Cristiane Sabadin Tomasi
A cultura do estupro

Quer entender sobre a cultura do estupro? Assista a um vídeo que circula pelas redes sociais e você verá do que eu estou falando. Aliás, não precisa ver o vídeo, apenas imagine os fatos. Tive acesso às imagens e é extremamente nojento e horripilante. Um homem que tem a coragem de estar na rua, com as calças arriadas e com o pênis na mão, se masturbando, pode ser considerado insano, doente mental, sem vergonha, ou todas as alternativas. Isso aconteceu em Pato Branco, na área central – chovia no momento. Fico pensando ao me deparar com a cena, quantas mulheres já não passaram por isso, e não se sentiram à mercê de um tarado que, como mostra muito bem nas imagens, quer chegar as vias de fato. A menina consegue ver o homem se aproximando e rapidamente entra no prédio. Garante assim, pelo menos, sua segurança física. Mas e se, por acaso, ela estivesse andando na rua, sozinha? Ou se não estivesse com a chave na mão ou se esquecesse da senha? Qual seria o desfecho? Nem gosto de pensar.

É lamentável. Um homem. Parece ter idade, pode até ser casado, ter filhos, e filhas. Não sei. Minha pergunta no início do texto quer dizer o seguinte a todos que acreditam que exageramos quando falamos que há sim uma cultura do estupro. Pode acontecer, mas dificilmente você verá uma mulher tomando uma atitude assim. Difícil ver uma mulher peladona na rua, manipulando as partes íntimas e tentando intimidar quem quer que seja. Infelizmente, o sexo feminino sofre com violações de todos os tipos, e muitos homens, doentes, claro (me perdoem meus amigos do sexo masculino), se acham no direito de fazer o que bem entenderem. Está de saia curta, é culpa dela. Anda sozinha na rua à noite, é culpa dela. Sensualiza na festa, é culpa dela. Bebeu na balada, pediu para ser estuprada. Frases assim ainda se ouvem ecoando por aí, e me perdoem, tudo isso só reforça essa cultura horrível do estupro.

Nunca passei por uma situação como desta menina do vídeo, mas me sinto tão violada quanto. E acho que todas as mulheres se sentem. Essa bandeira não é apenas nossa, das feministas (e nem me considero uma) ou feminazes, como queiram chamar. É de todas as pessoas de bem, de qualquer gênero, que só querem ter a liberdade de ir e vir em segurança. Em tempo: obrigada aos muitos homens que levantam também essa bandeira do respeito e dignidade pelos direitos da mulher. Vocês sim são homens com H. Todos somos o sexo forte, se nos unirmos contra tanta violência e desigualdade.