Nelson da Luz Junior
Dying Suffocation participa de coletânea lançada na Europa

Compilação com 15 bandas brasileiras foi encartada na revista britânica Terrorizer, especializada em heavy metal


Fábio Conterno, Jorge Kichel, Alex Habigzang, Claudio Daniel e André Kichel. A Dying Suffocation (Divulgação)

A banda de doom/death metal Dying Suffocation, de Pato Branco, ganhou um espaço na coletânea “Son of the Carnival of Carnage”, encartada na edição de dezembro de 2015 da revista britânica Terrorizer, uma das publicações especializadas em rock pesado mais respeitadas da Europa.

Esta foi a segunda compilação lançada pela revista apenas com artistas brasileiros. Outras 14 bandas de várias regiões do país também participam do CD. A faixa do grupo a entrar no pacote foi “The Angels”, que faz parte do seu primeiro EP, “When I die”, também lançado em 2015.

Jorge Kichel, baterista do conjunto, conta que a oportunidade de participar do projeto veio através do convite do produtor Ed Rodrigues, da Metal Militia Web radio, de São Paulo.  “Ele viu nosso vídeo no Youtube, curtiu e fez o convite para participarmos”, conta o músico.

Apesar da vasta produção brasileira de qualidade, o heavy metal em geral possui muito mais espaço na Europa, avalia Kichel. Segundo ele, a coletânea já rendeu frutos. “Produtoras de Israel e Inglaterra e uma gravadora da Inglaterra entraram em contato, mas não temos nada certo.  Sobre o EP, apesar de recém lançado e da produção completamente independente, estamos recebendo uma boa crítica”.

“When I die” possui quatro faixas autorais, e está disponível para audição no site da banda. A capa, de acordo com Kichel, foi feita por Marcelo Vasco, artista brasileiro que também assinou a capa do disco mais recente do Slayer.

A intenção do grupo é usar o material para divulgar o trabalho dentro e fora de casa, e preparar o terreno para o primeiro lançamento completo, cujas músicas já estão compostas.

A banda

A Dying Suffocation surgiu no fim de 2014, da vontade de Alex Habigzang, guitarrista, e André Kichel, baixista, de fundar um projeto de doom/death metal. Ambos também tocam na Old Skull Death, velha conhecida da cena pesada de Pato Branco. Completam a formação Fábio Conterno (guitarra), Jorge Kichel (bateria), Claudio Daniel (vocal).

Retrospectiva sonora 2015 (em inglês)

O debate sobre a legitimidade de bandas brasileiras cantando em inglês rende discussão desde que o Sepultura começou a fazer a sucesso. Da nossa parte não tem problema nenhum, e a divisão linguística da retrospectiva 2015 foi só um critério de organização mesmo.

Na segunda e última parte da série, lembramos alguns dos sons que rolaram cantados em inglês.

 

Colostro – So, so clever

Divulgação
Deitos, Faccio e Fantinel

A Colostro entrou em 2015 com novo baterista, Mateus Deitos, natural de Coronel Vivida, e com uma proposta nova de lançamentos. Ao invés de EPs, o trio completado por João Faccio e Leonardo Fantinel resolveu soltar novas músicas aos poucos, financiadas, em parte, pela venda de camisetas. A primeira delas foi “So, So Clever”.

 

 

Christoferson – Scarlet Foot

Daiana Pasquim/Divulgação
A Christoferson. Blues rock do interior

Outro trio de Pato Branco que mostrou trabalho no ano passado foi o Christoferson. Depois do disco de estreia “Buffalo”, de 2013, a banda voltou com mais blues rock de raiz em “Scarlet Foot”.

 

 

The Opposite Of Hate - Beginnings

Reprodução/Facebook
Músicos pelo Brasil - Não coube todo mundo na foto :(

Por aqui também se faz rock progressivo. Não bem por aqui, na verdade. A The Opposite of Hate é um combo de músicos espalhados pelo Brasil, sendo três deles de Pato Branco, o guitarrista Silvério Simioni e os bateristas Marcinho Pereira e Kassio Todescatt. Cada músico gravou suas partes em suas cidades, e dessa colagem saiu “Beginnings”, o disco de estreia, que teve uma de suas faixas na coletânea internacional, “Voices for Hospices”, onde também estiveram gente do naipe de Steve Hackett, ex-Genesis.

 

 

Estranjero – Learn to Fly

Divulgação
A Estranjero, de Beltrão

 

Formada por Samoel Pitz, Mike Vargas, Ewerton Perotoni e Victor Baronio, a Estranjero, de Francisco Beltrão, nasceu das cinzas da Bird and Cage, e investe em música autoral desde o nascimento. No ano passado, a banda lançou Learn to Fly, com três canções próprias.

 

Retrospectiva sonora 2015 (em português)

O ano que passou rendeu para a música sudoestina, principalmente para o rock e o pop. Os festivais e festas pipocaram por essas bandas, artistas locais se destacaram em rede nacional e houveram vários lançamentos, de músicas, EPs ou álbuns.

Para abrir o ano novo vamos lembrar alguns dos sons que mais repercutiram em 2015, em uma retrospectiva de duas partes. A primeira com lançamentos em português, e a segunda, com os trabalhos cantados em inglês.

A intenção não é ranquear, mas sim reunir, e os comentários estão abertos para quem quiser lincar material. Enjoy!

 

Tiregrito – Sul do Mundo

Divulgação


Um galo, um copo de cerveja, gaita, banjo e guitarras. Foi assim que no som e na capa de “Sul do Mundo” os beltronenses da Tiregrito impulsionaram o rock gaudério, inaugurado há alguns anos pelos conterrâneos da Paraná Blues.

Em 2015, na crista da onda da divulgação do EP, o grupo foi longe. Mobilizaram votos o suficiente para entrar na final de uma seletiva que poderia levá-los ao Rock in Rio, e excursionaram pelo Paraná ao lado de nomes como Terra Celta.

 

 

Marcelo Archetti – Sei lá

Reprodução/Facebook


Em um dia qualquer, Marcelo Archetti, do nada, aparece no The Voice Brasil. O músico de Pato Branco já vem se dedicando há cerca de dois anos em sua carreira, com canções próprias, projetos cover no Youtube e afins.

Antes de aparecer no reality show da Globo, Marcelo lançou a faixa “Sei Lá”, com um bonito videoclipe gravado em Curitiba. Em suas redes o músico já fala em novos lançamentos autorais.

 

 

Nort Moskow – O inferno é logo aqui

João Petralha/Reprodução/Facebook
Legenda

Formada em outubro de 2014, em Pato Branco, a Nort Moscow começou a mostrar seu hard rock em festas, festivais e bares da região, e com menos de um ano de estrada lançou seu primeiro EP, "O inferno é logo aqui".

Em sua página no Facebook, o grupo anuncia que seu foco é o material autoral, e que sua intenção “é entrar de peito na luta pelo rock brasileiro!”

 

Crossover – Perdido

Reprodução/Facebook

 

A Crossover é formada por Boka Viana, conhecido artista solo da noite de Pato Branco, Renan Banck, Luís Brod e Dudu Tomasi. “Perdido”, seu single de estreia, foi lançado via Facebook, e segue na linha pop rock. Também pelo Facebook, a banda anunciou que deve lançar em breve um álbum com pelo menos 12 faixas autorais.

 

 

Entrevero Instrumental - Estratossoma

Reprodução/Facebook
O Entrevero, em estúdio. Sentado ao centro, Guerro, o pato-branquense do grupo

 

O grupo de música instrumental é sediado em Florianópolis, mas seu acordeonista, Diego Guerro, é de Pato Branco. Depois de gravar com nomes como Hermeto Pascoal e rodar o Brasil com seus shows, a banda lançou seu terceiro disco, Estratossoma, elogiado pelo blogueiro Antônio Carlos Miguel, do site G1.

 

Uma cena promissora (ou, a que viemos)

Eu era um pré-adolescente quando meu pai, seu Nelson, chegou em casa com aquele CD, Janelas e Portas, de um tal Jardim Elétrico. Foi uma descoberta. Eu, isolado em uma pilha de gibis na zona sul de Pato Branco, e que mal conhecia Aerosmith como se deve, nem fazia ideia de que alguém fazia rock autoral na cidade, e que ainda por cima gravava.

Reprodução/Prefeitura de Pato Branco

Dia de Rock e Mostra Hippie, Pato Branco, 2015

Ousadia mesmo. Naquele tempo, 2001 – se não me engano –, era bem mais complicado gravar e divulgar uma música própria. Era preciso grana, esforço, paciência e articulação para cativar as pessoas certas que fariam um disco decolar.

Graças a tecnologia muita coisa mudou no mundo da música, e este ano mostrou que as consequências atingiram em cheio a cena sudoestina. Por alto, pelo menos 11 bandas e artistas locais gravaram e lançaram alguma coisa na internet, seja disco, EP ou canção; sem contar os festivais, as festas e casas noturnas que abriram espaço para o rock autoral e suas várias tribos.

E teve gente que foi bem longe. Marcelo Archetti no The Voice Brasil, Tiregrito e Meio Dia pras Quatro articulando votos o suficiente para quase tocar no Rock in Rio. Um povo que rompeu as fronteiras da região, se é que a palavra fronteira ainda faz algum sentido nesse mundão conectado.

Dizer que a imprensa ignora esse movimento seria injustiça, mas eu já fui artista, e sei que arte não é levada a sério nesse país. Sei também que muitos desses músicos, assim como “os do passado”, como a Jardim Elétrico, não estão e nem estiveram para brincadeira.

Por mais que música também seja diversão, esses caras não dedicam tanto tempo, energia e dinheiro só para zoar no fim de semana. Ali tem ensaio, aprimoramento técnico, suor em forma de letra e melodia, para pelo menos fazer música decente, que diga algo, e que faça jus as suas inspirações.

Com esse blog, o Diário do Sudoeste pretende abordar a música local, e de certo modo amplificar na internet a cobertura que já fazíamos na versão impressa. Mas não é só isso. Os sons de outras estâncias também devem aparecer por aqui, na forma de comentários, lançamentos, análises, etc e tal, sempre que possível, indo na ordem do mais próximo para o mais distante, geograficamente falando.

Para saber um pouco mais do que já foi feito por essas bandas, segue o documentário “O Rock Patobranquense - Um Resgate Histórico”, feito por Beto de Bortoli e Gabrielle Viaceli, publicitários, em seus tempos de faculdade.

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