Cristiane Sabadin Tomasi
Por que os filhos amam a cama dos pais?

Eu ando pensando nisso nos últimos meses. Minha filha, que quase todos os meus leitores e amigos conhecem, tem quatro anos. É uma fofa, delícia cremosa de chocolate branco, sapeca e com aquele jeito teimoso de ser, consegue tudo que quer. Eu sei, meu marido sabe, e todos os especialistas no assunto sabem, que não é tão positivo assim que os filhos optem pela cama dos pais por muito tempo. Eles e nós, precisamos de intimidade. As crianças precisam compreender, tudo a seu tempo, que cada um tem suas necessidades e que ter sua cama é muito legal. A da Maria Alice é de princesa, mas ainda assim, ela prefere a nossa. E não é pelo tamanho. Pasmem. Ao invés dela se esticar no meio, sempre opta pelos cantos superiores, ou leia-se: em cima das nossas cabeças. Coisa de criança. Nós, os mais velhos, temos que nos encaixar no espaço.

Enfim. Compartilho aqui um pouco da minha experiência pessoal, pra dizer que sim: eu amo compartilhar a cama. Mas que sim: também acho que está na hora dela retornar ao ninho. Tem o lado bom do aconchego, do ficar pertinho, da cama aquecida no inverno, do pegar na mão de madrugada e de sentir o cheirinho gostoso que somente o nosso filho tem. Mas tem o lado ruim: de ficar longe do marido, de querer conversar e não poder, de ficar de bobeira... de simplesmente fazer coisas que criança ainda não entende.

Mas a vida é assim. Estamos na tentativa diária. Ela adormece, levamos para a caminha. Ela acorda, e poucos minutos depois volta correndo pra cama gigante. Uma amiga minha, a querida sexóloga Raquel Varaschin, disse que em entrevista pra lá de gostosa na Rádio Ativa FM, que a culpa disso tudo (se há culpados) é dos pais. Que criança é criança e vai querer sempre este mimo. Que é missão dos mais velhos mostrar que há tempo para cada coisa, e nesta batalha, os maiores vencedores serão todos. Felizes para sempre, próximos, mas nem tanto. Entendeu Maria Alice?