Nelson da Luz Junior
Skank revisitado

Coletânea reúne nova geração de músicos em homenagem à banda mineira. Cinco paranaenses estão no projeto

Em mais de vinte anos de carreira os mineiros do Skank se reinventaram algumas vezes. Foram do reggae presente em discos como Calango (1994), até as influências britânicas evidenciadas a partir de Maquinarama (2000), espalhando ainda doses de vários outros gêneros pela sua discografia.

(Foto: Divulgação)

Mas uma habilidade foi constante na trajetória do quarteto, a de produzir grandes hits. O Skank soube ultrapassar muito bem as mudanças do mercado fonográfico, se mantendo em evidência com sucessos constantes, feitos com uma receita pop que costuma agradar a diferentes públicos.

Muitos desses sucessos vão ganhar uma nova roupagem na coletânea “Dois Lados”, tributo que trará nomes da nova safra da música brasileira revisitando o trabalho do Skank.

Será um álbum duplo, com 30 faixas e três bônus tracks, interpretadas por 34 artistas, de 15 estados. Cinco paranaenses estão na coletânea, A Banda Mais Bonita da Cidade; Ana Larousse e Leo Fressato; Tuyo e Nevilton.

O projeto independente e sem fins lucrativos – cada artista arcou com sua própria gravação - será disponibilizado para download gratuito no site Scream & Yell (screamyell.com.br) e em suas redes sociais. A previsão de lançamento é junho.

“Dois lados” é um projeto idealizado e produzido por Pedro Ferreira, produtor que também lançou tributos semelhantes ao Los Hermanos e à Milton Nascimento e o Clube da Esquina - respectivamente as coletâneas Re-trato, de 2012, e Mil Tom, de 2015.

Ferreira acredita que o sucesso do Skank abriu caminho para toda uma nova geração de artistas, não só de Minas Gerais, mas de todo o Brasil, entusiasmados pela possibilidade de fazer música de qualidade e com forte apelo popular. “Será uma oportunidade para entender, de forma definitiva, o valor do legado do Skank, e de que forma ele atingiu e inspirou as pessoas durante todos esses anos”, diz o produtor.

Casting e faixas de “Dois Lados”

Wado (AL) – Dois Rios    

Leo Fressato e Ana Larousse (PR) – Tão Seu 

(Fotos: Bianca Kovach/Reprodução - Facebook)

Costa Gold (SP) – Jackie Tequila

Ana Muller (ES) -  Acima do Sol

Phillip Long (SP) – Resposta

André Gonzales (DF) – Ainda Gosto Dela 

Dani Black (SP) – Saideira

Francisco El Hombre (SP) -  Pacato Cidadão                       

Zé Manoel (PE) - Tanto (I Want You)

Phill Veras (MA) – Vou Deixar

Rico Dalasam (SP) - Balada do Amor Inabalável

Seu Pereira e Coletivo 401 (PB) – Ela Me Deixou

Nevilton (PR) - Te Ver

(foto: Luiz Maximiano)

Teago Oliveira (BA) – Esmola

Manitu (MG) - Garota Nacional

Quarup (SP) – Vamos Fugir

Lulina (PE) – Indignação

Jéf (RS) – Sutilmente

André Abujamra (SP) – Sem Terra

Garotas Suecas (SP) – Mandrake e os Cubanos

A Banda Mais Bonita da Cidade (PR) – Canção Noturna

(Foto: Breno Galtier Photography) 

Cobra Coral (MG) – Esquecimento

Graveola (MG) – Baixada News

Transmissor (MG) - Siderado

The Baggios (SE) –  A Cerca

Tuyo (PR) -  Três Lados

(Foto: Arnaldo Belotto)

Ian Ramil (RS) – O Homem Que Sabia Demais

Medulla (RJ) – As Noites

As Bahias e a Cozinha Mineira (SP) - É Proibido Fumar

Fernando Anitelli (SP) – Formato Mínimo

Esteban (RS) – Mil Acasos

Selvagens à Procura de Lei (CE) – Ali

AnaVitória (TO) – Amores Imperfeitos

O disco obscuro de Mauro Koth

Há oito anos, um dos fundadores da Jardim Elétrico lançava “Corações Analógicos”, um dos álbuns mais ambiciosos e desconhecidos do rock sudoestino


Capa de Corações Analógicos (Crédito: Reprodução)

 

Embalado em papel reciclado, “Corações Analógicos” mais parecia um EP de divulgação na pilha de CDs lançados por bandas locais que eu investigava por curiosidade. Na capa, apenas o nome do disco sobre a foto de um toca fitas de rolo Tascam.

O projeto era novidade para mim, mas as vozes registradas eram bem conhecidas. Se travava de Márcio e Mauro Koth, duas das mentes por trás da banda pato-branquense Jardim Elétrico.

Mas o som era diferente. A crueza e a simplicidade de canções como “Heil Hippie” e “Benedicto” deram lugar a um experimentalismo que mistura brasilidade com algumas das principais influências da banda, como o rock progressivo e os Beatles.

Faz sentido, pois o álbum não é bem um trabalho da Jardim Elétrico. Lançado em 2009, “Corações Analógicos” foi gestado em Curitiba como um projeto de Mauro, que entrou em estúdio por estímulo e suporte de dois músicos amigos, Magno Verges e Andre Carrano, que também acabaram participando das gravações.

O CD tem 10 faixas, a maioria composta por ele, que também assina as letras de Janelas Portas, primeiro e único trabalho de estúdio da Jardim Elétrico. “A maioria fiz na época. Eu sempre fiz as músicas do Jardim já pensando e contando com a musicalidade dos manos, mas esse é um trabalho mais meu, com a ajuda deles”, explica.

Mauro Koth, da Jardim Elétrico. Banda com os irmãos Márcio e Julio

(Crédito: Reprodução/Facebook)

Inquieto, Mauro também pretendia ousar. No álbum há uma gama variada de efeitos, instrumentações e temas. “Amazônia”, por exemplo, fala sobre um índio nostálgico, e conta com um psicodélico solo de sintetizador. Já “O Toque do Cajado” é uma faixa rica em ritmos brasileiros, cujo andamento lembra as composições dos mineiros do clube da esquina. “Nesse CD eu tentei misturar a malandragem a ginga do samba, forró, ciranda com o rock. Muita gente do rock achou MPB e o da MPB achou Rock”, diverte-se o músico.

Obscuro

Para os padrões locais, Corações Analógicos é um disco tão original quanto obscuro, se levarmos em conta que algumas das composições da Jardim Elétrico são cantadas até hoje pelos bares da cidade, mesmo tendo sido lançadas em 2001.

A explicação foram os obstáculos para o trabalho sair do forno. Mauro conta que as gravações começaram em um importante estúdio curitibano. Alguns desentendimentos, porém, encerraram a parceria e o músico quase desistiu do projeto.

O que já havia sido feito foi levado para outro estúdio e passado para uma mesa analógica. A partir de então, a parte técnica passou para as mãos do engenheiro de som Daniel Pessanha. Em uma semana, tudo estava pronto.

No disco, a maioria das faixas foi tocada por Mauro, André Carrano, Magno e Bruno Vergés.  Julio Koth tocou teclados e participou dos arranjos; Márcio Koth contribuiu na voz, baixo, guitarra e teclado. O trabalho também conta com participações de Alessandra Wagner, de Karl e Raulen.

Foram feitas 500 cópias de Corações Analógicos, viabilizadas pelo mecenato de parceiros e empresas, e apenas um show de divulgação do trabalho foi realizado, o que contribuiu para sua obscuridade.

A apresentação aconteceu no anfiteatro da Fadep, e também teve seus percalços. Mauro conta que o motorista que trouxe os músicos para Pato Branco sumiu com o carro e a bateria, um dia antes da apresentação. A história tem mais detalhes, e envolveu até busca policial. Tudo foi encontrado mais tarde. O show aconteceu com uma bateria emprestada.

Banda no show de lançamento do álbum
(Crédito: Acervo de Rudi Bodanese/Patonauta)

Na formação estavam Mauro, Márcio, Julio, André Carrano e Beto de Bortoli. “O desgaste da gravação foi tal que esse CD quase não teve divulgação. É um disco maldito, tem músicos que o adoram, mas foi um fracasso”, resume.

A tímida repercussão, porém, aconteceu nos lugares certos, e Mauro adianta que a interessados em relançar o álbum. Não está descartada a possibilidade de um vinil, faixas extras e remasterização.

Mauro conta que o projeto deve sair do papel o quanto antes, assim como outro projeto, focado na música instrumental. “Tenho as músicas prontas, e 2017 é o ano”, adianta.

Noite de rock solidária terá nove bandas

Na véspera do próximo feriado, o Clube Pinheiros em Pato Branco volta a receber um festival de rock. Serão nove bandas, entre atrações locais e duas visitantes, de São Lourenço do Oeste e Dois Vizinhos.

Reprodução/Facebook
Velharia é uma das atrações do festival

O evento é uma espécie de continuação do festival que aconteceu em maio para comemorar o aniversário de 10 anos do estúdio Musicalbox, e novamente terá caráter solidário. Os ingressos custam R$ 5,00, mais um quilo de alimento não perecível que serão doados para a Casa Abrigo de Pato Branco.

Os pontos de venda são a Panificadora Itália, o site Ingresso na Mão (ingressonamao.net.br), e o estúdio Musicalbox. Os alimentos devem ser entregues apenas no dia do show. Além do Estúdio, participam da organização o Clube Pinheiros e a Menon Entretenimento.

De acordo com Julio Souza, um dos organizadores do festival, o evento vai acontecer no salão nobre do clube e contará com duas baterias e dois sets de amplificadores para agilizar a troca de bandas e assim diminuir o intervalo entre as atrações. Segundo ele, a cobrança do ingresso simbólico servirá para custear os equipamentos extras necessários para a realização do show em um espaço maior.

Reprodução/Facebook
Cera Quente, de São Lourenço, outra atração anunciada

 

Ainda segundo Souza, além do caráter beneficente, o objetivo do festival é movimentar a cena de rock local. As bandas confirmadas até o fechamento desta edição são: Ellevan, Southkiller, Velharia, Dying Suffocation, Nort Moscow, Pé Vermelho e Los Xacas, de Pato Branco; Cera Quente, de São Lourenço do Oeste, e Cascadaio, que Dois Vizinhos/Quedas do Iguaçu. A banda Painkillers, de Pato Branco, cancelou sua apresentou por conta da viagem de um de seus integrantes.

Noite do Rock

Quando: 01/11

Onde: Clube Pinheiros

Horário: A partir das 21h

Ingresso: R$ 5,00 + 1 Kg de alimento

De volta aos trilhos

Depois de uma pausa na carreira, Trem Fantasma, de Curitiba, lança seu álbum de estreia “Lapso”, uma ambiciosa viagem psicodélica. Grupo se apresenta em Pato Branco em dezembro


A Trem Fantasma (Foto: Vinícius Antunes/Divulgação)

A banda curitibana Trem Fantasma esteve meio que afastada dos holofotes nos últimos anos. O quarteto não chamava tanta atenção fora das fronteiras da capital do estado desde 2012, quando o vídeo clipe da faixa “Nunca se sabe” ganhou elogios Brasil afora, aparecendo inclusive na lista de melhores do ano do jornalista Bento Araújo, editor da revista poeiraZine.

Parecia a deixa para o lançamento de algo mais completo, mas dois de seus integrantes partiram para um intercâmbio, dando início a um hiato nos trabalhos do grupo.

A pausa terminou simbolicamente nesta sexta-feira (21) com o lançamento de “Lapso”, álbum de estreia da banda que sai oito anos após sua fundação, e está disponível nas principais plataformas de streaming (ouça no fim do post). Com Leonardo Montenegro na guitarra, Rayman Juk no baixo, Yuri Vasselai na bateria e o beltronense Marcos Dank na guitarra e vocal, a Trem Fantasma aparece com um álbum que comprova o seu amadurecimento . O grupo vai se apresentar em Pato Branco no dia 09/12, na Aria.

O primeiro single, “Lua Alta”, divulgado no fim de setembro, já adiantava o tom do disco. Ou seja, um hard rock lisérgico digno de quem ouviu o que foi já feito de melhor na música psicodélica e aprendeu a lição. “Pink Floyd sempre foi nossa maior influência, assim como Mutantes. Também têm as bandas mais atuais, como Pond, Tame Impala e Fleet Foxes, que temos ouvido muito também”, lista Dank.

Segundo ele, o grupo passou os meses de recesso trabalhando nas composições do álbum, que contou com o apadrinhamento de Beto Bruno.

O vocalista da Cachorro Grande há tempos tece elogios públicos aos curitibanos, que teria conhecido por intermédio de Marcelo Gross, seu parceiro de banda. De acordo com o material de divulgação de “Lapso”, Bruno encontrou Marcos Dank no aeroporto e se declarou fã da Trem Fantasma.

Ambos combinaram de se encontrar novamente em um show do Tame Impala, que aconteceria um mês depois, em São Paulo. “Falei que realmente queria produzir o disco de estreia deles. Mostrei o som para o Rodrigo Garras, da gravadora Selo 180, e caiu o cu dele. É claro que ele lançaria, porque não é burro”, diz Bruno, sem cerimônias, em um texto de divulgação do álbum.

Processo

A Trem Fantasma esteve bem assessorada durante a concepção de "Lapso". Beto Bruno e Sanjai Cardoso assinaram a produção do trabalho, que foi gravado em diferentes estúdios no Brasil e masterizado por Rob Grant, no Poons Head Studios, na Austrália, que já contou com clientes como Tame Impala, Pond, Miley Cyrus, Lenny Kravitz, entre outros. Segundo Dank, a escolha do estúdio não foi à toa. “Nós queríamos fazer lá, pela energia do lugar e pela nossa ideia de som”.

O disco saiu pela 180 Selo Fonográfico, que cujo catálogo também inclui lançamentos recentes de Los Porongas, Edgard Scandurra e Frank Jorge, e conta com alguns detalhes como trechos de poemas de Paulo Leminski nas faixas “O Silêncio e o Estrondo” e “Lua Alta”, citações devidamente autorizadas pela família do poeta.

O conjunto e o contexto da obra contribuíram para gerar uma certa expectativa. Beto Bruno chegou a dizer na imprensa que “Lapso” seria a maior estreia dos últimos 15 anos.

Dank pondera. “Existem tantas bandas, de tantos estilos, só em Curitiba. Não gostamos de pensar em bandas melhores ou piores. Isso é uma questão de opinião”, diz o vocalista.

O padrinho de fato é suspeito, mas não é exagero dizer que a Trem Fantasma é uma das promessas da atual cena paranaense, ao lado de Machete Bomb e The Shorts. “Lapso” é um disco muito bem feito, com composições caprichadas e bem executadas.

Dank está no grupo desde 2010, quando saiu de Francisco Beltrão para estudar música em Curitiba. No Sudoeste o músico já tocou com a Paraná Blues e a Coringa, de Beltrão, e com a Rafaela e Seus Amores, de Pato Branco. Além de tocar na Trem Fantasma, o guitarrista também mantém uma escola de música em Curitiba, a Escola Fantástica.

Guia de lançamentos e shows: o que vem por aí

Salve, guris e gurias. Muita coisa andou acontecendo e muita coisa vai acontecer no cenário da música regional nos próximos dias. Segue um resumo do que já sabemos.

Lançamentos

No início da semana Marcelo Archetti anunciou a assinatura de um contrato com a Universal Music, e no próximo dia 14 de outubro deverá lançar quatro faixas inéditas do repertório de seu recém gravado primeiro álbum. A parceria foi selada com o relançamento do clipe de “Sei lá”, que se não estivermos enganados, é o primeiro vídeo de um artista local a contar com o selinho “Vevo”. A Cris Sabadin conta mais sobre isso: (Clica).

 

A Tiregrito deve anunciar nos próximos dias a data de lançamento de seu próximo disco. Enquanto isso não acontece, os gaudérios estão soltando spoilers das letras das novas músicas no Facebook:

 

Outro trabalho que já está engatilhado é o disco novo da Trem Fantasma, banda curitibana que conta com o beltronense Marcos Dank em sua formação. Na sexta-feira (30), o grupo já adiantou o primeiro single, “Lua Alta”. Co - produzido por Beto Bruno, da Cachorro Grande, o disco promete ser um dos grandes lançamentos nacionais do ano.

 

Por Pato Branco, o baterista da Offensive Decay, Christian Haubert, cantou a letra de que um EP da banda deve estar saindo do forno:



Além disso, corre pelos bastidores uma conversa de que a Southkiller deverá lançar material próprio nos próximos meses. Boatos também dão conta de que a Colostro voltou a ensaiar e pretende gravar alguma coisa.

Shows

Nesta sexta-feira, 7 de outubro, a Nort Moscow se apresenta de graça lá no Teatro Sesi, às 19h (clica), e no sábado, dia 8 de outubro, quem se apresenta é o Trio Pestana, também no Sesi, também de graça, só que as 20h (clica).

Dia 13 de outubro, a Escola Integral, de Pato Branco, vai realizar sua primeira Mostra Cultural, que pretende valorizar a cultura do estado por meio de várias atividades (clica). Um dos destaques do evento será o show de João Lopes, o Bicho do Paraná, que fez um vídeo convidando a galera:

No dia seguinte, 14 de outubro, a Confraria da Costa volta a tocar em Pato Branco, em show promovido pela Culturama Produções em parceria com a Aria (Clica).

E para fechar o fim de semana, no dia 15 de outubro vai acontecer o I Festival Internacional do Acordeom em Pato Branco, que contará com shows de Luiz Carlos Borges e Los Nuñes, da Argentina, e do duo formado por Arthur Boscato e nosso querido Diego Guerro (Clica).

O Rancho Camargo deverá ferver mais uma vez com a terceira edição da Balada Infernal, que está se consolidando como um dos principais eventos de rock pesado da região. O evento será no dia 29 de outubro, e contará com oito bandas. (Clica)

Por enquanto é isso...

A Senhor Jimi está de música nova

A banda Senhor Jimi, de Pato Branco, lançou nesta sexta-feira (26) o lyric vídeo da música “Clandestino”, a terceira composição própria divulgada pelo grupo. As outras são “Perdido” e “Euforia”.

Para quem não está ligando o nome à pessoa, a Senhor Jimi é essa aqui...

Brod, Boka, Léo e Dudu (Divulgação)

...é que desde sua fundação, o quarteto passou por duas mudanças, sendo a mais drástica o próprio nome. Antes o grupo se chamava Crossover, nome que já batizava um projeto eletrônico de um dos integrantes da Família Lima, a banda do marido da Sandy.

Por conta disso, passaram a se chamar Senhor Jimi, uma homenagem a música “Jimi”, da Cidadão Quem, uma das principais influências de Boka Viana, principal compositor e vocalista.

A segunda mudança foi na guitarra. Leonardo Lembranci, dos grupos Rock Duo e Marajás e Maltrapilhos, entrou no lugar de Renan Banck.

Fecham a formação o baterista Dudu Tomasi, que também batuca na Cabeça e Seus Piolhos, e o baixista e veterano da cena roqueira local, Luís Fernando Brod, que também figura na Cabeça e Seus Piolhos e na Hey OK.

“Clandestino” é um pop rock na linha good vibes bem ao estilo de nomes como Duca Leindecker (Cidadão Quem), Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii), Tedy Correia (Nenhum de Nós), Tiago Iorc e Scalene, que fazem a cabeça especialmente de Boka. Apesar disso, o vocalista explica que as várias influências dos integrantes entram em harmonia na hora de fazer o som nascer. “Não temos uma base única. Posso dizer que nossa música é uma mistura maravilhosamente bem-sucedida entre a MPB, o Pop e o Rock”, ilustra.

Sobre suas escolas, os músicos acrescentam:  "Eu analiso bem o que a música pede na hora da composição e tento passar a dinâmica ideal para cada som. Cada estrofe tem uma história a contar. Um dos principais bateristas brasileiros em que me inspiro muito, é Serginho Herval do Roupa Nova, dinâmica e sentimento a cada compasso da composição”, diz Dudu.

“Tenho como principal influência Paul McCartney, desde meus primeiros passos no contrabaixo", resume Brod, e Leonardo fecha: "Minha maior inspiração é o artista John Frusciante".

Neste lançamento a Senhor Jimi contou com a participação  de Ediney Bugança nos teclados, outro velho conhecido da cena local. “O Edy é uma cara que, assim como aconteceu com o Léo, sempre tive interesse em fazer alguma parceria. Um dia a banda dele estava tocando em algum lugar, eu pedi para dar uma palhinha e ele quis fazer o acompanhamento no teclado”, lembra Boka, sobre a aproximação.

Balada roqueira

Com rock eletrônico no repertório, Anacrônica se apresenta pela primeira vez em Pato Branco

A Anacrônica viu de perto os efeitos da recente liquidez do mundo da música. A banda surgiu em Curitiba em um ano de princípio de transição: 2005, quando grupos de rock iniciantes ainda gravavam de forma independente para chamar a atenção de alguma gravadora ou da mídia especializada.

Desde então, as coisas passaram a mudar muito rápido, e o quarteto formado por Sandra Piola (vocal), Marcelo França (baixo), Marcelo Bezerra (Bateria) e Bruno Sguissardi (Guitarra), teve que acompanhar o fluxo e as surpresas. “Em 2005 tínhamos a impressão de que era um auge. Só que ninguém sabia que a cena estava pedalando para baixo”, brinca Bruno, sobre as consequências da internet, como a derrocada dos selos tradicionais e a independência cada vez mais independente.

Hoje, com um cenário e um mercado um pouco mais estabilizado e maduro, ele avalia que o caminho é inverso. “Digamos que agora estamos subindo”. Para a Anacrônica, pelo menos, pode-se dizer que é verdade.

A Anacrônica (Foto: Divulgação)

Em meio a tantas inconstâncias, a banda gravou um álbum e um EP, este último financiado além da meta via crowdfunding, tentou a vida em São Paulo, gravou em estúdios reconhecidos, abriu para o Franz Ferdinand, e continua aí, firme e forte, com 11 anos de idade. Na próxima terça-feira (30), a Anacrônica tocará pela primeira vez em Pato Branco, no Teatro Municipal Naura Rigon. O show faz parte da programação do projeto 30 no Teatro.

Em “Deus e os Loucos”, o álbum de estreia de 2009, o grupo soa cru e garageiro flertando de leve com a música eletrônica. No EP mais recente, “Eu acho que vai chover”, a banda soa eletrônica e flerta com a crueza e a garagem.

Segundo Bruno, o resultado da obra é consequência de um trabalho de lapidação iniciado junto com o produtor Tomás Magno, ainda nos tempos de “Deus e os Loucos”, com o acréscimo da influência de sons que o grupo andou ouvindo com mais atenção, como Cardigans, Moloko, Garbage e disco music.

“Para este disco, fizemos a música Eles me Querem Assim, e de certa forma ela flertava com o eletrônico. Em entrevistas da época, costumávamos dizer que ela mostrava o que viria do Anacrônica em nosso próximo trabalho”, lembra Marcelo França, o baixista, que continua. “Com a ajuda do Tomás fomos descobrindo como podíamos usar esses elementos eletrônicos no novo trabalho, que está em produção desde 2011. Outro aspecto dessa onda mais eletrônica que o EP tem, é a falta que sentíamos de o Anacrônica ter um som pra tocar e a galera dançar mesmo”.

Relevância

Em seu material de divulgação para a imprensa, a Anacrônica assume um desafio que chama de novo: mostrar que é possível ter relevância artística e apelo comercial.

E para isso a banda já recorreu as ferramentas que tem a mão. Depois de alguns percalços financeiros, o grupo finalizou o EP mais recente por meio de financiamento coletivo, e segundo Bruno, já tirou algum dinheiro com as execuções via streaming, ferramenta que para ele voltou a dar algum valor a música.

Ele avalia que o crowdfunding é uma boa ferramenta, mas que tem seus limites, pois ainda há quem encare como doação. “Não dá para ficar fazendo campanha todo ano. Mas não podemos reclamar, tivemos apoio pra caramba”.

Além da receita com shows, Bruno avalia que o crescimento da demanda por discos de vinil, fitas cassete e outros souvenires devem ajudar no faturamento dos artistas.

Quem pagará pela música?

Jornalista de São Lourenço do Oeste lança documentário sobre os efeitos da internet no mundo da música

Uyara e Vinícius, da Banda Mais Bonita da Cidade, em cena do filme (Reprodução)

O assunto está na roda desde que o Metallica e o Napster decidiram acertar suas diferenças na justiça. Afinal, qual seria o impacto da era da informação livre no mercado da música?

Dezesseis anos depois, o status é mais ou menos esse: quase ninguém mais compra CD, muita gente ainda baixa música sem pagar, surgiu o streaming, o vinil voltou como um produto de nicho, e os artistas já possuem meios razoavelmente eficazes de financiar e divulgar seus trabalhos dialogando diretamente com seus fãs, via internet.

A jornalista Manuela Tecchio, de São Lourenço do Oeste, buscou investigar os efeitos dessa revolução no documentário “Quem vai comprar esse CD?”, desenvolvido como projeto de conclusão do curso de Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Nele, Manuela conversa com artistas independentes que de um jeito ou de outro se valeram da internet para divulgar seu trabalho, nomes como Thiago Pethit, músico e personalidade nas redes sociais; a Banda Mais Bonita da Cidade, projetada pelo vídeo de “Oração”, e Apanhador Só, banda que fez shows na casa de fãs que ajudaram a custear seu trabalho por meio de financiamento coletivo.

“A ideia era entrevistar artistas que tivessem saído do anonimato através da internet. Músicos que já tivessem algum alcance de público com músicas autorais. Queria a experiência destes músicos que floresceram no universo de possibilidades da internet contada por eles mesmos”, conta.

Cantora, compositora e instrumentista desde cedo, a própria Manuela sentiu os efeitos da exposição na internet. No ano passado, uma música que compôs sobre feminismo teve vários acessos, e acabou repercutindo na mídia nacional. O fato ajudou a motivá-la a produzir o documentário. Veja, ou relembre:

No filme, de cerca de meia hora de duração, os entrevistados analisam a transformações mercadológicas e estéticas causadas pela internet na música, assim como especulam sobre como os artistas pagarão as contas no futuro.

A jornalista dá seu palpite: “A indústria da música está sempre em transformação, as plataformas dominantes mudam a cada 5, 10 anos. Eu, particularmente, acredito que o streaming vai durar um bom tempo, os artistas só precisam encontrar formas de fazer o dinheiro chegar neles, mais diretamente. O Jay-Z recentemente lançou o Tidal, por exemplo. É como um Spotify só que a grana vai para os artistas, sem intermediários. É uma ideia interessante, mas o brasileiro ainda não parece disposto a investir grana nisso. Eu espero que essa mentalidade mude”

Faça você mesmo

Para Manuela, outra grande transformação causada pela internet afetou a criação e produção, já que hoje em dia é possível gravar uma música em casa.

Isso também mexeu com as estéticas. “Acredito que isso tenha causado duas tendências que caminham para lados opostos: o minimalismo do voz-violão e o uso de sons mais sintéticos. A gente vê esse minimalismo bastante na nova MPB, umas coisas que puxam para uma bossa nova pós-moderna que fica bem com cara de "gravado em casa". Mas tem também essa galera explorando áudio sintético, por que fica simples de fazer no computador, com o software adequado. Além do mais, a internet intensifica a troca de informações, aumenta o acesso a arte. O brasileiro está ouvindo pagode japonês, rock da Noruega. Acho isso super saudável e enriquecedor”, explica.

O documentário pode ser visto de graça, aqui:

 

A Estranjero e o Digão gravaram um som

Os beltronenses da Estranjero soltaram na última terça-feira (5) uma das faixas que fará parte do terceiro dos seus quatro vindouros EP´s, "Flying Over Borders". A banda divulgou em suas redes "Abismo", faixa em português que conta com a participação de Rodrigo Castellani, o Digão, vocalista da Radiophonics e que já circulou pelo The Voice Brasil.

Estranjero e Digão, no estúdio.


Segundo Samoel Pitz, vocal da Estranjero, a ideia é, em algum lugar do futuro, fechar o lançamento de quatro EPs, e até lá, divulgar gradativamente as músicas de cada um deles. Do primeiro EP, "Learn to Fly", a banda já lançou três. Do segundo, "Long flights", já saíram duas, e do terceiro, "Flying Over Borders", uma faixa. "Creio que no mais tardar metade do mês próximo iremos lançar uma do 4° EP", adianta. 

Sobre os lançamentos gradativos ele explica: "As músicas foram escritas em períodos diferentes, com formações diferentes da banda. A banda vive na linha tênue da identidade única e própria e a absorção do imenso mundo do rock, então serão 4 EP's distintos em sonoridade e ideias, como se fosse pra explorar o que se pode fazer de som". 

Sobre a parceria com Digão, Samoel conta: "
Já fazia algum tempo que conversávamos com o Digão pra gravar um som, abrimos alguns shows da Radiophonics, e sempre mantivemos uma parceria massa. A princípio iria ser um som em inglês, mas pela ideia do EP, e por ter um som forte, achamos muito válido chamá-lo para esse".

...e a música é essa:

A Tiregrito fez uma música pra mim

Hoje a Tiregrito lançou o vídeo de uma faixa quase nova, “Jardim das Araucárias”, um faroeste sobre a Revolta dos Posseiros. Quase novidade pois a música já aparece no repertório da banda desde o ano passado, quando a ouvi pela primeira vez em uma casa noturna de Pato Branco.


Gaudérios e cabeludos (Foto: Studio by Tomasi)

Nesta terça o som saiu ilustrado, feito em estúdio, e de novo pensei: Que puta nome, que baita refrão e que arrepio nas vértebras.

Eu também nasci na pampa gelada do estado. Finalmente alguém fez uma música para mim, e parece que mais gente sentiu o mesmo.

Até esse parágrafo, o vídeo já tinha sido compartilhado mais de 150 vezes, com elogios do tipo “apavoraram piazada” e “mataram a pau gurizada”. Alguém ficou tão “faceiro quanto pinto em quirera”.

Há várias formas de fazer sucesso no mundo da música, inclusive fazendo música ruim, o que não é o caso de várias das bandas que despontam entre o Marrecas e o Chopim, o Rio Iguaçu e o Morro Divisor dos Ventos.

Quem sabe o trunfo da Tiregrito tenha sido abraçar a identidade sudoestina, várias vezes apagada por um senso cosmopolita artificial, que confunde interior com atraso e colono com ignorante.

A cultura do Sudoeste é gaita, baile, soja, campo, pinheiro e até poucos anos atrás tiroteio e injustiça, como bem lembra a recém lançada canção dos beltronenses.

Nascendo e vivendo aqui é impossível não ser afetado por isso, mesmo que você use All Star e não bota, beba mais Heineken do que chimarrão, ou nunca tenha “saracoteado” no baile daquela bandinha que posa para fotos junto com um ônibus – em tempo, esse sou eu, e provavelmente você.

Alunos da escola Paraná Blues, a Tiregrito leva a chucrisse a sério. Mais ainda, demostra ter tanto orgulho dela que gaiteia “Thunderstruck”, do AC/DC, e guitarreia “Criado em Galpão”, dos Serranos, convencendo que ambas podem ter a mesma importância.

É piazada, quem sabe Teixeirinha seja mesmo o Johnny Cash brasileiro (clique aqui).

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