Nelson da Luz Junior
Retrospectiva sonora 2015 (em português)

O ano que passou rendeu para a música sudoestina, principalmente para o rock e o pop. Os festivais e festas pipocaram por essas bandas, artistas locais se destacaram em rede nacional e houveram vários lançamentos, de músicas, EPs ou álbuns.

Para abrir o ano novo vamos lembrar alguns dos sons que mais repercutiram em 2015, em uma retrospectiva de duas partes. A primeira com lançamentos em português, e a segunda, com os trabalhos cantados em inglês.

A intenção não é ranquear, mas sim reunir, e os comentários estão abertos para quem quiser lincar material. Enjoy!

 

Tiregrito – Sul do Mundo

Divulgação


Um galo, um copo de cerveja, gaita, banjo e guitarras. Foi assim que no som e na capa de “Sul do Mundo” os beltronenses da Tiregrito impulsionaram o rock gaudério, inaugurado há alguns anos pelos conterrâneos da Paraná Blues.

Em 2015, na crista da onda da divulgação do EP, o grupo foi longe. Mobilizaram votos o suficiente para entrar na final de uma seletiva que poderia levá-los ao Rock in Rio, e excursionaram pelo Paraná ao lado de nomes como Terra Celta.

 

 

Marcelo Archetti – Sei lá

Reprodução/Facebook


Em um dia qualquer, Marcelo Archetti, do nada, aparece no The Voice Brasil. O músico de Pato Branco já vem se dedicando há cerca de dois anos em sua carreira, com canções próprias, projetos cover no Youtube e afins.

Antes de aparecer no reality show da Globo, Marcelo lançou a faixa “Sei Lá”, com um bonito videoclipe gravado em Curitiba. Em suas redes o músico já fala em novos lançamentos autorais.

 

 

Nort Moskow – O inferno é logo aqui

João Petralha/Reprodução/Facebook
Legenda

Formada em outubro de 2014, em Pato Branco, a Nort Moscow começou a mostrar seu hard rock em festas, festivais e bares da região, e com menos de um ano de estrada lançou seu primeiro EP, "O inferno é logo aqui".

Em sua página no Facebook, o grupo anuncia que seu foco é o material autoral, e que sua intenção “é entrar de peito na luta pelo rock brasileiro!”

 

Crossover – Perdido

Reprodução/Facebook

 

A Crossover é formada por Boka Viana, conhecido artista solo da noite de Pato Branco, Renan Banck, Luís Brod e Dudu Tomasi. “Perdido”, seu single de estreia, foi lançado via Facebook, e segue na linha pop rock. Também pelo Facebook, a banda anunciou que deve lançar em breve um álbum com pelo menos 12 faixas autorais.

 

 

Entrevero Instrumental - Estratossoma

Reprodução/Facebook
O Entrevero, em estúdio. Sentado ao centro, Guerro, o pato-branquense do grupo

 

O grupo de música instrumental é sediado em Florianópolis, mas seu acordeonista, Diego Guerro, é de Pato Branco. Depois de gravar com nomes como Hermeto Pascoal e rodar o Brasil com seus shows, a banda lançou seu terceiro disco, Estratossoma, elogiado pelo blogueiro Antônio Carlos Miguel, do site G1.

 

Uma cena promissora (ou, a que viemos)

Eu era um pré-adolescente quando meu pai, seu Nelson, chegou em casa com aquele CD, Janelas e Portas, de um tal Jardim Elétrico. Foi uma descoberta. Eu, isolado em uma pilha de gibis na zona sul de Pato Branco, e que mal conhecia Aerosmith como se deve, nem fazia ideia de que alguém fazia rock autoral na cidade, e que ainda por cima gravava.

Reprodução/Prefeitura de Pato Branco

Dia de Rock e Mostra Hippie, Pato Branco, 2015

Ousadia mesmo. Naquele tempo, 2001 – se não me engano –, era bem mais complicado gravar e divulgar uma música própria. Era preciso grana, esforço, paciência e articulação para cativar as pessoas certas que fariam um disco decolar.

Graças a tecnologia muita coisa mudou no mundo da música, e este ano mostrou que as consequências atingiram em cheio a cena sudoestina. Por alto, pelo menos 11 bandas e artistas locais gravaram e lançaram alguma coisa na internet, seja disco, EP ou canção; sem contar os festivais, as festas e casas noturnas que abriram espaço para o rock autoral e suas várias tribos.

E teve gente que foi bem longe. Marcelo Archetti no The Voice Brasil, Tiregrito e Meio Dia pras Quatro articulando votos o suficiente para quase tocar no Rock in Rio. Um povo que rompeu as fronteiras da região, se é que a palavra fronteira ainda faz algum sentido nesse mundão conectado.

Dizer que a imprensa ignora esse movimento seria injustiça, mas eu já fui artista, e sei que arte não é levada a sério nesse país. Sei também que muitos desses músicos, assim como “os do passado”, como a Jardim Elétrico, não estão e nem estiveram para brincadeira.

Por mais que música também seja diversão, esses caras não dedicam tanto tempo, energia e dinheiro só para zoar no fim de semana. Ali tem ensaio, aprimoramento técnico, suor em forma de letra e melodia, para pelo menos fazer música decente, que diga algo, e que faça jus as suas inspirações.

Com esse blog, o Diário do Sudoeste pretende abordar a música local, e de certo modo amplificar na internet a cobertura que já fazíamos na versão impressa. Mas não é só isso. Os sons de outras estâncias também devem aparecer por aqui, na forma de comentários, lançamentos, análises, etc e tal, sempre que possível, indo na ordem do mais próximo para o mais distante, geograficamente falando.

Para saber um pouco mais do que já foi feito por essas bandas, segue o documentário “O Rock Patobranquense - Um Resgate Histórico”, feito por Beto de Bortoli e Gabrielle Viaceli, publicitários, em seus tempos de faculdade.

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Parte 2

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