preventivas já adotadas em função do cenário climático previsto para os próximos meses.
De acordo com Fernandes, os resultados apresentados demonstram que as estruturas estão preparadas para enfrentar situações de maior volume de chuva.
“Temos certeza de que, em caso de algum evento, as barragens estarão dotadas de total segurança para prevenção de qualquer tipo de acidente”, afirmou.
Sanepar destaca monitoramento permanente dos reservatórios
A Sanepar apresentou informações sobre o acompanhamento realizado nos cinco principais reservatórios de abastecimento da Região Metropolitana de Curitiba: Miringuava, Iraí, Passaúna, Piraquara I e Piraquara II.
Segundo a companhia, todos os empreendimentos passam anualmente por avaliações técnicas que verificam condições hidráulicas, eletromecânicas, civis e geotécnicas.
De acordo com o coordenador de Produção da Sanepar, Arion Garcia, a avaliação realizada em 2025 confirmou a conformidade estrutural de todos os reservatórios, incluindo a Barragem Piraquara I, inaugurada em 1979.
Além das inspeções anuais, as equipes realizam leituras mensais dos instrumentos de monitoramento para acompanhar o desempenho das estruturas e identificar eventuais necessidades de manutenção.
“O resultado indicou a conformidade, ou seja, todos os reservatórios atendem os requisitos de segurança e têm capacidade para escoar o volume de água previsto no projeto, isso considerando o histórico de ocorrência das chuvas mais altas possíveis já identificadas”, explicou Garcia.
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Reservatórios ajudam a reduzir impactos de enchentes
Durante a reunião também foi destacado que os grandes reservatórios exercem papel importante na mitigação dos efeitos provocados por chuvas intensas.
Essas estruturas armazenam parte da água e realizam liberações controladas, reduzindo os picos de vazão dos rios e contribuindo para minimizar alagamentos em áreas urbanas.
Além disso, os reservatórios garantem o abastecimento público durante períodos de estiagem e ajudam a equilibrar a disponibilidade hídrica ao longo do ano.
Itaipu apresenta plano de monitoramento de cheias
A Itaipu Binacional também participou das reuniões e apresentou as medidas adotadas para monitorar e enfrentar cenários de cheias na região da usina.
Com capacidade para armazenar cerca de 29 bilhões de metros cúbicos de água, o reservatório da Itaipu ocupa uma área de aproximadamente 1.350 quilômetros quadrados e influencia diversos municípios do Paraná e do Mato Grosso do Sul.
A empresa mantém monitoramento contínuo dos rios que impactam a operação da usina e divulga diariamente um Boletim Hidrológico com projeções sobre o comportamento dos níveis dos rios.
Quando as previsões apontam para elevações significativas dos níveis de água, é acionada a Comissão Especial de Cheias (CEC), formada por representantes brasileiros e paraguaios de diferentes áreas técnicas da usina.
Ações buscam reduzir impactos para comunidades
Segundo o superintendente de Segurança Empresarial da Itaipu, coronel Washington Rosa, uma das prioridades é minimizar os impactos para moradores de áreas suscetíveis a inundações.
“O excesso de chuva pode elevar o nível do Rio Paraná à jusante da usina. Enquanto conseguimos reter, seguramos essa água para retardar, ou até mesmo reduzir as enchentes em alguns bairros de Foz do Iguaçu e municípios do Paraguai ao longo do curso”, explicou.
Ele destacou ainda que, quando necessário, são adotadas ações preventivas voltadas às populações localizadas em áreas conhecidas como manchas de inundação, onde existe maior risco de elevação do nível da água durante períodos de cheias.
As reuniões fazem parte das ações de prevenção promovidas pela Defesa Civil para reforçar a segurança das barragens e reduzir riscos diante da previsão de chuvas mais intensas associadas ao fenômeno El Niño.

