Cristiane Sabadin Tomasi
Filhos e realização

A Maria Alice tem apenas três anos e poucos meses. É pequena, e não somente na idade – perto de outras crianças é “piquitita”, como costumamos chamá-la. Mas tem vezes, e na grande maioria das vezes, que a menor integrante da família me dá lições de vida. Gente, como é bom ser mãe de uma menina tão doce, tão esperta, tão briguenta e teimosa, e tão única. E bem chata e individualista também!

 

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Ela se acha uma criança grande, porque alguns dias atrás a chamei de “meu bebê”. Disse que não era mais bebezinho e fez aquela cara como quem diz: “mas é uma boba mesmo”. Ontem mesmo, peguei-a no colo para fazer dormir, e ela repetiu: “não sou neném”. E realmente não é mais.

Mas quase que automaticamente – e ela faz isso diariamente – Maria se achega perto de mim e dá um jeito de enfiar a mão sob minha blusa. Procura o seio. Deixa a mãozinha ali, por alguns minutos. Aperta, acaricia e tira. É como se pudesse dizer: “é meu ainda, né mamãe?”.

E esses dias eu notei o quanto isso é tão bom. Ela está crescendo, tem autonomia para fazer quase tudo sozinha, já sabe que o bebezinho está ficando para trás, mas ainda assim, sente falta de algo que por anos esteve tão presente em sua vidinha: o peito da mamãe!

Eu me realizo nesses momentos, de verdade. O mundo fica mais leve, a vida ganha uma dose de ânimo. Aquela menininha birrenta, que transborda personalidade (e forte), um dia saberá que faz parte de muito do que sou hoje.

E se fosse apenas ela a responsável por tudo isso, mas não. Tenho ainda o João Pedro, que no alto de seus 14 anos me dá aulas de como ser uma pessoa mais “de boa”. É difícil ter tempo ruim com ele. Para tirá-lo do sério, nesta fase, basta esconder o controle do play. Pronto. Ou, quando muito, mandar a lavar a louça.

Ele se martiriza, diz que somente ele faz isso lá em casa, que dois pratos e uma panela é sacanagem e segue a lamúria. De resto, o João é sossegado. Não precisa de muito para ser feliz – só não pode faltar os jogos e a comida (e farta). Mas assim, desse jeito, quase todo adolescente é igual. Aposto!

Espero, sinceramente, que a vida não mude a personalidade deles. Gosto assim, exatamente do jeito que são. Cada um a sua maneira. Espero que saibam moldá-las e tirar o melhor de seu temperamento, mas que nunca, jamais, se transformem em outras pessoas.

A vida ensina que não adianta querer mudar pelos outros, é preciso se tornar melhor por você. Aí sim vale a pena. Prefiro pessoas difíceis de lidar, mas que sejam autênticas, que tenham suas convicções e não se guiem pela de uma grande maioria, que dita regras e mais regras, e nem ao menos sabe viver bem dentro de quatro paredes.

Que meu João e minha Maria – opa, não são meus – vivam a sua intensamente. Que realizem sonhos, aprendam com as quedas e levantem sempre. A vida não é fácil, mas pode, e é simples. Basta viver. Se eu crio filhos para o mundo? Sim. Mas para o mundo que eles escolherem ter a sua volta. Hoje, para a Maria, basta que tenha a Elsa por perto. Já o João, ainda está na dúvida: play 4 ou PC Gamer?

Pois é.

Enquanto isso vou experimentando essa vida materna, com altos e baixos, e grandes descobertas.

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